Premiê Sanae Takaichi obtém ampla vitória no Japão
O Partido Liberal Democrático (PLD), liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, obteve uma vitória histórica nas eleições antecipadas no Japão ao conquistar 316 dos 465 assentos da câmara baixa, garantindo maioria de dois terços e ampla margem para governar. Com o apoio do Partido da Inovação do Japão, a coalizão chegou a 352 cadeiras, enquanto a oposição sofreu forte derrota e a ultradireita do Sanseito avançou. O resultado fortalece Takaichi, que tratou o pleito como um referendo sobre seu governo e saiu com carta branca para implementar sua agenda conservadora.
O Partido Liberal Democrático (PLD), da primeira-ministra Sanae Takaichi, obteve uma vitória esmagadora nas eleições gerais antecipadas deste domingo (08/02) no Japão e conquistou 316 dos 465 assentos da câmara baixa do Parlamento, segundo resultados divulgados pela emissora pública NHK.
Com grande popularidade entre os eleitores, a conservadora Takaichi, que substituiu Shigeru Ishiba no cargo no fim de outubro, havia convocado eleições antecipadas para tentar ampliar sua atual maioria, extremamente estreita, obtida com um novo aliado, o Partido da Inovação do Japão (Nippon Ishin). Ou até mesmo recuperar a maioria absoluta perdida pelo PLD, do qual é a líder, nas eleições gerais de 2024.
Pesquisas de boca de urna já indicavam que o PLD conquistaria entre 274 e 328 cadeiras na câmara baixa, a mais importante das duas que compõem o Parlamento.
O PLD tem governado o Japão por décadas quase ininterruptamente. Esta é a primeira vez que um partido obtém a maioria de dois terços na câmara baixa desde 1947, quando o atual parlamento foi criado.
Carta branca à premiê
Na prática, os votos obtidos pelo PLD dão carta branca à política conservadora para levar adiante suas políticas sem depender de negociações no Parlamento, mesmo que essas políticas sejam rejeitadas pela câmara alta, onde a coalizão de governo, entre o PLD e o Partido da Inovação do Japão (Ishin), está em minoria.
Com os 36 assentos obtidos pelo Ishin, a coalizão obteve 352 assentos no total, de acordo com os números divulgados pela estação pública.
O grande perdedor do pleito é a nova Aliança Reformista Centrista, união do Partido Democrático Constitucional (PDC) e do budista Komeito (ex-parceiro de coalizão do PLD, mas que abandonou a aliança após a eleição de Takaichi como líder). Juntos, conseguiriam apenas 49 assentos nessas eleições, muito menos do que as 172 que detinham.
Crescimento da ultradireita
O populista Sanseito, marcadamente anti-imigração, obteve, segundo a NHK, 15 cadeiras, em comparação com as duas que possuía na câmara baixa antes de sua dissolução. Sohei Kamiya, líder da legenda, afirmou à emissora japonesa “ter recebido um grande impulso”, embora “não tenhamos conseguido ampliar a votação como esperávamos” devido à força do PLD.
O dia de votação foi marcado por fortes nevascas, que obrigaram alguns colégios eleitorais a adiar a abertura ou fechar antes do horário previsto, embora o voto antecipado tenha superado o de outros pleitos.
Takaichi, cujo governo goza de altos índices de popularidade desde que chegou ao poder em outubro do ano passado (após assumir o comando do PLD em prévias partidárias), apresentou as eleições como um referendo sobre seu mandato, chegando a dizer que renunciaria se sua coalizão com o Ishin não alcançasse a maioria absoluta de 233 cadeiras.