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Tuco-tuco-das-dunas reaparece no litoral gaúcho e acende alerta sobre preservação ambiental
Divulgação
Brasil/Mundo

Tuco-tuco-das-dunas reaparece no litoral gaúcho e acende alerta sobre preservação ambiental

Redação com web

Avistado recentemente entre as dunas da praia de Santa Terezinha, em Imbé, no litoral do Rio Grande do Sul, um pequeno roedor chamou a atenção de quem passava pelo local. Quase sempre escondido sob a areia, o tuco-tuco-das-dunas (Ctenomys flamarioni) é uma das espécies mais ameaçadas do país e raramente é visto fora de suas galerias subterrâneas.

O registro foi feito no dia 29 de dezembro pelo historiador Rodrigo Trespach, que observou o animal enquanto ele cavava uma de suas tocas. Endêmico do Rio Grande do Sul, o tuco-tuco-das-dunas vive exclusivamente em uma faixa de areia que vai da Barra do Chuí, no litoral sul, até Arroio Teixeira, no litoral norte, e está classificado como ameaçado de extinção na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Apesar da aparência que lembra marmotas do hemisfério Norte, ele é parente próximo das capivaras, dos ratões-do-banhado e das preás, todos roedores típicos da América do Sul. O animal alimenta-se principalmente de gramíneas e raízes, tendo um papel importante no equilíbrio do ecossistema das dunas.

A presença cada vez mais rara da espécie está diretamente ligada à pressão humana sobre o litoral. A urbanização acelerada, a ocupação irregular das praias e o pisoteio constante da areia comprometem o habitat do animal, que vive sozinho em galerias subterrâneas. 

Projeto Tuco-Tuco

Para tentar conter a ameaça, a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) mantém há mais de 30 anos o Projeto Tuco-Tuco, dedicado ao estudo e à preservação do roedor. A iniciativa atua tanto no monitoramento científico quanto na conscientização da população que frequenta o litoral, especialmente durante o verão, período de maior ocupação das dunas.

Segundo a bióloga e doutora em ecologia Luiza Flores Gasparetto, integrante do projeto, a área onde o tuco-tuco-das-dunas vive é extremamente limitada, o que torna a espécie ainda mais vulnerável. “É um ambiente muito restrito, uma faixa de areia que vai de Arroio Teixeira, no litoral norte, até a Barra do Chuí, no litoral sul. Essa região é muito ameaçada principalmente pela perda e conversão do habitat, com a ocupação irregular das dunas e das áreas de preservação permanente, impulsionada pela especulação imobiliária”, explica.

Além da urbanização, práticas comuns nas praias também representam riscos ao animal. O pisoteio excessivo das dunas, a instalação de cadeiras e guarda-sóis sobre a vegetação e a circulação de animais domésticos soltos podem comprometer as galerias subterrâneas onde o tuco-tuco vive. “São animais que vivem sozinhos, em túneis subterrâneos. Qualquer alteração no solo pode destruir essas estruturas”, alerta a pesquisadora.

Por isso, o projeto também investe em ações de educação ambiental e divulgação científica. Uma das estratégias é a instalação de placas informativas nas praias, além da produção de conteúdos educativos nas redes sociais, com orientações práticas para a população.

Entre as recomendações estão o uso das passarelas de acesso à praia para evitar o pisoteio das dunas, não instalar equipamentos sobre as dunas, manter animais de estimação sempre na coleira e descartar corretamente o lixo.

“Conhecimento gera mais conhecimento. Se as pessoas sabem que o tuco-tuco está ali, elas passam a lembrar da presença dele e a cuidar daquele espaço. A gente não preserva aquilo que não conhece”, afirma Luiza.

Redação com web

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