Assine a newsletter
Papa Leão pede união para superar divisões na América do Sul
© Reuters/Simone Risoluti/Proibida reprodução
Internacional

Papa Leão pede união para superar divisões na América do Sul

Agencia Brasil

Pontífice reuniu 40 mil pessoas em missa sob forte chuva no Uruguai.

O Papa Leão exortou neste sábado cerca de 40 mil pessoas — muitas das quais passaram a noite à sua espera, sob chuva, na região da fronteira entre o Uruguai e a Argentina — a superarem suas diferenças, enquanto percorre uma região marcada por acentuadas divisões políticas.

Leão, em uma ambiciosa viagem de 12 dias por três países, até 17 de novembro, percorreu cerca de 750 quilômetros no trajeto de ida e volta entre Montevidéu e Paysandú, um centro econômico ribeirinho no noroeste do Uruguai, no noroeste do país. Multidões se reuniram no local sob forte chuva, que diminuiu pouco antes de sua chegada.

Ele foi o primeiro papa a visitar a cidade, escolhida pelo Vaticano como local para a primeira missa de Leão na América do Sul por ser de fácil acesso aos peregrinos de toda a região.

A multidão reunida em um extenso parque na extremidade sul da cidade explodiu em aplausos e tocou buzinas em alto volume enquanto Leão desfilava em um papamóvel aberto, em meio a ventos fortes.

Em seu sermão, Leão inspirou-se na vizinha Ponte Internacional General Artigas, que liga o Uruguai à Argentina.

“Não é difícil imaginar os benefícios que uma ponte traz: abertura, comunicação e intercâmbio. É por isso que é tão importante sermos construtores de pontes!”, disse ele.

“Essa é a vocação à qual todos somos chamados: construir pontes, fortalecer laços, unir, comunicar.”

O fiel Mariano Méndez, de 36 anos, que viajou de Buenos Aires para ver Leão, disse que o papa criou “uma energia muito inspiradora”.

“O fato de ele ter vindo visitar a América Latina realmente enche o coração.”

Papa faz apelo por cooperação regional

O pontífice de 71 anos está realizando uma das viagens internacionais mais exigentes de um líder católico nas últimas décadas, menos de um mês após ter sido submetido a uma cirurgia para tratar um câncer de pulmão.

Leão, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, visita o Uruguai, uma das democracias mais estáveis da América Latina, até domingo. Esta é a primeira parada de uma viagem que também o levará à Argentina e ao Peru.

O Vaticano descreveu a viagem como um “retorno às origens” para Leão, que atuou como missionário no Peru por décadas e se tornou cidadão peruano.

Espera-se que o papa, que tem criticado veementemente o rumo da liderança global nos últimos meses, aborde uma série de questões que afetam o continente durante a viagem, incluindo a destruição ambiental, o tráfico de armas e a instabilidade política regional.

Em seu primeiro discurso da viagem, proferido perante autoridades do governo uruguaio na tarde de sexta-feira, ele exortou os países sul-americanos a enfrentarem juntos as questões regionais e a darem o exemplo em matéria de cooperação internacional.

Papa visitará bairro marcado pela violência em Montevidéu

Leão liderará vários eventos neste sábado em Montevidéu, incluindo uma vigília noturna de oração que deve atrair cerca de 60 mil jovens.

O papa também seguirá para Casavalle, um bairro na periferia norte da capital marcado pela violência e pela criminalidade relacionada ao tráfico de drogas.

O reverendo Pablo Coimbra, pastor de uma igreja que Leão visitará, disse à Reuters que espera que o papa levante o ânimo de uma comunidade que muitas vezes se sente esquecida.

“É uma área esquecida pelos governos e pelas instituições”, disse Coimbra sobre o bairro, classificado como zona “vermelha” pela polícia, onde os moradores costumam ouvir tiros em meio a disputas territoriais entre traficantes.

Leão encerra sua visita ao Uruguai na manhã de domingo. Na tarde do mesmo dia, seguirá para a Argentina, onde se encontrará com o presidente Javier Milei, um libertário visto como aliado próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump criticou duramente Leão no início deste ano, depois que o papa se manifestou contra a guerra no Irã.

Agencia Brasil

Comentários

0 comentário(s)

Já tenho cadastro

Entre com seus dados para comentar.

Esqueci minha senha

Quero me cadastrar

Crie sua conta de leitor para participar das discussões.

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Notícias relacionadas

EUA oferecem US$ 100 mi a Cuba; Havana acusa Washington de crueldade
Brasil/Mundo •

EUA oferecem US$ 100 mi a Cuba; Havana acusa Washington de crueldade

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos pretendem ajudar Cuba com US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos, ao mesmo tempo em que responsabilizou o governo cubano pela crise econômica e pela falta de energia, alimentos e combustível no país. O governo de Donald Trump também deve ampliar a pressão contra o regime cubano com possíveis acusações contra o ex-presidente Raúl Castro, enquanto Cuba reagiu acusando os EUA de promoverem agressões e sanções contra a ilha.

OMS: continente africano tem 139 mortes suspeitas em surtos de ebola
Saúde •

OMS: continente africano tem 139 mortes suspeitas em surtos de ebola

A Organização Mundial da Saúde alertou para o aumento dos casos de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda, com quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas registradas. Segundo a entidade, o surto é causado pelo vírus Bundibugyo, que ainda não possui vacina ou tratamento aprovado, aumentando a preocupação com a disseminação da doença em áreas urbanas e regiões afetadas por conflitos e deslocamentos populacionais.