PEC da escala 6×1 pode entrar em urgência e deputados devem rifar projeto do Planalto
Deputados petistas e de centro acreditam que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da escala 6×1 pode entrar em regime de urgência na Câmara dos Deputados nas próximas semanas. À ISTOÉ, parlamentares relataram ser “bem possível” agilizar a tramitação sem passar pelas comissões da Casa, em busca de aprovar o texto ainda neste semestre.
A análise de admissibilidade dessas PECs estava prevista para a última quarta-feira, 15, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, mas acabou adiada após um pedido de vista coletiva. A expectativa agora é que o tema volte à pauta somente depois do feriado de Tiradentes. O relator do texto, o deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA), já informou que o parecer será pela admissibilidade da proposta, porém incluiu sugestões para aliviar a pressão de taxas sobre as empresas, além de uma regra de transição.
O que aconteceu
- A PEC da escala 6×1 pode entrar em regime de urgência; deputados querem rifar PL do Planalto para dar segurança jurídica à proposta
- O governo federal apresentou um Projeto de Lei alternativo, propondo jornada 5×2 com 40 horas semanais, em contraste com a PEC que prevê 4×3 e 36 horas.
- O relator do texto na CCJ, deputado Paulo Azi, já indicou parecer favorável à admissibilidade da PEC, com emendas para mitigar impactos em empresas e uma regra de transição.
O adiamento da análise do texto aconteceu horas depois de o Palácio do Planalto enviar um projeto de lei sobre o mesmo tema ao Congresso Nacional. O governo apresentou uma proposta com conteúdo semelhante ao das PECs protocoladas pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A principal diferença está no modelo sugerido: enquanto os parlamentares defendem uma escala 4×3, com 36 horas semanais, o Executivo propõe uma jornada 5×2, com 40 horas.
A proposta do governo chegou à Câmara na noite de terça-feira, 14, em regime de urgência constitucional, ou seja, com prazo máximo de 45 dias para ser analisada. Ainda assim, deputados avaliam que as chances de o texto avançar são mínimas. Parlamentares argumentam que a PEC oferece maior segurança jurídica e reduz o risco de judicialização em pontos sensíveis.
O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende a PEC para os interlocutores. Ele, inclusive, convocou uma nova sessão extraordinária nesta sexta-feira, 17, para obrigar a análise da admissibilidade do texto na CCJ na semana que vem.
Caso o cenário atual se confirme, o governo pode enfrentar maior resistência no plenário da Câmara. São necessários 308 votos em dois turnos para aprovar uma proposta de emenda à Constituição. Em contraste, um projeto de lei exige apenas maioria simples para aprovação.
Se aprovado na Câmara, o texto ainda precisará passar pelo Senado. Interlocutores do Congresso avaliam, no entanto, que há dificuldades para concluir a tramitação nas duas Casas antes da metade do ano.
A proposta de revisão da escala 6×1 é tratada como uma das principais apostas do PT para impulsionar a agenda do governo e fortalecer o discurso em torno da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.