Planalto decide tratar crise de Moraes como assunto exclusivo do Judiciário
A decisão do Palácio do Planalto é tratar o caso como uma crise exclusiva do Poder Judiciário
O presidente Lula se reuniu com ministros e coordenadores de campanha para traçar estratégia diante da crise envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes após revelações de 52 mensagens trocadas com Daniel Vorcaro. A decisão do Palácio do Planalto é tratar o caso como uma crise exclusiva do Poder Judiciário, numa tentativa de evitar que o desgaste atinja o governo e a corrida à reeleição.
As informações foram confirmadas por fontes do governo à CBN.
Nos bastidores, há um temor de que a crise respingue na campanha de Lula por causa da proximidade dele com Moraes.
Estavam presentes os ministros Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação; Guilherme Boulos, da Secretaria-geral da Presidência, Wellington César, da Justiça; e o AGU Jorge Messias. Eles chegaram à conclusão da defesa que "ninguém está acima da lei" e que todos devem explicações à sociedade. Essa será a orientação repassada aos aliados.
Esse mesmo tom, que já está sendo usado pela base governista, deve ser adotado na propaganda eleitoral e nas entrevistas. Mas com ressalvas: o presidente Lula foi aconselhado a não abordar o tema voluntariamente. Ele irá responder apenas se for questionado.
Inclusive, essa foi a mesma posição de Lula ao falar sobre as investigações sobre tráfico de influência no governo envolvendo o seu filho, o Lulinha.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, publicou ontem um vídeo nas redes sociais em que afirma exatamente que: “ninguém está acima da lei” e que “a campanha do presidente Lula defende que é urgente mudar o sistema político e judicial do Brasil, que vive uma profunda crise, que protege poderosos, perpetua privilégios e a corrupção".
Lula já havia se reunido na terça, com o presidente do STF Edson Fachin e com o ministro Gilmar Mendes para ter um termômetro de como estava o clima na corte e saber as providências que seriam adotadas.
Fachin disse ontem que “há sérios elementos que exigem da presidência serenidade, responsabilidade e firmeza” e que “concluída a análise dos fatos, a presidência anunciará sem precipitação medidas cabíveis e necessárias”.
A crise ganhou força após a quebra de sigilo do relatório da Polícia Federal, autorizada pelo também ministro do STF André Mendonça. O documento revelou a proximidade entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, principal alvo das investigações sobre fraudes no Banco Master. As conversas indicam que Vorcaro procurou Moraes na véspera de ser preso para perguntar se deveria sair do país; além de pedir proteção do ministro junto à PF e PGR . O relatório também aponta contratos milionários entre o ex-banqueiro e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci.
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, que também teve o nome citado nas mensagens por proximidade com o ex-banqueiro, pediu a anulação do relatório da Polícia Federal e o arquivamento do depoimento de Vorcaro dado na semana passada ao gabinete de Mendonça, sem a presença da PF.
Na oposição, o tom subiu. Além dos vários pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes no Senado. Em comício em Porto Alegre, o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro cobrou um posicionamento do presidente Lula e reforçou a cobrança pelo impeachment de Moraes.
Em resposta, a base governista partiu para o contra-ataque. O PT protocolou ontem à noite uma representação no Conselho de Ética do Senado contra Flávio Bolsonaro. O líder do partido, senador Camilo Santana, aponta contradições no recebimento de pagamentos de Flávio na relação com Daniel Vorcaro, envolvendo o financiamento milionário do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio havia dito que recebeu o último pagamento de Vorcaro em maio, mas documentos revelados pela revista Piauí mostram que ocorreu um depósito de mais de 1 milhão de dólares em setembro do ano passado.