Assine a newsletter
Inelegível até 2032, Pablo Marçal oferece consultoria política a candidatos
Pablo Marçal, candidato à prefeitura de São Paulo pelo PRTB — Foto: Yuri Murakami/Fotoarena/Agência O Globo
Eleições 2026

Inelegível até 2032, Pablo Marçal oferece consultoria política a candidatos

CBN

Apoio político

O empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB), declarado inelegível pela Justiça Eleitoral até 2032, está oferecendo consultoria política a futuros candidatos nas eleições deste ano. O negócio é capitaneado por Filipe Sabará, um dos seus coordenadores de campanha na disputa pela prefeitura de São Paulo e que recentemente tem auxiliado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no relacionamento com empresários da Faria Lima.

 

 

Documentos obtidos pela CBN e pelo jornal O Globo com a Junta Comercial de São Paulo mostram que Sabará abriu duas empresas de publicidade e treinamento no ano passado. Uma delas é a Unipoli, nome abreviado da "Universidade Política", que vende cursos por R$ 496 na internet. "Infelizmente esse assunto não é ensinado adequadamente nas escolas e quando ministram é feito de forma ideológica", alega a plataforma.

 

A ideia, ao menos inicialmente voltada para cursos online de curta duração, foi apresentada em Alphaville, em novembro do ano passado, num evento intitulado "Como destravar o Brasil". A reportagem apurou que a consultoria se trata de uma nova frente do negócio chamada de "Máquina de votos", que tem como logotipo um "M" estilizado e foco na "ação digital". Sabará não quis revelar quem seriam os contratantes, mas alega que a lista inclui postulantes a deputado e também ao Executivo.

 

"Deixa eu falar uma coisa, eu estou esperando ninguém fazer nada não, eu estou levantando um batalhão já faz tempo. Essa eleição agora, nós vamos tomar o parlamento inteiro. Eu vou liberar várias coisas na próxima eleição, nós vamos fazer festa no Brasil inteiro. O estado que não tiver nenhum prefeito do PT nós vamos matar, assim, umas cem cabeças de gado, fazer um terror, festa de sete dias em cada estado onde não tiver esse povo", disse Marçal na palestra de novembro.

 

A página do negócio no Instagram, pouco divulgada até o momento, tem apenas 25 seguidores, entre eles o ex-deputado estadual Frederico D’Ávila (PL-SP), nome com trânsito no agronegócio paulista. Procurado, ele confirmou as negociações e disse que está aguardando o envio da proposta. D’Ávila disputou uma vaga na Câmara há quatro anos, logo após desgaste na Assembleia Legislativa por ofensas dirigidas ao Papa Francisco, e não foi eleito. Aparecem ainda na conta figuras ligadas ao PP de São Paulo. O presidente estadual do partido, deputado federal Maurício Neves, não esclareceu se tem relação com a empreitada.

Ex-candidato a prefeito de São Paulo, em 2024, Marçal exibiu uma postura polêmica durante a campanha. Ao longo de todo o período eleitoral, acusou o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) de fazer uso de cocaína sem nenhuma prova, tática que culminou com a divulgação de um laudo falso às vésperas do primeiro turno. O candidato ainda tumultuou debates, viu um assessor agredir o marqueteiro de Ricardo Nunes (MDB) e levou uma cadeirada de José Luiz Datena (PSDB).

 

A certa altura, justificou que precisou "agir como um idiota" para obter visibilidade numa disputa em que tinha menos recursos à disposição do que os concorrentes pelo nanico PRTB. Marçal acabou derrotado, em terceiro lugar, por uma margem estreita de votos. Depois, foi condenado à inelegibilidade, em 1ª e 2ª instâncias, devido aos chamados “campeonatos de cortes” que promoveu na plataforma Discord durante a pré-campanha. Sob a promessa de ganhos financeiros, contas anônimas compartilhavam vídeos em massa para viralizar na internet. Ele anunciou que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além de Sabará e de Marçal, outros professores do curso mencionados são Rodrigo Kherlakian, que se apresenta como empreendedor e filósofo estoico nas redes sociais, e Daniel Gonzales, dono de um negócio que propaga o uso de técnicas de neurociência nas escolas e de uma página de extrema direita no Twitter. Dos quatro, contudo, apenas Sabará aparece como sócio-administrador da empresa. A assessoria de Marçal, porém, confirmou que o influenciador atua na comercialização.

Advogados especialistas em Direito Eleitoral apontam que influenciadores podem atuar nas eleições, inclusive prestando serviços de assessoria política e marketing, mas não podem cobrar pela exposição em suas próprias redes ou obter qualquer tipo de favorecimento em troca de apoio. Desse modo, tanto Sabará quanto Marçal podem oferecer consultoria visando às eleições de 2026, desde que não façam propaganda dos candidatos com os quais firmaram acordos comerciais.

CBN

Comentários

0 comentário(s)

Já tenho cadastro

Entre com seus dados para comentar.

Esqueci minha senha

Quero me cadastrar

Crie sua conta de leitor para participar das discussões.

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Notícias relacionadas