Sete prefeitos de capitais deixam cargos e embalam disputa aos governos estaduais
Sete prefeitos de capitais brasileiras, como Eduardo Paes, João Campos e David Almeida, renunciaram recentemente aos cargos para disputar as eleições, em sua maioria visando os governos estaduais. O movimento ocorre em várias regiões do país e reflete a reorganização política para o pleito, com alguns nomes liderando pesquisas e outros enfrentando forte concorrência. Em Maceió, o prefeito João Henrique Caldas ainda não confirmou saída, mas é cotado para concorrer ao governo de Alagoas em meio a articulações políticas e possíveis alianças.
Ao menos sete prefeitos de capitais renunciaram aos seus cargos nas últimas semanas para disputar as eleições deste ano. O movimento, em diversas regiões do país, tem um ponto quase em comum: todos os nomes que deixaram as prefeituras estão cotados para concorrer aos governos estaduais. Apenas dois deles podem concorrer ao Senado.
Já formalizaram a saída dos cargos os ex-prefeitos do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), de São Luiz (MA) Eduardo Braide (PSD), de Boa Vista (RR) Arthur Henrique (PL), de Recife (PE) João Campos (PSB), de Manaus (AM) David Almeida (Avante), de Macapá (AP) Dr. Furlan (PSD) e de Vitória (ES) Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A única incógnita, até o momento, envolve o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC. Ele se filiou ao PSDB na terça-feira, 31, após romper com o PL, em meio à reconfiguração política no estado. O rompimento ocorreu após a filiação do deputado federal Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, que assumiu a presidência da legenda em Alagoas.
Nos bastidores, há a expectativa de que JHC anuncie candidatura ao governo estadual para cumprir um acordo com Arthur Lira, mesmo com o distanciamento recente entre os dois. Caso avance, JHC deve enfrentar o ex-ministro dos Transportes Renan Filho, indo na contramão de um compromisso feito anteriormente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em troca da indicação de sua tia, Marluci Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD)
Eduardo Paes
Eduardo Paes renunciou ao cargo no último dia 20 de março. Com a saída, Eduardo Cavaliere assumiu a prefeitura.
Na disputa pelo governo estadual, Paes terá como principal adversário o deputado estadual Douglas Ruas, do PL, que contará com o apoio da família Bolsonaro como cabo eleitoral.
O ex-prefeito entra na corrida com o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva e lidera as pesquisas. Segundo levantamento do instituto Real Big Data, aparece com 46% das intenções de voto, contra 13% de Ruas. A tendência é que tenha como vice Jane Reis, do MDB.

João Campos (PSB) venceria as eleições de 2026 no primeiro turno
João Campos
João Campos deixou o cargo na quinta-feira, dia 2 de abril. O comando da prefeitura passou para Victor Marques.
Na disputa pelo governo de Pernambuco, Campos terá como principal adversária a atual governadora Raquel Lyra, do PSD.
Apesar de contar com o apoio oficial de Luiz Inácio Lula da Silva, o cenário envolve divisão no campo petista, já que Lyra tem se aproximado politicamente do presidente nos últimos anos.
Campos aparece na liderança das pesquisas e, segundo aliados, com possibilidade de vitória ainda no primeiro turno. Sua chapa deve ter como vice Carlos Costa, do Republicanos, irmão do ex-ministro Silvio Costa Filho.

David Almeida, ex-prefeito de Manaus
David Almeida
David Almeida renunciou ao cargo na última terça-feira, 31, e foi sucedido por Renato Jr..
Na corrida pelo governo do Amazonas, terá como principais adversários Maria do Carmo, do PL, e o senador Omar Aziz, do PSD.
De acordo com pesquisa do Instituto Veritá, Almeida aparece em terceiro lugar, com 13,7% das intenções de voto. Maria do Carmo soma 24,3%, enquanto Omar Aziz tem 20,1%. As negociações para definição do vice seguem em andamento.

Lorenzo Pazolini, ex-prefeito de Vitória
Lorenzo Pazolini deixou o cargo na quarta-feira, 1º, transferindo a prefeitura para Cris Samorini.
Ele deve enfrentar o vice-governador Ricardo Ferraço, do MDB, na disputa estadual.
Segundo levantamento da Quaest, Pazolini aparece em terceiro lugar, com 17% das intenções de voto. Ainda não há definição sobre o nome que comporá a vice em sua chapa.

Ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD)
Dr. Furlan
Dr. Furlan renunciou ao cargo no início de março, após ter sido afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes em licitações na área da saúde.
Na disputa pelo governo do Amapá, enfrentará o atual governador Clécio Luiz, do União Brasil.
Apesar do cenário jurídico, Furlan lidera com ampla vantagem. Segundo pesquisa Atlas/Intel, tem 65% das intenções de voto, com possibilidade de vitória em primeiro turno. Ainda não definiu o nome de seu vice.

Arthur Henrique, ex-prefeito de Boa Vista (RR)
Arthur Henrique
Arthur Henrique deixou o cargo na quinta-feira, 2, sem cerimônia, sendo substituído por Marcelo Zeitoune. Ele está cotado tanto à vaga ao governo do estado quanto à uma cadeira no Senado Federal.
Se candidato ao governo, ele terá como principal adversário Edilson Damião, do União Brasil, que assumiu o governo após a renúncia de Antonio Denarium, que deve disputar o Senado.
Arthur Henrique ainda não definiu o vice para a chapa e nem os suplentes caso concorra ao legislativo.

Eduardo Braide
Eduardo Braide
Eduardo Braide renunciou ao cargo na terça-feira, 31. A prefeitura passou a ser comandada por Esmênia Miranda.
Na disputa pelo governo do Maranhão, deve enfrentar Orleãns Brandão, do MDB, apoiado pelo governador Carlos Brandão.
Braide pode contar com apoio do PT, embora o partido ainda esteja dividido entre lançar candidatura própria ou compor aliança. Orleãns chegou a ser cogitado pelos petistas, mas impasses envolvendo o vice Felipe Camarão e Carlos Brandão esfriaram a possibilidade.
Segundo pesquisa Quaest, Braide lidera com 35% das intenções de voto, seguido por Orleãns, com 24%. O nome do vice ainda não foi definido.