Veja ranking das profissões com maior número de acidentes de trabalho e mortes no Brasil
O Brasil registrou recorde de acidentes de trabalho em 2025, com mais de 806 mil ocorrências e 3.644 mortes, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Desde 2016, foram 6,4 milhões de acidentes e 27 mil óbitos, com destaque para os setores de saúde, transporte rodoviário e construção civil. Motoristas de caminhão lideram em número de mortes, enquanto técnicos de enfermagem concentram mais acidentes. São Paulo teve o maior volume de casos, mas estados como Tocantins, Mato Grosso e Maranhão apresentaram as maiores taxas de letalidade, evidenciando problemas persistentes de segurança no trabalho no país.
O Brasil bateu recordes nos acidentes de trabalho em 2025, com 806.011 acidentes desse tipo e 3.644 mortes, os maiores números da série histórica, de 2016 a 2025, o que somam 6,4 milhões de ocorrências e 27.486 óbitos. Os dados foram consolidados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base nas Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no INSS e no eSocial.
Após a queda em 2020 – ano marcado pela pandemia e pela retração econômica -, os acidentes e as mortes voltaram a crescer de forma consistente. Entre 2020 e 2025, os acidentes aumentaram 65,8% e os óbitos, 60,8%.
No mesmo período, o emprego formal também cresceu, o que ajuda a explicar parte da alta. Ainda assim, os dados indicam que a formalização não foi acompanhada por melhora proporcional nas condições de segurança.
O impacto vai além das ocorrências: em dez anos, os trabalhadores brasileiros perderam mais de 106 milhões de dias de trabalho.
Os chamados “dias debitados” – que capturam o impacto permanente de lesões graves e mortes – somam 248,8 milhões no período.
Por setor econômico: onde mais acontecem acidentes de trabalho
- Atendimento hospitalar: 500.032 acidentes
- Supermercados: 204.277 acidentes
- Administração pública em geral: 177.078 acidentes
- Transporte rodoviário de carga (intermunicipal e interestadual): 143.367 acidentes
- Pronto-socorro e urgências: 133.446 acidentes
- Construção de edifícios: 122.455 acidentes
O setor de saúde lidera o ranking em volume: hospitais e prontos-socorros somam quase 633 mil acidentes na década. O resultado é compatível com a natureza da atividade, marcada por exposição a riscos físicos, biológicos e jornadas exaustivas. A construção civil aparece na sexta posição, mas com letalidade bem superior à da saúde. Veja aqui a íntegra do estudo.
Por setor econômico: onde mais se morre no trabalho
- Transporte rodoviário de carga (intermunicipal e interestadual): 2.601 óbitos | letalidade: 526,6/1.000
- Construção de edifícios: 820 óbitos | letalidade: 238,1/1.000
- Administração pública em geral: 596 óbitos | letalidade: 195,1/1.000
- Vigilância e segurança privada: 467 óbitos | letalidade: 350,1/1.000
- Transporte rodoviário de carga municipal: 328 óbitos | letalidade: 564,2/1.000
- Transporte de produtos perigosos: 282 óbitos | letalidade: 880,0/1.000
O transporte rodoviário de carga intermunicipal e interestadual acumulou 2.601 mortes em dez anos – mais que o triplo da construção de edifícios, segunda colocada, com 820 óbitos. Em média, 260 motoristas morreram por ano nesse subsetor.
O transporte de produtos perigosos chama atenção pela taxa de letalidade: 880 mortes por mil acidentes registrados, indicando que a maior parte das ocorrências nessa atividade termina em óbito.
“Os números mostram que o país tem ampliado a capacidade de registrar e compreender os acidentes e reforçam a necessidade de aprimorar continuamente as condições de trabalho e fortalecer a prevenção”, diz Alexandre Scarpelli, diretor de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE
Por ocupação: o trabalhador que mais morre no Brasil
- Motorista de caminhão: 4.249 óbitos | letalidade: 103,9/1.000
- Alimentador de linha de produção: 778 óbitos | letalidade: 12,0/1.000
- Servente de obras: 741 óbitos | letalidade: 27,6/1.000
- Vigilante: 551 óbitos | letalidade: 40,1/1.000
- Motoboy (entrega de documentos e volumes): 427 óbitos | letalidade: 26,0/1.000
- Faxineiro: 419 óbitos | letalidade: 8,8/1.000
São 4.249 mortes em dez anos – mais de uma por dia. Os motoristas de caminhão concentram 5,5 vezes mais óbitos que a segunda ocupação no ranking.
Já entre os que mais sofrem acidentes – não necessariamente fatais -, o destaque é o técnico de enfermagem, com 372.092 ocorrências acumuladas.
Por estado: São Paulo lidera em volume; Norte e Nordeste, em gravidade
- São Paulo: 2.219.859 acidentes | 6.517 óbitos | letalidade: 2,93/1.000
- Mato Grosso: 134.549 acidentes | 1.257 óbitos | letalidade: 9,24/1.000 *(duplo alerta: alta incidência e alta letalidade)*
- Tocantins: letalidade de 10,91/1.000
- Maranhão: letalidade de 8,55/1.000
São Paulo concentra 34,4% dos acidentes e 23,7% das mortes, reflexo do tamanho da sua força de trabalho formal. Já os estados com maior letalidade não são necessariamente os com mais ocorrências.
Tocantins lidera em taxa de letalidade, seguido por Mato Grosso e Maranhão. O Mato Grosso se destaca como caso de “duplo alerta”, ao combinar alta incidência e alta letalidade – padrão associado a atividades como agronegócio, transporte de commodities e construção.
O levantamento também aponta mudanças no perfil dos acidentes ao longo da década. A participação feminina cresceu 48%, chegando a 293.204 casos em 2025 – o equivalente a 34,2% dos registros, puxados principalmente pelos setores de saúde e serviços. Além disso, os acidentes de trajeto ganham cada vez mais relevância.