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Rico, pobre ou classe média? Quanto é preciso ter de renda para ser considerado classe A, B, C ou D no Brasil
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Brasil/Mundo

Rico, pobre ou classe média? Quanto é preciso ter de renda para ser considerado classe A, B, C ou D no Brasil

Redação com web

Estudo da FGV Social redefine os limites das classes econômicas no Brasil com base na renda domiciliar per capita, convertida em renda total e corrigida pela inflação, mostrando que em 2024 a maioria dos brasileiros (cerca de 61%) estava na classe C. Segundo os dados, as classes A e B somadas representam pouco mais de 17% da população, enquanto D e E caíram para cerca de 22%, o menor nível da série histórica. O levantamento indica avanço acelerado da chamada classe média ampliada (ABC), que já reúne mais de 78% dos brasileiros, impulsionada pelo crescimento da renda do trabalho, embora ressalte que renda não esgota o conceito de classe social.

Saber em qual classe econômica uma pessoa se encaixa é uma dúvida comum no Brasil. As metodologias para cálculo de em qual das ‘caixinhas’ cada fatia da população se enquadra divergem, dado que cada parte da academia defende recortes diferentes.

Conforme mostrado pela IstoÉ Dinheiro no ano anterior, alguns pesquisadores optam por dividir a população brasileira em três grupos e analisar a renda média de cada, enquanto outros defendem divisão por faixas de renda.

A metodologia de análise ganha relevância à medida que norteia debates sobre consumo, políticas públicas, mercado de trabalho e também conversas do dia a dia. Nesta semana, a FGV Social trouxe uma nova ótica para o tema, com novos dados, no trabalho ‘Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024’, do economista Marcelo Neri.

O estudo analisa a evolução das classes econômicas brasileiras entre 1976 e 2024 e usa como base a renda domiciliar per capita, convertida em renda domiciliar total. O foco é entender como a população se distribui entre as classes E, D, C, B e A ao longo do tempo.

Como a FGV Social define as classes econômicas

A metodologia parte da renda domiciliar per capita, ou seja, a soma dos rendimentos do domicílio dividida pelo número de moradores. Esse valor é usado para evitar distorções causadas pelo tamanho das famílias, que diminuiu de forma consistente nas últimas décadas.

Para facilitar o entendimento do público, a FGV converte esse dado em renda domiciliar total, usando o tamanho médio dos domicílios brasileiros. Os valores são corrigidos pelo IPCA e estão expressos em reais a preços médios de 2023.

Esse critério permite comparar pessoas e famílias ao longo do tempo e observar movimentos de mobilidade econômica, como entrada e saída da chamada classe média.

Quanto é preciso ganhar para estar em cada classe

De acordo com o estudo da FGV Social, os limites de renda que definem cada classe econômica no Brasil são os seguintes:

  • Classe E: renda domiciliar total de até R$ 1.580
  • Classe D: renda domiciliar total entre R$ 1.580 e R$ 2.525
  • Classe C: renda domiciliar total entre R$ 2.525 e R$ 10.885
  • Classe B: renda domiciliar total entre R$ 10.885 e R$ 14.191
  • Classe A: renda domiciliar total acima de R$ 14.191

Vale destacar que estes valores servem como referência estatística. Eles não consideram patrimônio acumulado, como imóveis ou aplicações financeiras, nem o custo de vida específico de cada cidade.

Onde está a maior parte da população

Em 2024, a maior parcela dos brasileiros estava concentrada na classe C. Segundo a FGV Social, cerca de 60,9% da população se encontrava nesse grupo. Já as classes A e B, somadas, representavam pouco mais de 17% dos brasileiros.

Na outra ponta, D e E atingiram, juntas, cerca de 21,8% da população, o menor patamar da série histórica iniciada em 1976. O dado indica uma mudança relevante na distribuição de renda ao longo do tempo.

O avanço da classe média ampliada

O estudo também trabalha com o conceito de classes ABC, que reúne as classes A, B e C. Em 2024, esse grupo passou a representar 78,1% da população brasileira. Entre 2022 e 2024, cerca de 17,4 milhões de pessoas migraram para esse segmento.

“A participação das classes A, B, C e da combinação ABC na população total observada atingem em 2024 17,21%, 60,97% е 78,18%, respectivamente, que correspondem aos níveis mais altos de cada uma dessa séries históricas”, diz Neri, da FGV, no estudo.

Esse movimento foi observado a partir dos dados da PNAD Contínua e reflete a evolução da renda do trabalho no período. A FGV destaca que a expansão recente ocorreu em ritmo mais acelerado do que em ciclos anteriores, como o observado entre 2003 e 2014.

Por que renda domiciliar per capita importa

Usar apenas a renda total do domicílio pode levar a erros de interpretação. Famílias menores tendem a apresentar renda total mais baixa, mesmo quando os moradores têm renda individual maior.

Entre 1992 e 2024, o número médio de pessoas por domicílio caiu de forma consistente no Brasil. Ignorar essa mudança poderia subestimar ganhos de bem-estar e distorcer comparações ao longo do tempo. Por isso, a renda per capita é o ponto de partida da metodologia.

Diferenças regionais e sociais

Os dados mostram que a distribuição das classes econômicas varia conforme a região do país, o tamanho do município e o perfil do responsável pelo domicílio. Regiões Sul e Sudeste concentram maior proporção de pessoas nas classes A, B e C, enquanto Norte e Nordeste apresentam maior presença nas classes D e E.

Fatores como escolaridade, posição no mercado de trabalho e acesso a rendimentos previdenciários também influenciam diretamente a classificação econômica. Domicílios chefiados por pessoas com ensino superior completo tendem a se concentrar nas classes mais altas.

Mobilidade econômica recente

Outro ponto analisado pela FGV Social é a mobilidade econômica. Entre 2023 e 2024, quase metade das pessoas que já tinham renda do trabalho registrou aumento real nos ganhos. Ao mesmo tempo, caiu a proporção de pessoas que perderam renda ou deixaram de ter rendimentos.

Esses movimentos ajudam a explicar o crescimento da participação das classes ABC no período mais recente e mostram como mudanças no mercado de trabalho impactam a estrutura de classes.

Renda e faixas sociais

Apesar de a renda ser um critério objetivo e mensurável, ela não esgota o debate sobre classe social. O próprio estudo ressalta que fatores como educação, acesso a serviços públicos, patrimônio e expectativas em relação ao futuro também moldam a posição econômica das famílias.

Ainda assim, a renda continua sendo a base mais usada para análises econômicas e comparações internacionais, especialmente quando o objetivo é acompanhar tendências ao longo do tempo.

Redação com web

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