Sangue nas fezes pode indicar câncer raro que matou ex-paquito Robson
Alerta
A morte de Robson Barros, ex-paquito do programa “Xou da Xuxa”, chamou atenção para um tipo raro de câncer que afeta o intestino delgado. O artista morreu aos 57 anos após enfrentar um adenocarcinoma duodenal, uma doença considerada incomum e que muitas vezes demora a provocar sintomas.
Segundo o Manual MSD, o adenocarcinoma duodenal é uma neoplasia maligna rara que surge no duodeno, primeira porção do intestino delgado. Por apresentar sinais discretos no início, o diagnóstico costuma ocorrer quando o tumor já cresceu ou começou a causar complicações.
O que é o adenocarcinoma duodenal
O duodeno é a parte inicial do intestino delgado e tem papel importante na digestão dos alimentos. É nessa região que chegam enzimas e outras substâncias que ajudam o organismo a absorver nutrientes.
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De acordo com a Cleveland Clinic, o adenocarcinoma duodenal se desenvolve nas células que revestem essa estrutura.
Especialistas acreditam que a doença pode começar a partir de pequenos pólipos que surgem no revestimento intestinal, embora as causas exatas ainda não sejam totalmente conhecidas.
Segundo o proctologista Jacques Matone, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) e integrante do corpo clínico dos hospitais Albert Einstein e Vila Nova Star, a localização do tumor ajuda a explicar por que o diagnóstico costuma ser tardio.
“O duodeno fica em uma região pouco acessível. Por isso, tumores nessa área podem crescer durante muito tempo sem causar sintomas específicos”, explica.
Sintomas da doença
Um dos desafios da doença é que ela pode permanecer silenciosa por bastante tempo. Segundo informações da Cleveland Clinic, muitos pacientes só começam a apresentar os sintomas quando o tumor cresce o suficiente para dificultar a passagem dos alimentos pelo intestino delgado.
Entre os principais sinais estão:
- Dor abdominal;
- Sangue nas fezes;
- Sensação de queimação no estômago;
- Constipação;
- Náuseas e vômitos;
- Perda de peso sem causa aparente.
Diagnóstico costuma ser um desafio
De acordo com o especialista, os sintomas podem ser confundidos com problemas digestivos comuns, o que pode dificultar a identificação precoce da doença.
“O grande desafio é o diagnóstico precoce. Como os sintomas podem ser confundidos com alterações digestivas frequentes, muitos pacientes descobrem a doença em fases mais avançadas”, afirma.
Para confirmar o diagnóstico, podem ser necessários exames como endoscopia, tomografia e biópsia.
Segundo Matone, quando o tumor é identificado precocemente, as chances de tratamento bem-sucedido aumentam significativamente. A cirurgia costuma ser a principal opção terapêutica e pode ser associada à quimioterapia em alguns casos.
“A principal lição é simples. Perda de peso sem motivo aparente, anemia ou sintomas digestivos persistentes não devem ser ignorados”, alerta o médico.