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Uma andorinha na mão ou cem gaviões no espaço - qual será a escolha do prefeito JHC?
Prefeito JHC pode disputar Senado e lançar esposa Marina Candia para deputada federal
Romero Belo

Uma andorinha na mão ou cem gaviões no espaço - qual será a escolha do prefeito JHC?

Romero Vieira Belo
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Uma andorinha na mão ou cem gaviões no espaço - que escolha fará JHC até o início de abril?

Prefeito tem alternativas, além de governo e Senado, mas isso requer aliança com forças governistas

Em posição privilegiada para disputar as eleições de outubro, o prefeito João Henrique Caldas, ainda no PL de Jair Bolsonaro, está definindo sua escolha, o rumo a tomar, mas não vai abrir o jogo antes de quatro de abril, último dia para renunciar ao cargo de prefeito e, assim, viabilizar sua participação no processo eleitoral. 
Em verdade, não existe compromisso e muito menos obrigação exigindo que o prefeito anuncie, antes ou logo depois do ato de renúncia à Prefeitura, o cargo que pretende disputar.
Governador ou senador?
São os dois mais visados e de maior relevância, no contexto da eleição estadual, ambos disputados em pleitos majoritários, e a verdade é que, se o desejo de amigos e assessores prevalecer, JHC disputará a sucessão do governador Paulo Dantas.
O prefeito maceioense, contudo, não é um novel, um principiante empolgado com o coro da torcida amiga, nem com animadores números de algumas pesquisas eleitorais. Se agisse como tal, óbvio que já teria anunciado sua decisão de sair para governador.
Maioria folgada na capital e em alguns municípios, JHC detém. Mas ele sabe que apenas discurso e propaganda não bastarão para mudar o cenário adverso no interior do Estado, onde estão situados 101 municípios e se concentram mais de dois terços dos eleitores alagoanos. E muitos, muitos desses votantes não são identificados pelas sondagens de intenção de voto...
Não é uma questão de tempo, faltam ainda sete meses para o pleito. O desafio, para JHC, é convencer os eleitores de que, se eleito governador, poderá fazer mais do que já foi feito em quatro gestões continuadas, ontem sob o comando de Renan Filho, do MDB, hoje sob a batuta de Paulo Dantas, também do MDB.
Por outro ângulo: o prefeito sabe que o que pode prometer para amanhã é, no geral, o que já foi feito ontem e está sendo feito atualmente. É uma espécie de confronto entre projetos em perspectiva e obras prontas e palpáveis.
A seu modo, o prefeito de Maceió tem avaliado prós e contras, incluindo um ponto crucial e incontornável: sem renúncia no Palácio República dos Palmares, a campanha vai transcorrer com Paulo Dantas, decisivo aliado de Renan Filho, entregando obras a todo instante, enquanto ele, o 'candidato JHC', obviamente já não estará no comando da administração da capital, que será passada ao vice Rodrigo Cunha.
Seria o caso, então, de abrir mão do governo e pronto?
Evidente que não. Eleição é disputa e, como tal, encerra uma dinâmica complexa, com resultados que desafiam a lógica e até a precisão matemática.
Certo que o grupo político dominante, formado por Paulo Dantas, Renan Calheiros, Marcelo Victor, Renan Filho e Ronaldo Lessa lidera a maioria do eleitorado do interior, mas JHC venceu esse mesmo grupo duas vezes consecutivas em Maceió (em 2020, disputando a Prefeitura e derrotando Alfredo Gaspar, e em 2024 concorrendo à reeleição e vencendo o deputado federal Rafael Brito). Logo, mostrou que tem força e potencial para encarar uma batalha mais ampla no âmbito estadual.
O que resta elucidar é se o prefeito está disposto a 'pagar pra ver', sabendo que pode 'ver sem pagar', o que poderia ser conseguido por meio de uma composição com o senador Renan Calheiros (MDB) e seu grupo. Como produto desse entendimento, JHC seria eleito senador e poderia, até mesmo, na largada das conversas, propor um 'acordo futuro' pelo qual, em 2030, sairia para governador, enquanto Renan Filho retornaria ao Senado Federal. Por que não?
Pesa muito e também deve ser levado em conta o apoio de Lula ao seu ministro Renan Filho. É uma parceria que já se move visando o pós-eleição, e foi isto que levou o presidente a incluir já agora no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) R$ 11 bilhões para Alagoas, com 750 obras definidas para a educação, saúde, segurança, habitação e infraestrutura, tudo a ser executado até 2030.
Na visão de observadores políticos, JHC estaria diante de duas escolhas: 1- o cenário desafiador do tudo ou nada, saindo para governador; 2 - a opção zero risco traduzida em um canário na mão (Senado) em vez de cem gaviões no espaço (governo).
Mas, em se tratando do prefeito maceioense, os cenários não se esgotam aí, há alternativas eleitorais. Por exemplo: disputar o Senado e lançar sua companheira Marina Candia para deputada federal, compondo-se para isso com o grupo de Renan Filho, ou permanecer na Prefeitura até o final do mandato, lançando sua mãe, Eudócia Caldas, para disputar uma das vagas no Senado, e a esposa, Marina Candia, para a Câmara dos Deputados (ou, ainda, Candia senadora e Eudócia deputada) também em articulação com o bloco de Renan Calheiros.
Em suma, JHC conhece muito bem seu potencial e seus trunfos, assim como os pontos vulneráveis que, naturalmente, só aparecem no desenrolar de uma grande batalha enfrentando adversários fortes e muito bem posicionados.

 

Romero Vieira Belo

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