Entenda por que IA de vídeo chinesa gerou pânico em Hollywood
A nova IA de vídeo Seedance 2.0, lançada pela ByteDance, gerou forte reação da indústria de Hollywood por sua capacidade multimodal de criar cenas altamente realistas e manter consistência de personagens, superando modelos como o Veo do Google, o Kling e até o Sora, da OpenAI. Após vídeos viralizarem, a Motion Picture Association e a The Walt Disney Company acionaram a Justiça alegando violação de direitos autorais, enquanto a ByteDance afirmou que está reforçando medidas para evitar uso indevido de propriedade intelectual.
Se as inteligências artificiais de vídeo já eram capazes de tirar o sono de grandes magnatas de Hollywood, qualquer salto adicional dessa tecnologia pode gerar novas preocupações – e muito prejuízo.
Entenda o caso
Após vídeos da IA Seedance 2.0 viralizarem, associação que representa estúdios de Hollywood entrou na Justiça
A Motion Picture Association (MPA) alegou violação dos direitos autorais por parte da ByteDance, dona do TikTok
Disney também representou contra a empresa chinesa e pediu a retirada de todo conteúdo que utilize suas franquias
O mais novo “pesadelo” para a indústria do cinema se revelou no início de fevereiro, quando a chinesa ByteDance lançou o Seedance 2.0, nova versão de seu modelo de IA capaz de gerar cenas complexas e com fidelidade muito maior do que a concorrência.
Em comparativos divulgados pela própria empresa, a ferramenta supera, em diversos aspectos, o Veo 3.1, do Google, e o Kling, considerados modelos de referência na área. Com funcionalidades inéditas, esse novo “inimigo” resolve problemas clássicos das IAs de vídeo, como, por exemplo, a incapacidade de manter a consistência dos personagens em diferentes cenas.
Ao utilizar o Sora, modelo da OpenAI, o usuário precisa digitar uma instrução via texto para que a IA gere uma cena com base no comando. É diferente do que ocorre com o Seedance 2.0. Ele unifica em um só modelo instruções de texto, imagens e áudios. É o que se chama de modelo multimodal.
A ferramenta também conta com um modo chamado “Multi-referência”, que permite o uso de várias imagens diferentes para a composição de um vídeo. Ao selecionar uma grande variedade de imagens de um ator ou atriz, com diferentes expressões, em diferentes ângulos, o modelo mantém uma fidelidade única, gerando novas cenas sem perder a identidade.
O diretor irlandês Ruairi Robinson, que atua também com comerciais, criou cenas de Brad Pitt lutando contra zumbis, robôs, e até trocando socos com o companheiro de profissão, Tom Cruise. Os resultados não demoraram a contaminar a imaginação dos internautas.
“Consegui criar essas cenas usando apenas duas linhas de instruções. Talvez Hollywood esteja mesmo em maus lençóis”, afirmou em um post no X, que viralizou.
Para evitar maiores danos, no início da semana, a Motion Picture Association (MPA), associação comercial que representa os maiores estúdios do cinema americano, entrou com um pedido na justiça para que a ByteDance pare de utilizar conteúdo protegido por direitos autorais.
“Ao lançar um serviço que opera sem medidas de segurança significativas contra a violação de direitos autorais, a ByteDance está desrespeitando leis bem estabelecidas que protegem os direitos dos criadores e sustentam milhões de empregos nos Estados Unidos”, afirmou o CEO da MPA, Charles Rivkin, em comunicado.
Surfando a mesma onda, a Disney também representou contra a empresa chinesa e pediu a retirada de todo conteúdo que viole direitos autorais de suas obras, especialmente de suas franquias da Marvel e Star Wars.
No ano passado, a corporação travou uma batalha com a OpenAI pelo mesmo motivo, mas em dezembro acabou negociando o licenciamento de seus personagens para uso no Sora pela bagatela de US$ 1 bilhão (mais de R$ 5 bilhões, na cotação atual).
Após toda a movimentação, a ByteDance divulgou um comunicado afirmando que “respeita os direitos de propriedade intelectual”.
A companhia explicou que está “agindo para reforçar as medidas de segurança atuais”, enquanto trabalha para “impedir o uso não autorizado de propriedade intelectual e imagem por parte dos usuários”.