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Carnaval 2026: 3º dia de desfiles no Rio une religiosidade, arte e legado
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Carnaval 2026: 3º dia de desfiles no Rio une religiosidade, arte e legado

Redação com web

O último dia do Grupo Especial do Carnaval 2026 na Marquês de Sapucaí celebrou as raízes afro-diaspóricas e a história do samba com desfiles da Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro. Os enredos abordaram o culto de Ifá, a trajetória de Heitor dos Prazeres, o movimento manguebeat e a homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, encerrando a maratona de desfiles; a campeã será definida na apuração desta Quarta-Feira de Cinzas.

O terceiro e último dia de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, realizado na noite desta terça-feira, 17, e madrugada desta quarta, 18, transformou a Marquês de Sapucaí em um grande palco de celebração às raízes afro-diaspóricas, à história do samba e à potência criativa da cultura brasileira.

Passaram pela avenida a Paraíso do Tuiuti, a Unidos de Vila Isabel, a Acadêmicos do Grande Rio e a Acadêmicos do Salgueiro, encerrando o Carnaval 2026 com enredos marcados por fé, memória e identidade.

Tuiuti leva o Ifá Lucumí à avenida

Abrindo a noite, a Paraíso do Tuiuti levou à avenida o enredo “Lonã Ifá Lucumí”, expressão em iorubá que significa “O Caminho do Ifá Lucumí”. A escola de São Cristóvão apresentou a jornada do oráculo sagrado de Orunmila, conectando a cidade africana de Ilé Ifé à chegada do culto ao Brasil, pelas mãos do babalaô cubano Rafael Zamora.

Um carro alegórico é exibido enquanto foliões da escola de samba Paraíso do Tuiuti se apresentam no Sambódromo durante o Carnaval do Rio de Janeiro, Brasil, em 17 de fevereiro de 2026 – Foto: REUTERS/Tita Barros

 

Com concepção do carnavalesco Jack Vasconcelos, a Tuiuti apostou em cores vibrantes, simbologias religiosas e na união entre Brasil e Cuba para abordar respeito, espiritualidade e história. O enredo foi inspirado em obra do pesquisador Nei Lopes, que acompanhou o desfile e destacou a importância de diferenciar o sagrado das distorções criadas pelo preconceito.

O samba foi interpretado por Pixulé, enquanto a bateria comandada por mestre Marcão sustentou a cadência de um desfile que apostou na pedagogia da avenida para ampliar o olhar sobre as religiões de matriz africana.

Vila Isabel resgata a história de Heitor dos Prazeres e da Pequena África

Segunda escola a desfilar, a Unidos de Vila Isabel emocionou a Sapucaí com o enredo “Macumbembê, Samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, dedicado ao multiartista Heitor dos Prazeres.

Antes mesmo do primeiro carro cruzar a avenida, os intérpretes pediram que o público acendesse as lanternas dos celulares. “Macumba precisa de luz”, explicaram. Sob o brilho de milhares de pontos iluminados, a escola revisitou a Pequena África carioca, com referências à Pedra do Sal, à Praça Onze e ao Pedaço Baiano como territórios de fé, festa e resistência.

Folião da escola de samba Unidos de Vila Isabel se apresenta no Sambódromo durante o Carnaval do Rio de Janeiro, Brasil, em 18 de fevereiro de 2026 – Foto: REUTERS/Tita Barros

Cantor, compositor e pintor, Heitor participou da fundação de agremiações históricas, mas nunca havia sido homenageado no Grupo Especial. Na apresentação, Martinho da Vila representou o tio do artista, enquanto Sabrina Sato, rainha de bateria, surgiu com fantasia inspirada nas aquarelas do homenageado.

Com 27 alas, cinco carros alegóricos, três tripés e cerca de 3 mil componentes, a azul e branco buscou saldar uma dívida histórica da Sapucaí com um dos pilares do samba.

Grande Rio transforma o manguebeat em espetáculo na Sapucaí

A terceira a cruzar a Sapucaí foi a Acadêmicos do Grande Rio, que transformou o movimento manguebeat em espetáculo com o enredo “A Nação do Mangue”. Surgido em Pernambuco nos anos 1990, o movimento liderado por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A misturava maracatu, rock, hip-hop e crítica social.

Folião da escola de samba Grande Rio se apresenta durante o Carnaval do Rio de Janeiro, Brasil, em 18 de fevereiro de 2026 – Foto: REUTERS/Pilar Olivares

Na avenida, o carnavalesco Antônio Gonzaga apresentou essa estética híbrida em 24 alas, cinco carros alegóricos, três tripés e cerca de 3.200 componentes.

Um dos momentos marcantes foi a participação de Louise França, filha de Chico Science, que destacou o legado do pai ao falar sobre raízes e transformação. O desfile também marcou a estreia da influenciadora Virgínia Fonseca como rainha de bateria da escola. Ovacionada ao cumprimentar o setor 1, ela celebrou a acolhida da comunidade e definiu a experiência como única.

Salgueiro reverencia o legado criativo de Rosa Magalhães

Encerrando o Carnaval 2026, a Acadêmicos do Salgueiro apresentou o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães.

Foliões da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro se apresentam durante o Carnaval do Rio de Janeiro, Brasil, em 18 de fevereiro de 2026 – – Foto: REUTERS/Tita Barros

Com 28 alas, cinco carros alegóricos, dois tripés e 3.200 componentes, a vermelho e branco celebrou a trajetória da artista, que conquistou sete títulos ao longo da carreira, cinco deles pela Imperatriz Leopoldinense, e participou das cerimônias dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Viviane Araújo, ícone da escola, desfilou em um tripé em formato de navio, celebrando 18 anos à frente da bateria “Furiosa”, comandada pelos mestres Guilherme e Gustavo Oliveira.

Apuração no Rio de Janeiro

A campeã do Carnaval 2026 será conhecida na tarde desta Quarta-feira de Cinzas (18). A apuração das notas do Grupo Especial está prevista para começar às 15h, definindo qual das escolas conquistará o título deste ano e encerrará oficialmente a maratona de desfiles na Sapucaí.

Redação com web

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