Assine a newsletter
Problema da dívida tem a ver com juro real, não com déficit, diz Haddad
Divulgação
Política

Problema da dívida tem a ver com juro real, não com déficit, diz Haddad

Redação com web

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o aumento da dívida pública decorre principalmente dos juros reais elevados, e não do excesso de gastos, destacando a forte redução do déficit primário e a meta de superávit de R$ 34,2 bilhões para 2026. Apesar de críticas à Selic em 15%, ele defendeu o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, dizendo que herdou problemas da gestão anterior, e mencionou discussões no governo para ampliar as atribuições do BC, inclusive assumindo funções hoje da CVM na fiscalização de instituições financeiras.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a gestão fiscal do governo federal e afirmou que o problema da dívida pública neste momento decorre dos juros reais da economia, e não do excesso de gastos públicos. A declaração ocorre na semana seguinte à sanção do Orçamento de 2026, aprovado, com meta de superávit de R$ 34,2 bilhões.

“Nós reduzimos em dois anos em 80% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo. Inclusive a meta para esse ano é uma meta de resultado primário ainda mais exigente do que foi o ano passado, do que foi o ano retrasado e do que foi o primeiro ano de governo”, disse Haddad durante entrevista ao Uol nesta segunda-feira, 19.

A declaração ecoa críticas a política monetária feitas em outros momentos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até pelo próprio Fernando Haddad. A taxa básica de juros, a Selic, chegou a 15% ao ano em maio do ano passado e se mantém nesta porcentagem desde então. É o maior patamar registrado desde 2006.

Haddad defende Galípolo

Apesar das críticas ao patamar de juros, o ministro buscou isentar de responsabilidade o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “É uma pessoa em quem eu confio”, disse, acrescentando que Galípolo teria herdado “um problema que só vai ser conhecido depois”.

“É a primeira vez que a gente tem que conviver por dois anos com um presidente nomeado pelo governo anterior, que queria sabotar esse governo. Trabalhou para sabotar o tempo inteiro o governo”, disse Haddad. Durante os dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula, o BC era comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro ao cargo.

Em sua fala, o ministro afirmou ainda que a crise do Banco Master seria um problema herdado de uma gestão problemática anterior.

Reformulação das atribuições do BC

Ainda sobre o caso do Banco Master, Haddad afirmou que há discussões dentro do governo para que o BC fique responsável assuma atribuições que atualmente estão com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). na fiscalização de instituições financeiras.

“Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente. O Banco Central tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos”, disse Haddad. “A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública”, seguiu.

O ministro frisou que se trata de sua opinião, porém afirmou que há conversas sobre o tema travadas dentro do governo, com a participação de Gabriel Galípolo e de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União e indicado pelo presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Redação com web

Comentários

0 comentário(s)

Já tenho cadastro

Entre com seus dados para comentar.

Esqueci minha senha

Quero me cadastrar

Crie sua conta de leitor para participar das discussões.

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Notícias relacionadas