Quem é o herdeiro da antiga monarquia do Irã que deseja comandar transição de poder
Após a revolução dos aiatolás, Reza Pahlavi, de 65 anos e filho primogênito do último monarca do Irã, declarou apoio aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel na região, colocando-se à disposição para liderar uma transição de poder.
Assim que os bombardeios se iniciaram no último sábado, dia 28, Pahlavi gravou uma mensagem em persa direcionada ao povo iraniano: “A ajuda que o presidente dos Estados Unidos prometeu ao bravo povo iraniano acaba de chegar. Espero estar ao seu lado o mais breve possível para que, juntos, possamos retomar o Irã e reconstruí-lo”, afirmou.
Autointitulado príncipe, Reza reside nos EUA desde 1979, quando partiu para o exílio após a deposição de seu pai.
Sob o comando do Xá (termo persa para “Rei dos Reis”), o Irã projetava a imagem de um país moderno, onde mulheres usavam minissaias — uma realidade oposta à atual polícia de costumes, conhecida por perseguir mulheres que recusam o uso do véu. No entanto, essa imagem liberal convivia com o autoritarismo de uma monarquia absoluta, marcada por prisões políticas e tortura.
Historicamente, a importância do Irã está em sua posição geográfica estratégica entre a Rússia e o antigo Império Britânico, o que levou à ocupação do país por ambas as potências, interessadas especialmente nas reservas de petróleo. Foi nesse contexto de tensões que a dinastia Pahlavi, iniciada pelo avô de Reza há um século, deu um golpe e consolidou seu poder até ser derrubada em 1979 por uma coalizão entre esquerdistas, democratas e religiosos.
Embora a Revolução tenha começado com o poder fragmentado, em 1982 o aiatolá Khomeini consolidou-se como Líder Supremo. Após sua morte em 1989, assumiu Ali Khamenei, que governou por décadas sob uma política de ferrenha oposição à hegemonia estadunidense e israelense. Com a notícia da morte de Khamenei durante os ataques de sábado, o cenário político da região entra em uma fase de incerteza.