Selic turbina renda fixa: CDI acumula ganho de mais de 40% no governo Lula
Em 2025, com a Selic mantida em 15% ao ano, o CDI voltou a ser a principal referência do investidor brasileiro e reforçou o protagonismo da renda fixa, que acumulou ganhos próximos de 42% entre 2023 e 2025. Títulos como Tesouro Direto, CDBs, LCAs/LCIs e debêntures ganharam forte atratividade, com recorde de recursos aplicados e destaque para papéis prefixados e indexados à inflação, que entregaram retornos acima de 20%. Em paralelo, a busca por proteção impulsionou ouro e prata, que bateram recordes históricos, com altas de cerca de 70% e mais de 100% no ano, respectivamente.
Com a taxa básica de juros ocupando o centro do palco e estacionada em 15% ao ano, o Certificado de Depósito Interbancário, o CDI, que acompanha a Selic bem de perto, voltou a assumir o papel de régua principal do investidor brasileiro. Até 12 de dezembro de 2025, a mediana do CDI no período do atual governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva ficou em 13,25% – mais que o dobro do observado durante o período do governo anterior, de Jair Bolsonaro, quando ficou em 5,5%. Houve outros retornos, acima dessa régua, como os títulos do governo que capturam a inflação e os juros, por exemplo.
O ponto é que o ambiente econômico de 2025 manteve a renda fixa no pedestal. É o tipo de investimento preferido pela maior parte dos brasileiros porque há menos risco embutido em comparação aos ativos de renda variável – como as ações de companhias listadas na bolsa de valores.
A média do CDI tem subido ano a ano. Em 2023, acumulou alta de 13,04%, enquanto em 2024 avançou mais 10,88%. Somente em 2025, até dezembro, somava valorização de 13,95%. No agregado dos três anos, o ganho fica próximo a 42%. Os dados são do economista Einar Rivero, CEO da consultoria Elos Ayta.
Com esse pano de fundo, títulos de renda fixa como o Tesouro Direto (títulos do governo federal), Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito do Agro e Imobiliárias (CDA e CDI), além de debêntures (neste caso as incentivadas, que não cobram imposto, mas há mais risco porque são títulos de dívida de empresas) ficaram mais atraentes em 2025.
O Tesouro Direto bateu recorde de atratividade de recursos neste ano. É o tipo de título que o investidor compra para emprestar dinheiro para o governo federal. Em outubro, que evidencia dados de setembro (os mais recentes) de acordo com o governo federal, o programa Tesouro Direto reunia montante aplicado de R$ 196 bilhões em diferentes títulos, com alta de 36% em comparação há um ano antes.
Embora a maior procura no mês isolado de setembro tenha sido pelo Tesouro Selic, atrelado à taxa básica de juros do país, a maior parte do total no acumulado do ano (ou R$ 99 bilhões) está aplicada em títulos atrelados a índices de preços. Os que remuneram conforme a taxa Selic e os títulos prefixados vêm a seguir no ranking do período que observa o desempenho entre janeiro e setembro.
A base de investidores cresceu 20% em doze meses até setembro, totalizando pouco mais de três milhões de pessoas. Se observados todos os títulos públicos federais, somando os prefixados, pós-fixados e indexados à inflação, o retorno até 22 de dezembro alcançou 14,25%, indica o IMA Geral, índice elaborado pela Anbima, associação que reúne agentes do mercado de capitais brasileiro. A informação foi entregue pela Elos Ayta.
No detalhe de cada título, os destaques do ano foram as Letras do Tesouro Nacional (LTN), ou o Tesouro prefixado, e a NTN-F (Nota do Tesouro Nacional série F). Os dois títulos prefixados, negociados via programa Tesouro Direto, marcados a mercado (ou seja, com ajuste diário) e vencimento em cinco anos, entregaram retorno de 23,95% até 22 de dezembro. O segundo maior retorno é o das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) indexados à inflação oficial, o IPCA, somando juros. Neste caso, o retorno do título com prazo de trinta anos acumulou 23,39%.
Recordes para ouro e prata
Embora os metais preciosos sejam classificados como investimentos de renda variável, são vistos como porto seguro. Por essa razão, em meio às turbulências geopolíticas mundo afora, a procura cresceu a ponto de alguns analistas observarem nesta reta final de 2025 que pode até faltar metal para atender a procura dos investidores. Os metais bateram sucessivos recordes ao longo deste ano.
O interesse por ouro cresceu a ponto de despertar uma diversidade de investidores para além dos bancos centrais de países, que costumam comprar o metal com interesse em diversificação de ativos para reduzir a dependência do dólar.
A onça-troy, medida de negociação dos metais que equivale à compra de 31,1 gramas, do ouro ganhou perto de 70% ao longo do ano, e era cotada a US$ 4,4 mil em contratos com vencimento em fevereiro de 2026 na bolsa de valores de Nova York (NYSE).
Já a prata valorizou mais de 100% e chegou a US$ 69/onça em contratos com vencimento em março do ano que vem na NYSE. Na bolsa brasileira há alternativas, a exemplo dos fundos de índice (ETFs) que replicam o desempenho do ouro e são negociados como ações. Há pelo menos cinco alternativas.