ONU está desacreditada e cedendo aos ‘senhores da guerra’, diz Lula
Em discurso na Organização das Nações Unidas durante evento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o que chamou de descrédito da ONU e a prioridade dada às guerras em vez do combate à fome. Sem citar diretamente o conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, Lula afirmou que os países com assento permanente no Conselho de Segurança deveriam focar na segurança alimentar e argumentou que os US$ 2,7 trilhões gastos com armamentos poderiam ajudar a reduzir a fome de milhões de pessoas no mundo.
A Organização das Nações Unidas (ONU) está desacreditada e cedendo ao “fatalismo dos senhores da guerra”, sem dar espaço aos “senhores da paz”, disse nesta quarta-feira, 4, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso em cerimônia da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Brasília.
Sem mencionar diretamente a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, Lula disse que os líderes dos cinco países com assento permanente e poder de veto no Conselho de Segurança da ONU — EUA, Rússia, China, França e Reino Unido — deveriam se preocupar em combater a fome e não em promover guerras.
O presidente questionou se a prioridade da comunidade internacional deve ser a produção de armamentos cada vez mais sofisticados ou o aumento da produção de alimentos, da distribuição e da renda da população para garantir a segurança alimentar.
Lula argumentou que, caso os US$ 2,7 trilhões gastos globalmente no último ano com armamentos e conflitos fossem distribuídos entre os 630 milhões de pessoas que enfrentaram fome no mundo, seria possível repassar cerca de US$ 4.285 para cada indivíduo, valor que, segundo ele, demonstraria que o problema da fome poderia ser enfrentado caso houvesse maior prioridade política.
O petista ainda afirmou que o cenário internacional tem sido marcado por uma escalada na corrida armamentista diante do temor de agravamento de conflitos. “Fico emocionado em saber que a fome mexe muito pouco com coração dos governantes do mundo”, declarou.