Operação contra o CV prende vereador e mira familiares de Marcinho VP
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta quarta-feira (11) o vereador Salvino Oliveira durante a Operação Contenção Red Legacy, que investiga a estrutura nacional da facção Comando Vermelho. As apurações apontam ligação do parlamentar com integrantes do grupo, incluindo negociações com o traficante Edgar Alves de Andrade para fazer campanha em área dominada pela facção em troca de benefícios. A operação também investiga familiares do líder criminoso Márcio dos Santos Nepomuceno, que mesmo preso há décadas ainda seria peça central no comando da organização.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu o vereador Salvino Oliveira (PSD-RJ) nesta quarta-feira, 11, durante a Operação Contenção Red Legacy. Outras cinco pessoas já foram presas nas ação que visa desarticular a estrutura nacional da facção Comando Vermelho (CV). Entre os alvos principais estão familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, apontado como líder do conselho permanente do grupo mesmo após décadas no sistema prisional.
De acordo com a Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), a estrutura criminosa contava com a participação direta de Márcia Gama, esposa de Marcinho VP e mãe do cantor Oruam. As investigações indicam que ela atuava na intermediação de interesses da facção fora dos presídios, facilitando a circulação de informações e a articulação com agentes externos. Outro familiar envolvido é Landerson, sobrinho do traficante, apontado como elo entre as lideranças e os negócios explorados pela organização, como imóveis e serviços. Ambos são considerados foragidos.
Interferência política e prisões
A Polícia Civil sustenta que Salvino Oliveira negociou diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, a autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul. Em troca, o vereador teria articulado benefícios para a facção, como a instalação de quiosques cujos beneficiários foram escolhidos pelo crime organizado.
“As investigações reuniram um conjunto robusto de provas que revelam o funcionamento interno da facção, demonstrando a existência de uma cadeia de comando organizada”, diz a nota da Polícia Civil.
A estrutura identificada pela PCERJ revela uma estrutura complexa que inclui conselhos regionais e indícios de cooperação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Além de Doca, a polícia identificou Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, como gestor financeiro, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal, na operacionalização das ordens da cúpula.
A investigação também detectou casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens e vazar informações. “A Polícia Civil ressalta que tais condutas representam traição à instituição e não refletem a atuação da grande maioria dos profissionais da segurança pública, que desempenham seu trabalho com dedicação e compromisso com a sociedade”, diz a nota da PCERJ.
Os investigadores ressaltam ainda que Marcinho VP segue “exercendo papel central na estrutura de comando da facção”, mesmo após três décadas no sistema prisional.