PF apreende US$ 49 mil em dinheiro vivo em endereço ligado a Jaques Wagner
investigação
A Polícia Federal apreendeu, hoje, 49 mil dólares em dinheiro vivo e treze relógios de luxo em um endereço ligado ao senador Jaques Wagner, em Brasília.
Além disso, foram apreendidos mais 33 mil euros e 6 mil dólares em endereço da Bahia.
O líder do governo no Senado é um dos principais alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga a maior fraude financeira bancária do país. O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, derrubou o sigilo do caso e autorizou o cumprimento de dezoito mandados no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia.
A PF apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações detalham como o senador teria recebido propina em um apartamento e repasses financeiros do Banco Master para defender os interesses do grupo no Congresso Nacional. A polícia dividiu o esquema em três eixos.
O primeiro é a compra de um apartamento de luxo no edifício Poème Horto, em Salvador, avaliado em cerca de dois milhões e meio de reais. Segundo a PF, o próprio senador escolheu o imóvel e repassou os dados para o banqueiro Augusto Ferreira Lima.
Para ocultar que Jaques Wagner era o dono, o apartamento foi comprado por uma empresa de fachada, usando dinheiro de fundos de investimento do Banco Master. A farsa teria ficado evidente quando a família do parlamentar pediu os dados da empresa laranja para conseguir uma licença de reforma na prefeitura.
O segundo eixo da propina envolveu o repasse de três milhões e meio de reais para a empresa BN Financeira, ligada ao enteado de Wagner e à nora dele, Bonnie de Bonilha. Mensagens interceptadas mostram o enteado cobrando Augusto Lima, dizendo: "Amanhã vence os boletos e são altos".
O banqueiro respondeu que a situação estava crítica devido a um negócio frustrado com o Banco de Brasília, mas o pagamento milionário foi concluído semanas depois. Além disso, a família do parlamentar usava aviões particulares e ganhava ingressos para shows no exterior bancados pelo grupo.
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Jaques Wagner, líder do governo no Senado — Foto: Ton Molina/Fotoarena/Agência O Globo
O terceiro eixo é a contrapartida. Em troca dos pagamentos, Jaques Wagner teria atuado para aprovar a "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira, que tentava aumentar o limite do Fundo Garantidor de Créditos de duzentos e cinquenta mil para um milhão de reais. No dia em que a emenda foi pautada, Augusto Lima ligou para Wagner e os dois conversaram por mais de nove minutos. Em outra troca de mensagens, ao tratar da venda do Banco Master, o banqueiro escreveu ao senador: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso". Para os investigadores, a frase prova que o parlamentar era um articulador fundamental dos negócios.
O STF mandou suspender as empresas de fachada usadas no esquema, proibiu o contato entre os investigados e reteve os passaportes dos executivos. A retenção do passaporte não se aplica a Jaques Wagner.
Na última terça-feira, o senador fez um discurso negando qualquer relação com Daniel Vorcaro e criticou a lei que permite delação premiada de pessoas presas. Em nota, a defesa do banqueiro Augusto Lima afirmou que a operação de hoje foi desnecessária, que ele sempre esteve à disposição da Justiça e que provará que todas as suas atividades são lícitas.