Veja dicas para se planejar financeiramente para as despesas ‘extras’ de janeiro
O início do ano traz despesas extras que podem pesar no orçamento familiar, como impostos, material escolar e faturas acumuladas, tornando o planejamento financeiro fundamental. Especialistas recomendam organizar o fluxo de gastos, mapear despesas sazonais e estimar os valores com base no ano anterior corrigido pela inflação, para avaliar o impacto na renda. A prioridade deve ser quitar dívidas com juros altos, usar reservas de forma consciente e, quando necessário, parcelar gastos, aproveitando recursos como o 13º salário para proteger as finanças e evitar crédito caro.
Início de ano costuma ser um período de gastos para a maior parte das famílias. Despesas extras como IPVA, IPTU, material escolar, além da fatura do cartão de crédito com os gastos de fim de ano, podem pesar no orçamento.
Por isso, o planejamento financeiro é essencial para passar por esta fase sem grandes sustos e dívidas. Octavio Gomes, educador financeiro, especialista em investimentos e sócio da AVG Capital, indica que o primeiro passo é ter organizado o fluxo do orçamento doméstico para saber os gastos em meses normais e, a partir dessa base, listar todas as despesas sazonais.
“Tendo esses valores em mente é possível ver quanto dessas despesas pode ser absorvida pela própria recorrência de renda, e quanto precisará vir de outras fontes, como reservas, poupança, ou até mesmo a possibilidade de parcelamento do que tiver a opção, caso não tenha outra forma”, afirma Gomes.
Além disso, Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, recomenda que, caso não seja possível saber o valor exato dos gastos de janeiro com antecedência, seja feito o cálculo com base neste ano para saber qual vai ser o impacto dessas despesas no orçamento.
“Pegue o que foi pago em janeiro de 2025 e acrescente a inflação do ano (4,46%), depois divida as despesas de janeiro pela receita e multiplique por cem, assim você saberá quanto as despesas de janeiro representam na sua receita. Se o resultado for alto, por exemplo acima de 50%, você precisa dividir esses pagamentos ao longo de alguns meses, usar reservas ou priorizar o que é urgente para não recorrer a crédito caro”, diz o planejador.
Para Gomes, é importante saber ler a própria realidade financeira para conseguir usar o dinheiro “extra” da maneira mais eficiente.
“A prioridade é tentar zerar dívidas que estejam comprometendo mensalmente ou acumulando juros. Após esse passo é possível se organizar com relação ao direcionamento para construção de uma reserva, viagens, compras de final de ano, e principalmente os gastos de início de ano”, destaca.
No mesmo sentido, Patzlaff sugere que é necessário entender a natureza das despesas para aproveitar as oportunidades. “No cenário atual de juros altos, o 13º salário pode ser o seu trunfo. Ele não deve ser visto como um dinheiro apenas para as festas, mas como uma ferramenta de blindagem”, afirma.