Outubro Rosa dos pets: como prevenir e identificar o câncer de mama em cães e gatos
Outubro é o mês em que o mundo se une para aumentar a conscientização sobre o câncer de mama em mulheres. Mas quem ama os animais de estimação precisa saber que essa preocupação se estende a eles. Fica, então, o alerta: pets também desenvolvem câncer de mama!
“Tanto cães quanto gatos podem ter a doença, mas ela ocorre com muito mais frequência em fêmeas. Em cadelas, 50% dos tumores mamários são malignos. Em gatas, a proporção é ainda maior, com malignidade em 80 a 90% das neoplasias mamárias. Por isso, qualquer nódulo nas mamas dos pets merece investigação veterinária, mesmo que seja pequeno”, explica Dra. Kimberly Karoline Ramos da Costa, especialista do Veros Hospital Veterinário.
A castração precoce é a melhor forma de prevenção, pois reduz de forma importante o risco de desenvolvimento de câncer de mama, especialmente quando realizada antes dos primeiros cios. Dra. Kimberly lembra que a decisão sobre o melhor momento para castração deve ser individualizada, pois depende da espécie, raça, porte, idade e características de cada animal. “O risco aumenta com a idade e está fortemente relacionado à exposição hormonal, especialmente em fêmeas não esterilizadas. Portanto, deve ser evitado o uso de anticoncepcionais hormonais para impedir o cio, especialmente de forma repetida ou sem indicação veterinária”, avisa a médica veterinária.
Sinais de alerta
O câncer de mama apresenta altas chances de malignidade, ou seja, pode se espalhar para outras partes do corpo, em um processo chamado metástase. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial. “Quando o tumor é identificado em sua fase inicial, antes de crescer ou invadir tecidos próximos, a probabilidade de cura aumenta significativamente. Além disso, o tratamento pode ser menos agressivo, o que possibilita mais qualidade de vida”, esclarece Dra. Kimberly.
O primeiro passo para o diagnóstico é a sua observação. Da mesma maneira que as mulheres fazem o autoexame, o tutor deve palpar periodicamente todos os pares de mamas do pet. Se forem verificadas as seguintes alterações, é fundamental procurar um médico veterinário:
- Nódulos: são “caroços" ou massas endurecidas de diferentes tamanhos, que podem ser únicos ou múltiplos
- Inchaço: aumento de volume das mamas
- Secreções: saída de líquido (claro ou com sangue) pelos mamilos
Diagnóstico e tratamento
A triagem e avaliação inicial é feita por meio da citologia: as células da região onde há a alteração são coletadas por meio de uma agulha fina (punção) e estudadas no microscópio. O diagnóstico definitivo acontece pela realização de uma biópsia, que é a retirada de um pequeno fragmento de tecido. O exame define se o tumor é benigno (quando não se dissemina para outros locais do corpo) ou maligno, bem como o seu grau de agressividade. Para verificar o estágio do tumor maligno e se há metástase, são realizados exames de imagem, como radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal, além da análise dos linfonodos (os 'gânglios' próximos ao tumor). A tomografia computadorizada também pode ser indicada em casos mais complexos, auxiliando no planejamento da cirurgia e na avaliação dos pulmões.
“Hoje, o tratamento oncológico se apoia em cirurgia para retirada do tumor e, em alguns casos, quimioterapia ou radioterapia. O veterinário oncologista vai definir as melhores combinações, que são individualizadas e diferem de acordo com o tipo de tumor, grau de agressividade, extensão da doença e características individuais do pet”, diz Dra. Kimberly.
Ao receber a notícia de que seu melhor amigo tem câncer, o tutor passa por um período delicado, cheio de preocupações. É preciso ter em mente que os avanços da medicina veterinária traçam caminhos de cura ou controle da doença, sempre com foco na preservação do bem-estar e manutenção da qualidade de vida. O atendimento veterinário de alta complexidade engloba suporte multidisciplinar e acompanhamento especializado, além de hospitais com infraestrutura moderna que garantem a máxima segurança e eficiência durante todas as etapas da recuperação, sempre de forma humanizada.