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Desmatamento no Brasil fica abaixo de 1 milhão de hectares pela 1ª vez da série histórica
Área de desmatamento da Mata Atlântica no Paraná — Foto: SOS MATA ATLÂNTICA/DIVULGAÇÃO
Meio Ambiente

Desmatamento no Brasil fica abaixo de 1 milhão de hectares pela 1ª vez da série histórica

CBN

Levantamento

O desmatamento no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em 2025 pela primeira vez desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, em 2019. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento, foram destruídos 984 mil hectares de vegetação nativa no país, uma queda de 20,6% em relação ao ano anterior. Apesar da redução, o levantamento aponta que o Brasil ainda perdeu, em média, 2.698 hectares por dia, o equivalente a cerca de 17 parques do Ibirapuera ou 3 mil e 700 campos de futebol diariamente. A expansão da agropecuária continua sendo o principal fator da pressão sobre a vegetação nativa e responde por 99% do desmatamento registrado em 2025.

 

O Cerrado permaneceu como o bioma mais afetado, concentrando cerca de 55% de toda a área desmatada do país em 2025. Somente neste bioma foram mais de 540 mil hectares devastados, apesar de uma redução de 16,9% em relação ao ano anterior. Já a Amazônia registrou 289 mil hectares desmatados, queda de 23,5%. Juntos, os dois biomas responderam por mais de 84% de toda a devastação registrada no Brasil. O Pantanal teve a maior redução proporcional, com queda de 48,4% na área desmatada.

O monitoramento é feito com imagens de satélite de alta resolução, usadas para validar cada alerta de desmatamento detectado pelos sistemas que integram o MapBiomas. Em meio ao alerta dos ambientalistas, a Câmara dos Deputados aprovou na semana passada um projeto que impede a aplicação de sanções aos administradores de áreas que tiveram algum dano de cobertura vegetal identificado por imagens de satélites.

Segundo o coordenador do MapBiomas,Tasso Azevedo, as imagens permitem comparar áreas antes e depois da devastação, funcionando como prova técnica da alteração ambiental.

 

“Todo sistema de monitoramento, de desmatamento, ele hoje é feito, no mundo inteiro é feito por imagens de satélite, porque a imagem de satélite, ela acaba sendo, em muitos casos, uma prova quase que melhor do que a própria visita a campo, porque ela fixa uma situação no tempo. Você não consegue, por exemplo, olhar para trás, dois anos atrás, dois meses atrás, o que exatamente estava acontecendo, mas você consegue ver a imagem e você consegue demonstrar por imagem como ela era numa data e como ficou numa outra data. É irrefutável.”

 

Mesmo com a queda no desmatamento, o MapBiomas ressalta que a recuperação da vegetação ainda não acompanha o ritmo da destruição. O levantamento aponta crescimento das áreas em regeneração em todos os biomas, mas em nenhum deles a recomposição foi suficiente para compensar as perdas recentes de vegetação nativa.

 

A região do MATOPIBA, que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, concentrou 40% de toda a perda de vegetação nativa do país e 70% do desmatamento do Cerrado.

CBN

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