O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira, 2, tarifas sobre as importações de diversos países. Sobre a produção brasileira incidirá a alíquota mínima estabelecida, de 10%. A nova taxa será aplicada sobre todo tipo de artigo, à exceção do aço, alumínio, carros e autopeças, que já foram alvo de outras taxas recentes.
Entre os produtos mais exportados pelo Brasil aos EUA estão matérias primas para diversas indústrias, como óleos de petróleo, pastas químicas de madeira (utilizadas na fabricação de papel) e ferro-gusa (material base de ligas de ferro e aço). Há ainda alimentos como café, suco de laranja e carne bovina.
Veja a seguir os produtos que o Brasil mais envia para os EUA, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC):
Oléos de petróleo ou de derivados crus
Produtos semi-acabados de ferro ou aço não ligado, contendo em peso menos de 0,25% de carbono
Café não torrado, não descafeínado
Óleos de petróleo ou derivados e preparações contendo, em peso, 70% ou mais de óleos de petróleo ou de óleos minerais betuminosos
Pastas químicas de madeira, ao bissulfito, exceto pastas para dissolução
Ferro-gusa não-liga contendo em peso, 0,5% ou menos de fósforo
Aviões e outros veículos aéreos, de propulsão mecânica (exceto helicópteros), de peso superior a 15.000 kg
Suco de laranja
Aviões e outros veículos aéreos, de propulsão mecânica (exceto helicópteros), de peso superior a 2.000 kg, mas não superior a 15.000 kg
Carne de gado bovino congelada, desossada
Com exceção do aço — que será atingido por uma tributação própria, instituída em 12 de março, com alíquota de 25% — todas as demais ficarão sujeitas à tarifa de 10%.
O impacto sobre cada item brasileiro exportado pode variar. Como outros países também serão taxados com diferentes alíquotas, é possível que o Brasil termine com vantagens comparativas em alguns produtos.
“O impacto dependerá de como nossos concorrentes diretos foram tarifados. Se enfrentarem taxas ainda mais altas, pode haver uma vantagem competitiva para o Brasil, já que o custo adicional será repassado ao consumidor americano”, explica Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.
“É essencial uma análise aprofundada para compreender se o impacto será negativo ou se pode, de alguma forma, gerar vantagens estratégicas em determinados setores”, conclui.
Vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin destacou que os Estados Unidos têm mais produtos exportados com alíquota zero ao Brasil do que o Brasil têm nas vendas para os EUA.
“Quando a gente analisa os dez produtos que nós mais exportamos para os EUA, dos dez produtos que mais exportamos, (em) quatro a alíquota é zero”, afirmou Alckmin a jornalistas na sede do ministério, em Brasília. “Quando nós importamos dos EUA, oito produtos é (tarifa) zero para entrar no Brasil”, acrescentou.
Entre algumas das principais exportações brasileiras, as taxas cobradas nos EUA eram até então:
Óleos brutos – sem taxação
Produtos semimanufaturados de ferro ou aço – taxa de 7,2%
Café não torrado – 9%
Pastas químicas de madeira – 3,6%
Ferro fundido – 3,6%
Aviões – sem taxa
Gasolinas – sem taxa
Aviões a turbojato – sem taxa
Carnes desossadas -10,8%
Ligas de aço – 7,2%
Já o imposto cobrado pelo Brasil dos principais produtos de importação vindos dos EUA são:
Turborreatores – sem taxa
Turborreatores de empuxo – sem taxa
Gás natural liquefeito (GNL) – sem taxa
Óleos brutos de petróleo – sem taxa
Óleo diesel – sem taxa
Naftas – sem taxa
Hulha betuminosa – sem taxa
Copolímeros de etileno – 20% de taxa
Óleos lubrificantes – sem taxa
Polietilenos – 20%
Os turborreatores são maquinários utilizados em aeronaves. GNL, óleos de petróleo, diesel, nafta e hulha betuminosa integram a indústria de combustíveis. Os óleos lubrificantes são usados em diferentes atividades industriais. Já o copolímeros de etileno e os polietilenos são tipos de plástico.
Embora a tarifa média nominal brasileira para o mundo seja de 12,4%, a tarifa média efetiva ponderada sobre as importações americanas é de apenas 2,7%, segundo a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil).
[*com informações da Reuters]