Palhaço preso e 'arminha': as referências a Bolsonaro no desfile
A Acadêmicos de Niterói fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro em seu desfile na Marquês de Sapucaí, retratando-o como o palhaço “Bozo” preso e fazendo referências a suas condenações no samba-enredo. Também houve menções ao ex-presidente Michel Temer em alusão ao impeachment de Dilma Rousseff. O enredo principal homenageou Luiz Inácio Lula da Silva, narrando sua trajetória desde a infância até a Presidência, com participações de artistas como Paulo Vieira e Dira Paes.
A Acadêmicos de Niterói fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em ao menos duas oportunidades em seu desfile na Sapucaí na noite de domingo, 15. Com o enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a agremiação colocou Bolsonaro como palhaço e mandou indireta ao ex-mandatário no samba-enredo.
O auge da referência foi na quarta alegoria da escola, que fazia referência aos “retrocessos na política pública” de outros governos. No final do veículo, o palhaço Bozo – personagem popular usado como apelido ao ex-presidente – aparece preso, com uniforme de presidiário e a tornozeleira eletrônica danificada. A prisão de Bolsonaro, inclusive, se deu após o ex-chefe do Palácio do Planalto tentar tirar a tornozeleira em novembro do ano passado.
Houve também referência a Bolsonaro na comissão de frente da agremiação. Ao relembrar outros governos, a escola colocou mais um palhaço, desta vez fazendo um símbolo de arma com as mãos, marca que é de Bolsonaro. O ex-presidente Michel Temer (MDB) também aparece como referência na ala ao roubar a faixa presidencial de Dilma Rousseff (PT). O episódio faz alusão ao impeachment de Dilma, em 2016, em que a esquerda classifica como “golpe”.
Por fim, Jair Bolsonaro foi referenciado na música que embalou a escola durante o desfile. Em dado momento, o samba-enredo traz o termo “sem anistia”, em referência às acusações de tentativa de golpe de Estado que condenaram Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. Atualmente, o ex-presidente cumpre pena no Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Homenagem a Lula
A Acadêmicos de Niterói, escola de samba da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, fez sua estréia no Grupo Especial do Carnaval carioca abrindo o primeiro dia de desfiles, neste domingo, 16, com enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que relembra a trajetória do presidente Lula.
A letra do samba é uma narração da mãe do presidente, Eurídice Ferreira de Mello, Dona Lindu, sobre a vida de Luiz Inácio Lula da Silva desde 1952. Mãe de oito filhos, ela conta sobre a viagem em um caminhão “pau-de-arara” de Garanhuns, no Agreste pernambucano, até chegar à periferia de Guarujá, no litoral paulista. A letra faz, ainda, uma projeção do que Lula se tornaria no futuro, citando o período da Ditadura Militar até implementar políticas sociais após vencer eleição para presidente.
Diversos nomes da classe artísticas participaram dos desfiles e representaram os personagens da história. O ator e humorista Paulo Vieira entrou na avenida para lembrar Lula nos tempos de líder sindical, a atriz Dira Paes representou Dona Lindu e Juliana Baroni relembrou a segunda esposa de Lula, Dona Marisa Letícia, que ela já havia representado no filme “Lula, o Filho do Brasil”, de 2009, dos diretores Fábio Barreto, Marcelo Santiago.