Taxa de desemprego sobe para 5,4% em janeiro, mas renda média atinge recorde
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo o IBGE, ligeiramente acima dos 5,1% do trimestre anterior, mas ainda entre os menores níveis da série histórica iniciada em 2012. O país registrou cerca de 102,7 milhões de pessoas ocupadas e 5,9 milhões de desempregadas, com queda em relação ao ano anterior. A renda média do trabalhador também atingiu recorde de R$ 3.652, enquanto a informalidade caiu para 37,5%. Economistas avaliam que o mercado de trabalho segue forte, mas pode apresentar leves altas no desemprego ao longo de 2026
A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, ante o patamar de 5,1% registrado no trimestre encerrado em dezembro, informou nesta quinta-feira, 5, o IBGE.
O resultado veio dentro do esperado pelo mercado e repetiu a mesma taxa registrada de agosto a outubro de 2025 (5,4%), o menor da série considerada comparável pelo IBGE, iniciada em 2012. Em relação ao trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025 (6,5%), houve queda de 1,1 ponto percentual.
A população ocupada somou 102,7 milhões, ficando estável no trimestre, mas marcando uma alta de 1,7% (mais 1,7 milhões de pessoas) no ano. O número de desempregos somou 5,9 milhões, o que representa uma estabilidade na comparação com o trimestre de agosto a outubro de 2025. No confronto com igual trimestre do ano anterior (7,1 milhões), houve queda de 17,1% (menos 1,2 milhão de pessoas). Veja aqui o detalhamento.

Evolução da taxa de desemprego no país (Crédito:Divulgação/IBGE)
Renda do trabalhador atinge recorde
Os dados são da PNAD Contínua Mensal mostram também que o rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o mais alto da série, com aumento de 2,8% no trimestre e de 5,4% no ano. A massa de rendimento do trabalho alcançou o valor recorde de R$ 370,3 bilhões, com crescimento de 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e 7,3% (mais R$ 25,1 bilhões) no ano.
A taxa de informalidade (proporção de trabalhadores informais na população ocupada) ficou em em 37,5%, a mais baixa da série histórica, equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores.
De acordo com a coordenadora de pesquisa domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, os resultados apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação. “Embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal”, afirmou.
Perspectivas para o ano
Na visão dos analistas, o resultado aponta para uma estabilização do desemprego em um mercado de trabalho ainda resiliente.
O dado divulgado nesta quinta-feira abrange dois meses do final de 2025, mas tradicionalmente a taxa de desemprego sobe no início do ano devido à dispensa de funcionários temporários contratados no final do ano. Analistas avaliam que o mercado de trabalho deve continuar forte em 2026, mas que a taxa de desemprego pode apresentar leves altas ao longo do ano em movimentos de correção diante dos níveis baixos atuais.
“Não vemos espaço para uma melhora continuada do mercado de trabalho. Os principais indicadores se encontram próximos do topo e vemos sinais de perda de dinamismo, na margem, no mercado de trabalho, com os setores mais sensíveis ao ciclo encontrando maiores dificuldades”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter.
O desemprego baixo com renda elevada é um dos indicadores que são foco de atenção do Banco Central, já que dificulta o controle da inflação. O BC volta a se reunir neste mês para decidir sobre a taxa básica de juros, com expectativa de corte na Selic, embora tenha entrado no radar agora a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.