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Itamaraty quer que diplomata argentina explique ajuda a Flávio em fuga
© REUTERS/Adriano Machado/Proibida reprodução
Internacional

Itamaraty quer que diplomata argentina explique ajuda a Flávio em fuga

Agencia Brasil

Depois de perder as eleições, senador fugiu para EUA de onde agradeceu a ajuda do presidente da Argentina, Javier Milei.

O Itamaraty convocou a encarregada de negócios da embaixada argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para dar explicações sobre a participação do governo de seu país na fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, confirmaram à Reuters duas fontes do governo brasileiro nesta sexta-feira (30).

Cortés foi recebida na noite de quinta-feira (29) pelo diretor do Departamento de América do Sul, embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, e a conversa foi rápida, segundo uma das fontes.

A convocação é uma praxe diplomática para o país registrar seu desagrado com as ações de outro governo.

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28) depois de deixar o Brasil e usar como rota de fuga o aeroporto da cidade fronteiriça argentina de Puerto Iguazu, utilizando um jato fretado pelo governo norte-americano.

Em uma carta divulgada na quinta-feira, o senador agradeceu a ajuda do presidente argentino, Javier Milei.

Reportagens da imprensa argentina mostram o envolvimento direto de membros do governo Milei com Flávio Bolsonaro e sua família, inclusive com uma escolta da polícia aeroportuária da Argentina, que o acompanhou até embarcar.

Ao viajar para os EUA, o senador do PL, que foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial de domingo (25), descumpriu uma determinação judicial de entregar seus passaportes e de não deixar o Brasil, no âmbito de um inquérito em que é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Cortés representa o corpo diplomático argentino no Brasil desde que começou a crise diplomática entre os governos Lula e Javier Milei, no final de julho.

O presidente argentino esteve no Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, e ofendeu Lula, repetindo depois outras ofensas em entrevistas e em rede sociais.

A escalada levou o Brasil a retirar seu embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, rebaixando as relações diplomáticas entre os dois países. Em seguida, Daniel Ribondi, então embaixador argentino em Brasília, também voltou para a Argentina.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, disse que não houve um pedido de explicações feito pelo governo brasileiro.

As duas fontes ouvidas pela Reuters reafirmaram suas informações. O Ministério de Relações Exteriores do Brasil não vai comentar o assunto.

Segundo uma das fontes, não há previsão de qualquer mudança nas relações entre os dois países em um futuro próximo, já que Milei tem mantido o tom agressivo em relação ao Brasil, e a ajuda na fuga de Flávio compõe um quadro de intromissão na política interna brasileira.

Edição de Alexandre Caverni

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