Globo frustra Ana Maria e Bial, mas se rende a Eliana
A TV Globo enfrenta falta de espaço físico e na grade em São Paulo, operando no limite de seus estúdios, o que tem gerado disputas internas e readequações entre programas como Mais Você, Encontro, Altas Horas e Conversa com Bial. Com a estreia do novo programa de Eliana, a emissora precisou reorganizar sua estrutura, levando o talk show de Pedro Bial a deixar de ser diário em 2026 e passar a ter temporadas curtas, enquanto busca novos formatos e aposta em projetos para o Globoplay, evidenciando um verdadeiro quebra-cabeça nos bastidores para acomodar todas as atrações.
Hoje, a TV Globo enfrenta um problema cada vez mais sensível: falta espaço. Falta espaço na grade de programação, como exemplifica o caso envolvendo Ana Maria Braga, que há um tempo vem pedindo à direção do canal mais tempo no ar, e o episódio da reclamação pública sobre o atraso da loira para finalizar o Mais Você, feita por apresentadores de uma afiliada, cujos bastidores a Coluna Matheus Baldi revelou com exclusividade recentemente, e que teve um desfecho que desagradou a comandante do Mais Você.
A emissora informou à Coluna que, neste momento, o pedido de Ana Maria não será atendido. “Não existe nenhuma previsão de mudança na grade dos matinais”, informou a assessoria de comunicação do canal.
Mas, ao observar especificamente a sede da emissora em São Paulo, o problema da falta de espaço vai além da grade. É também físico e está diretamente ligado à limitação de estúdios.
Na prática, a emissora vem operando muito próxima do limite. É nesse contexto que Ana Maria, Patrícia Poeta, Pedro Bial e Serginho Groisman, entre outros nomes relevantes da programação do canal, surgem como protagonistas de uma questão silenciosa que não envolve vaidade nem audiência, mas algo mais concreto e delicado: onde, quando e como caber dentro da própria Globo.
Nos bastidores do departamento de entretenimento e variedades, a disputa por estúdios virou um quebra-cabeça que exige negociação, estratégia e, muitas vezes, concessões entre equipes, diretores e artistas.
Atualmente, a emissora conta com apenas dois estúdios principais na capital paulista. Até existem outros dois menores, bem menos estruturados, mas, nesse tabuleiro apertado, apenas um comporta gravações com presença de plateia. O outro, menor, é considerado quase intocável: abriga o Mais Você, de Ana Maria. Por se tratar de um programa diário, ao vivo, com dinâmica de uso do espaço em formato quase 360 graus e uma logística específica, como o uso da cozinha, o estúdio fica praticamente dedicado à atração da loira. Soma-se a isso o peso simbólico de Ana Maria dentro da emissora e seu empenho com a equipe para manter com rigor o funcionamento do programa.
Com isso, o estúdio principal, no ano passado, por exemplo, foi compartilhado por programas fixos da grade como Encontro, Altas Horas, Conversa com Bial e atrações especiais. Agora, em 2026, também passará a ser usado pelo Em Família, novo programa de Eliana.
Como o Encontro, apresentado por Patrícia Poeta, é ao vivo e diário, algumas vezes, a montagem de seu cenário acaba acontecendo madrugada adentro. Por conta de imprevistos, o prazo já chegou a ficar bastante apertado. O programa não tem margem para remanejamentos: a reserva do estúdio é fixa, de segunda a sexta-feira, no período da manhã.
Quando precisa, Serginho Groisman, por exemplo, se adapta. Há ocasiões em que grava duas ou até três edições do Altas Horas em um mesmo dia, aproveitando cada brecha disponível. As demais produções tentam se organizar entre tarde e noite, mas a engrenagem é sensível. Atrasos de convidados, mudanças de agenda e imprevistos comuns nos bastidores da televisão, algumas vezes, acabam provocando atrasos em cadeia. A verdade é que em São Paulo, ao contrário do Rio de Janeiro, a Globo enfrenta há algum tempo uma escassez real de estúdios. Tudo precisa ser muito bem planejado e cronometrado para evitar desgastes entre as equipes dos diferentes programas do canal.
Esse quebra-cabeça ficou ainda mais desafiador com a chegada de Eliana. Com estreia prevista para março, a equipe já iniciou o agendamento de datas e as demandas de produção estão bem encaminhadas. A animação e dedicação da apresentadora e de sua produção tem sido bastante elogiada internamente. Eliana, inclusive, conseguiu o que tanto queria: seu programa, antes previsto para a faixa do meio-dia dos domingos, foi deslocado para as 14 horas. Um saldo superpositivo, marcando um posicionamento ainda mais forte da atração e com maior número de TVs ligadas.
A questão é que, quando uma nova aposta entra em cena, o entorno inevitavelmente se reorganiza.
Foi nesse contexto que como a Coluna Matheus Baldi já havia antecipado, no fim do ano passado, profissionais da equipe do Conversa com Bial já lidavam com uma sensação crescente de incerteza. Nos bastidores, a indefinição sobre a continuidade e a frequência da atração gerava apreensão, especialmente após a confirmação de que o programa de Eliana, que gravará o Em Família no disputado estúdio de São Paulo, teria uma temporada estendida até o fim de 2026.
O que era rumor de bastidor está confirmado. O Conversa com Bial não será mais diário em 2026, o que naturalmente ajuda a aliviar a alta demanda pelo uso do estúdio. A Coluna apurou que a TV Globo segue tendo grande interesse em Pedro Bial e já está elaborando um novo formato de contrato com o apresentador. Fontes do canal ressaltam, inclusive, que os documentários coordenados pelo jornalista figuram entre as maiores audiências do Globoplay, ocupando posições de liderança nos rankings do streaming do Grupo Globo.
A Coluna descobriu que já existem séries e documentários confirmados para o Globoplay sob sua batuta. Internamente, inclusive, foi sugerida a produção de uma série documental sobre violência urbana, abordando o contexto de assaltos cometidos por motoboys à luz do dia nas grandes cidades. A proposta surgiu após o episódio sofrido no mês passado por Maria Prata, esposa de Bial, que foi vítima de um assalto enquanto estava com a filha Dora, de cinco anos.
O formato tradicional do Conversa com Bial passou a ser considerado inviável nos mesmos moldes, por uma avaliação geral que vai além da logística de uso do estúdio, mas que também considera audiência e força comercial, mesmo havendo o entendimento de que o talk show de Bial garante prestígio e peso simbólico, pela qualidade das entrevistas e dos entrevistados.
Diante disso, a solução encontrada foi manter a exibição do programa em temporadas curtas, com algo entre 12 e 16 episódios por ano. A volta da atração acontecerá no segundo semestre. Uma das apostas dessa nova fase é a exibição antes do Jornal da Globo, diferente do que ocorreu nos últimos anos. A expectativa é que, indo ao ar mais cedo, o programa amplie audiência, repercussão e a possibilidade de atrair mais anunciantes.
Ou seja, essas movimentações deixam claro que a disputa por espaço, seja ele físico ou na grade de programação, envolve uma série de fatores. Para o público, nada disso aparece. Na tela, a programação segue. Mas, fora dela, cada gravação envolve muito planejamento, combinados e tomadas de decisão. É fofoca de bastidor, sim. Mas daquelas que ajudam a entender por que colocar novidades no ar, algo que parece simples para quem assiste, é, em muitos casos, um verdadeiro quebra-cabeça.