Prévia da inflação acelera para 0,89% em abril e salta para 4,37% em 12 meses
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, subiu 0,89% em abril, acelerando em relação a março, puxada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e combustíveis, com destaque para gasolina, leite, diesel e tomate. Em 12 meses, a inflação acumula 4,37%, acima do centro da meta do governo, reforçando preocupações do mercado às vésperas da decisão do Banco Central sobre os juros.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, ficou em 0,89% em abril, ante a taxa de 0,44% registrada em março, puxada pela alta dos preços de alimentos e combustíveis, divulgou nesta terça-feira, 28, o IBGE. Em abril de 2025, a taxa foi de 0,43%.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,37%, acima dos 3,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores, bem acima do centro da meta para o ano. Veja aqui o detalhamento.
O centro da meta oficial para o IPCA é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O resultado, porém, veio abaixo do esperado. Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 1% por cento para o período.
A previsão atual do mercado para a inflação oficial do país é de alta de 4,86% em 2026, segundo o último boletim Focus do Banco Central. A expectativa é de que a Selic termine 2026 a 13,0%.
O Banco Central decide a nova taxa básica de juros nesta quarta-feira, com a guerra no Oriente Médio pairando sobre o cenário. Ao cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em março, a 14,75%, o BC defendeu cautela diante do aumento da incerteza com o conflito.
O que puxou a alta
Os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta em abril.
O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.
A alta da gasolina (6,23%) foi o principal impacto individual no IPCA-15 do mês (0,32 ponto percentual), após ter recuado 0,08% em março. No grupo Transportes, destaque ainda para os aumentos nos preços do óleo diesel (16%) e etanol (2,17%).
Na Habitação, a energia elétrica residencial teve alta de 0,68% em abril, ante 0,29% de março.
Entre os alimentos, as maiores altas foram da cenoura (25,43%), da cebola (16,54%), do leite longa vida (16,33%), do tomate (13,76%) e das carnes (1,14%). No lado das quedas, destaque para maçã (-4,76%) e o café moído (-1,58%).
Principais impactos no IPCA-15 de abril
| Subitem – Geral | Variação mensal (%) | Impacto (p.p.) |
| Gasolina | 6,23 | 0,32 |
| Leite longa vida | 16,33 | 0,11 |
| Óleo diesel | 16 | 0,04 |
| Tomate | 13,76 | 0,03 |
| Energia elétrica residencial | 0,68 | 0,03 |
| Refeição | 0,65 | 0,02 |
| Plano de saúde | 0,49 | 0,02 |
| Perfume | 1,83 | 0,02 |
| Cebola | 16,54 | 0,02 |
| Lanche | 0,87 | 0,02 |
| Plano de telefonia móvel | 1,31 | 0,02 |
| Empregado doméstico | 0,59 | 0,02 |
| Cenoura | 25,43 | 0,02 |
| Etanol | 2,17 | 0,02 |