Por que a ilha de Kharg, que foi atacada pelos EUA, é importante para o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ataques a instalações militares na Ilha de Kharg, importante centro petrolífero do Irã, com o objetivo de pressionar o país a desbloquear o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. A ilha concentra cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano e sua eventual interrupção pode afetar a oferta global da commodity. Autoridades iranianas alertaram que ataques à região podem provocar forte retaliação e ampliar ainda mais o conflito no Golfo Pérsico.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 13, que as forças americanas destruíram instalações militares na ilha de Kharg como forma de pressionar o Irã para desbloquear o Estreito de Ormuz.
A Guarda Revolucionária do Irã mantém um bloqueio quase total do estreito, que é crucial para o transporte global de petróleo.
A ilha de Kharg é um centro importante para a indústria petrolífera iraniana, pois abriga o maior terminal de exportação de petróleo bruto do Irã, responsável por cerca de 90% das exportações do país. Trump classificou essa ilha como “a joia da coroa do Irã”.
Kharg está conectada por oleodutos a importantes campos petrolíferos, como Aboozar, Forouzan e Dorood, e é conhecida por possuir grandes tanques de armazenamento de petróleo para distribuição no mercado internacional.
A ilha, que é coberta por vegetação rasteira, fica no Golfo Pérsico, a cerca de 25 km da costa do Irã e cerca de 483 km a noroeste do Estreito de Ormuz. Ela tem uma área de cerca de 20 km².
Essa pequena ilha passou por um rápido desenvolvimento durante o boom do petróleo iraniano, nas décadas de 1960 e 1970, devido às suas águas profundas, já que grande parte do litoral iraniano é raso demais para acomodar superpetroleiros.
Outras ilhas
Não só Kharg, mas também as outras ilhas ao largo da costa sul do Irã são fundamentais para a economia e a segurança iranianas.
A Ilha de Kharg, a Ilha de Qeshm e as pequenas ilhas de Abu Musa e Tunb Maior e Menor têm uma enorme importância devido às suas instalações petrolíferas e à localização estratégica.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, alertou na quinta-feira que ataques às ilhas do Golfo Pérsico provocariam um novo nível de retaliação, o que ressalta a importância delas.
“Um ataque direto interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã, provavelmente desencadeando uma forte retaliação”, afirmou o banco JPMorgan numa nota de investimento, esta semana.
Exportações de petróleo continuam
O Irã continuou a exportar petróleo bruto enquanto outros produtores no Golfo Pérsico interromperam seus embarques devido ao temor de ataques iranianos.
O Irã exportou entre 1,1 milhão e 1,5 milhão de barris por dia desde 28 de fevereiro, quando a guerra começou, até quarta-feira passada. A indústria petrolífera é o principal pilar da economia iraniana.
Vários petroleiros de grande porte estavam carregando na Ilha de Kharg na quarta-feira, de acordo com imagens de satélite analisadas pelo site TankerTrackers.
Grande parte do petróleo exportado do Irã a partir de Kharg passa pelo Estreito de Ormuz e tem como destino a China, o maior importador mundial de petróleo bruto.
Os mercados observarão atentamente qualquer sinal de que os ataques dos EUA danificaram a complexa rede de oleodutos, terminais e tanques de armazenamento de petróleo da ilha. Mesmo pequenas interrupções podem restringir ainda mais a oferta global, aumentando a pressão num momento já delicado.
O Irã buscou diversificar suas capacidades de exportação com a inauguração do terminal de Jask, no Golfo de Omã, em 2021, fora do gargalo do Estreito de Ormuz.
Mas Kharg continua sendo “um pilar da economia iraniana e uma importante fonte de receita para a Guarda Revolucionária Islâmica”, observou o JP Morgan.