Polícia Federal aponta R$ 146 milhões em propinas em caso de ex-presidente do BRB
A Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por suspeita de negociar cerca de R$ 146 milhões em propina para favorecer o Banco Master em operações financeiras e tentativa de aquisição. Segundo a investigação da Operação Compliance Zero, ele teria recebido imóveis de alto padrão como vantagem indevida e usado estratégias para ocultar o patrimônio, com possível participação do empresário Daniel Vorcaro e do advogado Daniel Monteiro. Os crimes apurados incluem corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por suspeita de negociar o recebimento de propina de R$ 146 milhões. A investigação apura um esquema criminoso para beneficiar o Banco Master em operações financeiras fraudulentas e, inclusive, visava à aquisição da instituição pelo banco estatal de Brasília. A prisão de Costa, realizada nesta manhã, baseia-se em decisão judicial e informações de fontes da PF com conhecimento do caso.
O que aconteceu
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal, alvo da Operação Compliance Zero.
Costa é suspeito de negociar R$ 146 milhões em propina para favorecer o Banco Master em operações financeiras e sua eventual aquisição pelo BRB.
A investigação indica que o ex-presidente recebeu seis imóveis de alto padrão e tentou ocultar o patrimônio por meio de uma holding familiar.
Conforme a decisão que autorizou a operação, Paulo Henrique Costa foi considerado “peça essencial para viabilizar a aquisição de carteiras fraudulentas”. Em contrapartida, ele teria recebido “vantagem indevida consistente em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146.582.649,50, dos quais R$ 74.604.932,47 já teriam sido efetivamente pagos”.
Acusações contra o ex-presidente do BRB
Mesmo ciente das dificuldades financeiras do Banco Master desde o final de 2024, Costa empenhou-se diretamente para favorecer a instituição, utilizando a estrutura do BRB. Ao mesmo tempo, o então presidente do banco estatal do Distrito Federal negociava diretamente com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, um pacote de recebimento de imóveis de luxo.
A decisão judicial aponta que Costa teria chegado a sugerir a criação de uma holding familiar para tentar dissimular a vantagem indevida. “Há, ainda, elemento específico segundo o qual o próprio Paulo Henrique solicitou que se deixasse em branco o campo de adquirente de imóvel, sob a justificativa de que estaria compondo uma holding familiar, dado que, em tese, converge com a estratégia de ocultação patrimonial”, descreve o documento.
Operação Compliance Zero
A prisão de Paulo Henrique Costa faz parte da quarta fase da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro do ano passado com a investigação envolvendo o Banco Master de Vorcaro, que atualmente está preso. A instituição foi liquidada pelo Banco Central no mesmo mês. Naquela ocasião, Costa já havia sido afastado por ordem judicial do comando do BRB.
Também foi preso o advogado Daniel Monteiro, ligado a Vorcaro. Monteiro é apontado como um dos operadores do acerto financeiro com o ex-presidente do BRB, conforme detalha a decisão. De acordo com nota da PF, que não cita nomes dos alvos da operação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e executadas no Distrito Federal e em São Paulo, relacionadas ao pagamento de “vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos”.
Procurada, a defesa de Costa não respondeu até o momento. O ex-executivo tem afirmado, desde o início das investigações, que não cometeu qualquer irregularidade.
Quais crimes estão sendo investigados na operação Compliance Zero?
De acordo com uma das fontes da investigação, a apuração indica que Costa teria recebido propinas para facilitar a relação do Master com o BRB. Já Daniel Monteiro é acusado de redigir contratos fraudulentos e criar mecanismos para esconder o pagamento de propinas ao ex-presidente do BRB. Estão sendo investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Durante a crise do Banco Master, o BRB, banco estatal do governo do Distrito Federal, apareceu como o principal interessado em comprá-lo. Contudo, a operação foi barrada pelo Banco Central por não apresentar viabilidade econômica. Mesmo assim, o BRB possui cerca de R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Master, o que gerou prejuízos e levou à necessidade de uma capitalização do banco estatal brasiliense.