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El Niño pode causar mais de 450 mil mortes no mundo nos próximos meses; Brasil está entre mais afetados
Mundo é afetado por El niño em 2026 e 2027. — Foto: Reprodução
Meio Ambiente

El Niño pode causar mais de 450 mil mortes no mundo nos próximos meses; Brasil está entre mais afetados

CBN

Um novo levantamento de especialistas do clima

Um novo levantamento de especialistas do clima e cientistas dizem que mais de 450 mil pessoas devem morrer devido ao calor adicional provocado pelo super El Niño nos próximos seis meses.

As mortes atingiriam especialmente a Nigéria, que lidera a lista, mas o Brasil aparece em quinto lugar entre os que mais deve registrar mortes, com 13 mil.

O levantamento foi feito pelo Laboratório de Impacto Climático junto a especialistas da Universidade de Chicago.

O número de vítimas se soma às mortes prematuras resultantes do aumento das temperaturas já provocado pela crise climática.Muitas outras mortes são esperadas devido às secas, incêndios florestais e inundações trazidas pelo El Niño.

 

As mortes por calor foram estimadas em nível regional, e os pesquisadores afirmaram que as projeções, portanto, identificaram onde medidas para proteger as pessoas poderiam ser implementadas e salvar vidas. Entre as ações poderiam incluir previsões de calor mais precisas, centros de resfriamento onde as pessoas possam se abrigar, aumento do número de funcionários em instalações médicas nos horários de pico e proteção para trabalhadores ao ar livre.

 

'A estimativa de 451 mil pessoas é um número tão grande que pode ser assustador, mas é composto por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas', disse o professor Michael Greenstone, coautor do relatório.

 

A estimativa de mortes se refere ao período de setembro de 2020 a fevereiro de 2027, que coincide com o término das previsões de temperatura atuais. No entanto, espera-se que os níveis elevados de mortes por calor persistam até junho ou julho de 2027.

Onda de calor no verão europeu — Foto: WOJTEK RADWANSKI / AFP

Onda de calor no verão europeu — Foto: WOJTEK RADWANSKI / AFP

Os países mais afetados nos próximos seis meses são as nações tropicais da Nigéria, Indonésia, Sudão, Índia e Brasil. Os EUA estão entre os 20 países mais afetados, com uma projeção de 3,5 mil mortes adicionais por calor. De forma mais ampla, a região do Sahel, na África, e o sudeste asiático são fortemente afetados.

 

O El Niño também é um 'cartão-postal do nosso futuro', disseram os pesquisadores, elevando as temperaturas ao nível que a crise climática deverá atingir daqui a 20 anos.

 

'Aumentar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas este ano', disse a Tamma Carleton, coautora do relatório e professora da Universidade da Califórnia, Berkeley.

 

'Mas daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem o novo normal, não queremos estar em constante estado de emergência. Precisamos nos mobilizar agora para projetar, implementar e avaliar as ferramentas que salvarão vidas nos próximos anos'.

 

As projeções foram feitas utilizando métodos revisados ​​por pares que acompanham a relação mensal entre a temperatura e o número adicional de mortes por calor em 24.378 regiões ao redor do mundo.

Esses dados foram combinados com as previsões de aumento de temperatura devido ao El Niño nos meses seguintes. A linha de base foi o número de mortes por calor em um mês médio, de 1996 a 2025.

O relatório será submetido a uma revista científica com revisão por pares, mas Greenstone afirmou que, dada a urgência da situação, 'teria sido irresponsável engavetar'.

O abastecimento de alimentos também será afetado pelo El Niño, com o Programa Mundial de Alimentos alertando em agosto que seus impactos provavelmente levarão cerca de 50 milhões de pessoas à fome aguda e farão os preços subirem.

Um grande El Niño em 1877-1878 causou mais de 50 milhões de mortes devido à seca e à fome, com a Índia, o Brasil e a China gravemente afetados.

Praia no Rio de Janeiro em dia de calor — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Praia no Rio de Janeiro em dia de calor — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 


 

CBN

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