Por que o 8 de março? A história por trás do Dia Internacional da Mulher
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, surgiu das lutas de trabalhadoras no fim do século XIX e início do XX por melhores condições de trabalho, salários justos e direito ao voto. Movimentos operários, como a marcha de mulheres em Nova York em 1908 e a proposta da ativista Clara Zetkin em 1910, ajudaram a consolidar a data, reforçada após protestos na Rússia em 1917 que impulsionaram a Revolução Russa. Oficializado pela Organização das Nações Unidas em 1975, o dia hoje simboliza a luta global por igualdade de direitos, contra a violência de gênero e por justiça social.
Todo ano, quando o calendário chega ao 8 de março, somos inundados por flores, mensagens prontas e homenagens publicitárias, mas a verdade é que o Dia Internacional da Mulher não nasceu em uma vitrine decorada. Sua origem está no chão de fábrica, nas greves operárias lideradas por mulheres que, entre o fim do século XIX e o início do XX, decidiram que não aceitariam mais jornadas exaustivas, salários miseráveis e a abstenção na vida pública.
Naquela época de industrialização acelerada, mulheres, muitas delas jovens imigrantes, enfrentavam condições desumanas na Europa e nos Estados Unidos. As fábricas operavam com portas trancadas e pausas controladas, tratando as trabalhadoras quase como engrenagens. E a resposta a esse sufocamento veio das ruas.
Em 1908, 15 mil mulheres marcharam por Nova York exigindo direitos básicos, como a redução de jornada, salários dignos e o direito ao voto. Esse movimento foi o empurrão para que, no ano seguinte, o Partido Socialista da América instituísse um Dia Nacional das Mulheres. A luta também começou a ganhar mais espaço internacionalmente com a criação da Liga Sindical Feminina, em 1903.
A consolidação da data
Porém, a ideia de uma celebração mundial veio em 1910, durante o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague. A alemã Clara Zetkin, membro do Partido Comunista Alemão e militante operária das causas das trabalhadoras mulheres, propôs que houvesse um dia anual dedicado à mobilizações em defesa a pautas femininas com o objetivo de unificação da luta pelo voto e por mais autonomia, sem uma data fixa.
Em 1891, ela criou a revista Igualdade, voltada às trabalhadoras, que circulou por 16 anos, e em 1920 chegou a ser deputada na Alemanha, defendendo a participação das mulheres na política e no trabalho.
Decorrente de sua luta, o ano de 1911 marcou as primeiras celebrações oficiais, mas também uma tragédia que se tornou símbolo da comemoração: o incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York. No episódio, 146 pessoas morreram, a maioria mulheres imigrantes presas atrás de portas trancadas, o que deu mais força à pressão por mudanças.
No entanto, o 8 de março se consolidou de vez em 1917, na Rússia. No dia 23 de fevereiro (pelo calendário juliano, que corresponde ao 8 de março no nosso calendário atual), cerca de 90 mil operárias saíram às ruas no protesto “Pão e Paz”. Elas pediam comida, o fim da guerra e dignidade. Esse movimento foi um dos estopins da Revolução Russa e levou à queda do czar Nicolau II.
Desde então, a data tornou-se o símbolo definitivo da mobilização e a oficialização pela ONU só viria décadas depois, em 1975, o que ampliou o alcance político da data para todos os países.
O que celebramos hoje?
Ao longo dos anos, o significado do dia transbordou as fábricas e, hoje, o 8 de março também abrange temas como o combate à violência de gênero, a busca por igualdade salarial e o fim das desigualdades estruturais no mercado de trabalho.
Em 2018, por exemplo, o movimento #8M fez com que meio milhão de mulheres ocupassem as ruas da Espanha contra o feminicídio e o racismo, provando que a data continua sendo uma ferramenta de pressão social.