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Secretário do Trabalho é demitido após por incluir BYD em ‘lista suja’ do trabalho escravo; entenda
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Política

Secretário do Trabalho é demitido após por incluir BYD em ‘lista suja’ do trabalho escravo; entenda

Redação com web

O governo do Luiz Inácio Lula da Silva demitiu o secretário de Inspeção do Trabalho após ele incluir a BYD na “lista suja” do trabalho escravo, contrariando orientação do ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A decisão gerou críticas de auditores-fiscais, que apontaram possível interferência política. O caso envolve denúncias de condições análogas à escravidão em obra da empresa no Brasil, e a inclusão na lista acabou sendo suspensa por decisão judicial provisória.

O secretário de Inspeção do Trabalho do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi demitido após adicionar a montadora chinesa BYD ao cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições descritas como análogas à escravidão, a chamada “lista suja” do trabalho escravo, disseram à Reuters pessoas próximas ao assunto.

Em nota à Reuters, o Ministério do Trabalho disse que a exoneração de Luiz Felipe Brandão de Mello “se trata de ato administrativo de gestão, de prerrogativa de ministro de Estado”. Mello e a BYD não responderam aos pedidos de comentários.

Brandão de Mello desobedeceu a uma ordem do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para não incluir a montadora de veículos elétricos na chamada “lista suja” de abusos trabalhistas do Brasil, disseram à agência Reuters duas fontes, que pediram anonimato para discutir o assunto.

A demissão do secretário foi oficializada no Diário Oficial desta segunda-feira, 13, e é o mais recente ponto de atrito entre o governo Lula e os auditores-fiscais do trabalho, servidores tradicionalmente independentes que investigam abusos trabalhistas graves. Marinho já foi acusado de interferir no trabalho dos auditores para manter as grandes empresas fora da lista.

Luiz Felipe Brandão de Mello foi dispensado do cargo de secretário de Inspeção do Trabalho

Luiz Felipe Brandão de Mello foi dispensado do cargo de secretário de Inspeção do Trabalho. Foto: Divulgação (Crédito:Divulgação)

Auditores falam em ‘interferência política’

A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Anafitra) criticou a exoneração, acrescentando que ela enfraquece a luta do Brasil contra os abusos trabalhistas e prejudica o impacto da lista, considerada uma ferramenta poderosa em tais casos.

A exoneração do secretário “indica uma escalada de interferência política na inspeção do trabalho”, disse a Anafitra em um comunicado.

O caso da BYD diz respeito a uma inspeção de 2024 em que foram identificados 163 trabalhadores chineses empregados por uma empreiteira construindo a principal fábrica da montadora no Brasil sob condições que as autoridades brasileiras descreveram como “análogas à escravidão”.

O escândalo prejudicou a reputação da BYD e atrasou a construção da fábrica por meses no Brasil, o maior mercado da empresa depois da China.

A BYD não respondeu a pedidos de comentários desde a inclusão da empresa na “lista suja” do trabalho escravo. A empresa já havia dito anteriormente que não tinha conhecimento de quaisquer violações até relatos da mídia brasileira no final de 2024.

Entenda o que é a ‘lista suja’ do trabalho escravo

De acordo com as regras do governo, a lista de abusos trabalhistas deve ser atualizada a cada seis meses, sendo que o último prazo ocorreu em 6 de abril.

Marinho disse a Mello para adiar a inclusão do nome da BYD, sem citar qualquer justificativa técnica, disseram as fontes.

Dois dias depois, um tribunal concedeu à BYD uma liminar removendo-a da lista. Uma decisão final está pendente.

A BYD tem demonstrado fortes laços com o governo do Brasil, com Lula participando da inauguração de sua fábrica em outubro, apesar do caso de abuso trabalhista em andamento na época.

Além dos danos à reputação, as empresas incluídas na lista são impedidas de obter certos tipos de créditos de bancos brasileiros.

No ano passado, Marinho fez revisões finais incomuns das investigações dos auditores para impedir a inclusão de algumas empresas, incluindo uma divisão da JBS.

Mello havia expressado oposição a essas decisões de Marinho, disse uma fonte, acrescentando que a recusa em obedecer às ordens no caso da BYD foi vista como a gota d’água.

Redação com web

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