População com mais de 70 anos é 'ponteiro que pode mudar uma eleição', diz especialista
Pesquisa
Uma pesquisa da data8, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indica uma alta abstenção da população acima dos 70 anos nas eleições brasileiras, com destaque para as mulheres. Apesar desse contingente populacional não ser obrigado a votar, a recusa chama a atenção.
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Em entrevista ao Estúdio CBN nesta terça-feira (28), Cléa Klouri, cofundadora da data8, conta que o movimento da longevidade é estudado há 10 anos. O questionamento quanto à participação da população vem a partir do aumento da expectativa de vida: se atualmente uma pessoa de 70 anos ainda pode viver pelo menos mais duas décadas, por que há um desinteresse na atuação política?
Ao detectar o problema, Cléa explica que a atuação da empresa seguiu a partir de algumas etapas:
“A primeira é a regularização do título, porque além do desestímulo dessa geração com mais de 70 anos, há também uma barreira física. Muitas vezes eles dizem que o colégio eleitoral é longe de casa, que não é acessível ou que não conseguem ir sozinhos. Então, trabalhamos na regularização do título e em trazê-lo para mais perto de suas casas. A segunda parte, que acontece um pouco mais para frente, é a valorização. É chamando essa geração, é chamando esses 15 milhões de eleitores, para que eles realmente participem da vida pública do país, mostrando a importância de seu voto. Eles são um ponteiro que pode mudar o resultado da eleição”, diz.
A cofundadora ainda explica que não há um olhar dos representantes políticos para essa parcela da população. Em geral, os gestores ou candidatos tendem a olhar para outras faixas, em especial crianças e adolescentes.
“Quando há (políticas), vemos um cuidado para o idoso mais fragilizado, é mais estereotipado. Essa longevidade não está representada. (...) Não só os que têm mais de 70 anos, mas quando falamos dos que têm 50 e 60 anos, eles são muito mais ativos e participativos. Eles querem isso e provocam para que tenham iniciativas e políticas voltadas para eles. Mas até hoje não existiu isso muito claramente”, explica.
Menor participação feminina
Apesar de todo o contingente da população com mais de 70 anos não ser tão ativo na participação pública, a pesquisa da data8 verificou que a participação tende a ser ainda menor do público feminino.
A hipótese é que isso ocorra por conta da baixa representatividade para tal população.
“As mulheres sofrem mais com o etarismo do que os homens e se sentem menos representadas. Então, imaginamos que, com a não obrigatoriedade do voto, elas passem a dizer: ‘bom, já sofro muito com o impacto desse envelhecimento, talvez a minha participação não tenha mais importância’. Enquanto isso, o homem é o contrário, até por uma característica da geração baby boomer. Ele é mais atuante e continua participando mais da vida cívica e se comprometendo”, completa.