Argentina tem dia de greve geral contra reforma trabalhista de Milei; voos são cancelados
A Confederación General del Trabajo convocou uma greve geral contra a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, afetando transportes e provocando cancelamentos de voos, inclusive no Aeroporto de São Paulo. O projeto, que reduz indenizações, amplia a jornada e limita o direito à greve, é defendido pelo governo como forma de combater a informalidade, mas é classificado pelos sindicatos como regressivo e inconstitucional, em meio a um cenário de recessão, perda de empregos e fechamento de empresas.
A principal central sindical da Argentina convocou para esta quinta-feira, 19, uma greve geral contra a reforma trabalhista do presidente ultraliberal Javier Milei. A paralisação afeta a circulação de trens e ônibus e também provocou o cancelamento de centenas de voos.
No Aeroporto Internacional de São Paulo, 14 voos foram cancelados nesta quinta-feira por conta da greve geral na Argentina, segundo a GRUAirport.
A mobilização, a quarta contra as políticas do governo Milei, ocorre em meio à crescente agitação social, sinais de recessão econômica, declínio da atividade industrial e queda acentuada do consumo. Desde que Milei assumiu o cargo em dezembro de 2023, 300 mil empregos foram perdidos e 21 mil empresas fecharam, segundo dados do setor industrial.
O projeto em análise dos deputados reduz as indenizações por demissão, permite pagamentos em espécie (bens ou serviços), estende a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito à greve, entre outras disposições.
O governo afirma que as mudanças ajudarão a reduzir o emprego informal, que afeta mais de 40% do mercado de trabalho, e a criar empregos, ao reduzir a carga tributária sobre os patrões.
A votação na Câmara dos Deputados está prevista para o final desta quinta-feira. Quaisquer alterações ao projeto de lei o enviariam de volta ao Senado para uma votação final antes que ele possa se tornar lei.
Os sindicatos filiados à Confederação Geral do Trabalho (CGT) consideram essas mudanças “regressivas” e “inconstitucionais” e prometem contestar a reforma na Justiça caso a lei seja aprovada.