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Cresce tendência ao vício entre brasileiros que apostam em bets, mostra pesquisa
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Brasil/Mundo

Cresce tendência ao vício entre brasileiros que apostam em bets, mostra pesquisa

Redação com web

Pesquisa da Anbima mostra que as apostas online cresceram no Brasil, passando de 14% para 17% dos brasileiros entre 2023 e 2025, com predominância entre homens jovens que veem a prática como diversão e emoção. O estudo também aponta aumento de apostadores com risco moderado e perfil problemático de vício, especialmente entre jovens das gerações Z e Millennials, além de impactos financeiros e sociais estimados em R$ 38,8 bilhões por ano. Diante desse avanço, o governo intensificou restrições ao setor e estuda endurecer a fiscalização sobre bets e plataformas de apostas.

A adesão às plataformas de apostas online e às bets pelos brasileiros cresce a cada ano e impacta mais os jovens do gênero masculino. Para esse grupo, as apostas online estão conectadas à percepção de prática recreativa, o que os motiva a jogar é a emoção de apostar. Uma parcela desses apostadores já está enquadrada entre jogadores problemáticos e de risco moderado, medida pelo índice de tendência ao vício em apostas, como mostra a pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro”, divulgada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O levantamento indica que o percentual de pessoas que fazem apostas em bets no país foi de 14%, em 2023, para 17%, em 2025. O perfil do jogador é majoritariamente masculino. Do total, 66% são homens, com idade média de 35 anos, renda familiar de R$ 5.402 por mês, possuem ensino médio e moram na região Sudeste.

Para esse grupo, a prática de fazer apostas online e jogar em bets está conectada à percepção de diversão e à emoção de apostar. A parcela da população com essa visão cresceu significativamente desde 2023. O percentual daqueles que sentem emoção ao apostar subiu de 25%, em 2023, para 27%, em 2025, e entre os que acreditam que a prática é uma diversão foi de 26%, em 2023, para 32%, em 2025.

Gastos dos apostadores

O gasto mensal com bets gira em torno de R$ 100 para 37% do universo de apostadores da pesquisa. Mas, o percentual de gastos de menor valor (de R$ 1 a R$ 30) expandiu de 33% para 36%, de 2024 para 2025.

Também houve evolução na parcela de jogadores avaliados pelo índice de tendência de vício em apostas.

A classificação relativa ao vício, medido pela Anbima, foi desenvolvida com base no indicador internacional ‘Problem Gambling Severity Index (PGSI)’.

 

Tendência ao vício

Do total de apostadores, 11% são enquadrados como problemáticos em 2025, expansão de 1% em relação ao ano anterior. Aqueles que são considerados de risco moderado apresentaram aumento de 26% para 28% dos apostadores, no mesmo período de comparação.

O relatório destaca que o grupo mais representativo continua sendo o de apostadores que não apresentam risco no índice de tendência ao vício, somando 32%. Porém, “o percentual deles caiu em relação à edição passada, quando alcançavam 35%”, indica o estudo.

Dentre os apostadores problemáticos, a maioria é jovem, 82% deles pertencem à geração Z (pessoas de 16 a 29 anos) ou são Millennials (de 30 a 44 anos). Nesse recorte, 73% são homens e enquadram-se na classe C. Esse grupo foi o que menos conseguiu economizar em 2025 (23%).

Eles representam o maior grupo sem reserva dentre os apostadores (25%) e também o menor com reserva para períodos superiores a seis meses (23%). Também apresentam o menor volume de investidores (31%).

A fragilidade financeira do apostador recorrente gera um custo social anual de R$ 38,8 bilhões no Brasil. Cerca de 80% desse valor estão ligados a problemas de saúde, como perda de qualidade de vida ou tratamentos relacionados à depressão, além de mortes adicionais por suicídio. O cálculo foi realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental (FPSM) e organização Umane.

O segmento de apostas online do Brasil já ser considerado o quinto maior mercado do mundo. Em 2025, a receita bruta das empresas reguladas – que possuem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda (SPA-MF), para operar – alcançou R$ 37 bilhões. O valor representa o total de apostas realizadas, menos os valores de prêmios pagos.

A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima),realizou 5.832 entrevistas nas cinco regiões do Brasil. A amostra reflete a população brasileira com 16 anos ou mais, de todas as classes econômicas, com ou sem renda individual e de um universo de 168,1 milhões de pessoas, conforme a Pnad/IBGE.

Mercado preditivo e bets

O tema das bets e das plataformas de jogos online se tornaram alvo de restrições do governo. Na sexta-feira, dia 24, o governo federal anunciou sanções ao mercado de derivativos e a operações do chamado mercado preditivo.

+ Governo anuncia bloqueio de plataformas de mercados preditivos no Brasil

Na prática, ficou proibida a oferta de contratos de derivativos com ativos vinculados a eventos esportivos, políticos, culturais ou de entretenimento, além de jogos on-line. Com isso, 27 plataformas de mercados preditivos consideradas irregulares por estarem fora dos parâmetros legais foram bloqueadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Veja a lista aqui

Com relação às bets, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que fez o anúncio disse que o governo estuda medidas para ‘apertar’ ainda mais essa modalidade de apostas online. “Vamos endurecer a fiscalização e vamos seguir avaliando outras medidas para as bets”. Atualmente, existem 73 operadoras de bets autorizadas a atuar no país. “Mesmo esse universo está sendo analisado”, disse o ministro.

Redação com web

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