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Polícia prende tenente-coronel indiciado pela morte da soldado Gisele
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Polícia prende tenente-coronel indiciado pela morte da soldado Gisele

Redação com web

A Polícia Civil de São Paulo prendeu o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro de 2026. Inicialmente tratada como suicídio, a investigação mudou após laudos periciais apontarem inconsistências, como lesões e vestígios no local, além de depoimentos que indicam um relacionamento conturbado. O caso agora é tratado como homicídio, embora o acusado negue o crime.

A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira, 18, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, indiciado por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana, que foi encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro de 2026.

Por volta das 8h12, um comboio com agentes da Polícia Civil e agentes da corregedoria da PM chegou ao apartamento do tenente-coronel, localizado na rua Roma, no Jardim Paulista, região central de São José dos Campos, no interior de São Paulo, para realizar a prisão.

No dia 17 de março, foi solicitada à Justiça a detenção do tenente-coronel, com aval do MPSP (Ministério Público de São Paulo). O pedido foi acolhido pela Justiça Militar na manhã desta quarta.

A decisão das autoridades teve como base dois laudos da Polícia Técnico-Científica que apontaram indícios de:

 

  • Trajetória da bala que atingiu a cabeça;
  • Profundidade dos ferimentos encontrados.

Então o delegado responsável pelo caso concluiu que Gisele não cometeu suicídio. Os documentos confirmaram que Gisele não estava grávida e também não foi dopada, mas que havia mais manchas de sangue da soldado espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela foi encontrada morta.

Indiciamento

A Polícia Civil de São Paulo indiciou por feminicídio e fraude processual o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. Laudos necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) no corpo de Gisele apontaram lesões contundentes na face e na região cervical. Tais lesões são resultado de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal, ou seja, causado por unha.

 

Em depoimento, uma testemunha vizinha disse que ouviu um disparo às 7h28 daquele dia. O tenente-coronel acionou a polícia às 7h57. O advogado chama atenção para o intervalo de quase meia hora para que Geraldo pedisse socorro.

Silva Junior mencionou ainda a foto da vítima com a arma na mão tirada pelos socorristas. Ele explicou que, na imagem, a vítima está com a arma na mão, o que seria incomum em casos de suicídio.

Além disso, o advogado ressaltou que três mulheres policiais foram ao apartamento do casal para fazer uma limpeza horas após a ocorrência, o que já foi confirmado em depoimentos.

‘Precisam achar um culpado’

Durante entrevista concedida ao programa “Domingo Espetacular”, da TV Record, o tenente negou ter matado a companheira com tiro na cabeça e acusou a família dela de criar uma narrativa na tentativa de “achar um culpado”.

Neto afirmou que, apesar de “perfeito” e “maravilhoso”, o relacionamento dele com Gisele tinha momentos de discussões. O militar também revelou que ambos não dormiam no mesmo quarto desde julho de 2025 e viviam como estranhos há cerca de sete meses antes do ocorrido.

“Eu falei para ela que a gente precisava terminar o relacionamento. Eu agendei o divórcio por três vezes (setembro, outubro e novembro). Por três vezes ela não foi. Ela não queria se separar”, afirmou.

Segundo o tenente-coronel, Gisele foi encontrada morta minutos depois de ele pedir a separação novamente. “Eu entrei no quarto, dei bom dia e falei ‘olha, amor, eu acho que é melhor a gente se separar mesmo’. Ela se levantou da cama e me empurrou para fora do quarto com muita força. Eu saí e entrei no banho”, relembrou.

“Aí, quando eu estava no banho, ouvi um barulho. Abri o box, abri a porta e a vi caída no chão. Nem desliguei o chuveiro, vesti a bermuda e peguei o meu celular. Deixei a porta do apartamento aberta para que tivesse transparência e todos vissem o que estava acontecendo”, disse.

Relembre o caso

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento com um tiro na cabeça. O ex-marido da soldado prestou depoimento à Polícia Civil. Ele era casado com a agente antes dela se relacionar e se casar com o tenente-coronel.

De acordo com Miguel Silva, advogado que representa a família de Gisele, o ex-companheiro da soldado contou aos investigadores que ela não tinha ideações suicidas, uma das hipóteses para as circunstâncias da morte. Pai biológico da filha de 7 anos de Gisele, o ex-marido também disse que a criança, que vivia com a mãe e o padrasto, já indicava que o casal de policiais vivia uma relação turbulenta e marcada por brigas.

“Eu acompanhei o depoimento”, disse Miguel Silva. “Ele (ex-marido) confirmou que a filha tinha medo de voltar para a casa da mãe (Gisele), e que contava para o pai que a Gisele reclamava muito da relação com o coronel”, contou. O ex-marido passava alguns dias junto da criança. Ele teve a identidade preservada por motivos de segurança.

“Inclusive, foi uma surpresa até para mim a informação de que ele comentou que a menina estava feliz porque a Gisele já tinha decidido que elas iriam morar com os pais dela, os avós da criança. Ou seja, a separação era iminente”, acrescentou Silva.

Segundo o tenente-coronel Geraldo Neto, a esposa teria tirado a própria vida dentro de casa no dia 18 de fevereiro, em um apartamento localizado no Brás, região central de São Paulo, momentos depois de uma discussão na qual ele teria proposto a separação do casal.

Na versão do tenente-coronel, ele estava no banho no início da manhã daquele dia quando ouviu o barulho de um disparo e, em seguida, encontrou Gisele já baleada no chão.

A morte chegou a ser registrada como suicídio, mas a classificação mudou após a família de Gisele afirmar que ela sofria abusos e violência por parte de Geraldo Neto. O caso passou, então, a ser tratado como morte suspeita.

Para o advogado Miguel Silva, o depoimento do ex-marido também refuta a hipótese de suicídio. “Ele, inclusive, disse à polícia que a Gisele era uma ótima mãe e que amava a filha. Não teria motivos para ela tirar a própria vida.”

Com o passar das investigações, a Polícia Civil de São Paulo viu aumento nos indícios de feminicídio na morte da soldado.

Redação com web

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