Preço do café cai em todas as categorias no varejo em agosto
Queda
Após anos sucessivos de escaladas de preços, o custo do café no varejo no Brasil caiu em todas as categorias e estilos em agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café, no período, o destaque foi para o café Tradicional/Extraforte, que reduziu 21,22%, passando de R$62,83/kg para R$49,50/kg.
Outro estilo que contou com expressiva redução foi o Solúvel, com queda de 19,31%. Além deles, o café do tipo Superior caiu 14,37% no período e o Gourmet teve queda de 13,18%.
Conforme a Abic, o cenário aponta para um processo de acomodação dos preços, devido ao equilíbrio na oferta e demanda e nas oscilações menores no mercado. O diretor-executivo da Abic Celírio Inácio afirma que essa estabilidade possibilitou a redução de custos aos consumidores.
"De fato foi um combo de situações que acabaram favorecendo esse consumo. Nenhuma indústria tem a intenção de inviabilizar o café, uma tão bebida popular e que está presente em 98% dos lares. Ter o café acessível a todos, isso é o objetivo da indústria. E esse controle que se tem durante esse quadro que a gente pré-fixou de 4 meses, nos dá tranquilidade de que a resiliência, como foi no ano passado dessa bebida", disse.
Além dessa redução nos preços, a Associação Brasileira da Indústria de Café também divulgou que as vendas acumuladas do segundo quadrimestre de 2026 aumentaram 4,65%. O resultado é duas vezes superior aos primeiros quatro meses do ano e que confirmou tendência de alta.
No período, foram vendidas, aproximadamente, 7 milhões de sacas, entre maio e agosto. Considerando as vendas realizadas nos últimos oito meses, houve aumento de 2,29 % em relação ao mesmo período em 2025, o equivalente a 13,5 milhões de sacas.
Para os próximos meses, a Abic analisa os impactos do El Niño na oferta do café e, consequentemente, nos preços. O presidente da entidade, Pavel Cardoso, afirma que a primeira florada da nova safra do grão resistiu bem aos efeitos climáticos, mas o último trimestre preocupa.
"Há rumores de que o último trimestre, portanto, outubro, novembro e dezembro, esse El Niño possa se agravar. É um momento que a gente a indústria observa com muita atenção, haja vista 2023, quando a gente teve uma presença do El Niño de maneira muito intensa. E o El Niño, ele tem uma característica bastante ruim para o café, aumento de temperaturas com uma estiagem longa. Isso é terrivelmente ruim para a planta, principalmente ali em dezembro, que é o momento em que vai se definir exatamente o tamanho daquela safra. Então, o setor vê com muita atenção", afirmou.
A expectativa é de finalizar 2026, conforme Abic, superando de 3% de alta no acumulado do ano no consumo do café, dependendo do cenário e das condições climáticas.