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O papel de Tarcísio para a alta de Flávio nas pesquisas, segundo CEO da Atlas
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Política

O papel de Tarcísio para a alta de Flávio nas pesquisas, segundo CEO da Atlas

Redação com web

Segundo o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas ocorreu principalmente após o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que consolidou o senador como principal candidato do campo bolsonarista. Na pesquisa divulgada em fevereiro de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 45% das intenções de voto contra 37,9% de Flávio, a menor diferença até agora. Roman afirma que o avanço se explica pela força do bolsonarismo e pelo desgaste recente do governo Lula, incluindo críticas após um desfile de Carnaval que homenageou o presidente. Ele também aponta que a esquerda tem dificuldade em conquistar os jovens, enquanto a eleição de 2026 tende a ser marcada por alta rejeição entre os principais candidatos.

A declaração expressa de apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi preponderante para o avanço do filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) contra o presidente Lula (PT) nas pesquisas.

A avaliação é de Andrei Roman, CEO do instituto de pesquisa Atlas Intel, que mostrou Flávio com 37,9% das intenções de voto para o primeiro turno da disputa presidencial, ante 45% do petista — a menor distância registrada desde que a pré-candidatura do “01” ao Palácio do Planalto foi anunciada.

“Flávio não era um candidato factível [anteriormente], quando se falava muito mais sobre a especulação do Tarcísio como escolhido para representar o campo da direita“, afirmou ao programa IstoÉ Entrevista, exibido no canal de YouTube da IstoÉ. “Se houvesse uma ruptura, os números seriam outros. Mas o governador acolheu a escolha de Jair Bolsonaro e, com alguma agilidade, embarcou no projeto. Nada mais natural do que Flávio atingir patamares que anteriormente eram de Tarcísio“.

O governador de São Paulo chegou a ser criticado por setores mais radicais do bolsonarismo pela falta de adesão clara ao presidenciável do grupo. No final de fevereiro, no entanto, se reuniu com Flávio no Palácio dos Bandeirantes, deu entrevistas ao lado do aliado e firmou o compromisso de coordenar sua campanha no estado, maior colégio eleitoral do país e onde deverá disputar a reeleição.

Nos cenários de segundo turno testados pela Atlas, ambos tiveram maior intenção de voto do que Lula. Para o CEO do instituto, qualquer representante escolhido pelo campo partiria de um patamar elevado, visto que “uma parcela muito expressiva do eleitorado no Brasil é bolsonarista, e uma ainda maior é antipetista“.

 

Andrei Roman, CEO da Atlas Intel, durante participação no programa IstoÉ Entrevista

Andrei Roman, CEO da Atlas Intel, durante participação no programa IstoÉ Entrevista

O desgaste político causado pelo desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula no Carnaval do Rio de Janeiro, no entanto, ajudou a explicar o avanço da oposição. “Houve um acúmulo de elementos negativos. O fato de que não necessariamente todos os eleitores gostam de celebrar um político como herói e, de forma mais preocupante para o governo, uma ala ter representado uma espécie de metáfora da família conservadora que, para muitas famílias, foi uma ofensa“, afirmou Roman.

Leia a íntegra

Dados extraídos de pesquisa Atlas Intel/Bloomberg divulgada em 25 de fevereiro de 2026

IstoÉ A última pesquisa Atlas Intel mostrou que, em três meses desde que anunciou a pré-candidatura, Flávio Bolsonaro ganhou 14,8 pontos percentuais e encurtou significativamente a distância para o presidente Lula. Essa é uma ascensão esperada?

Andrei Roman A razão pela qual Flávio não pontuava tão bem nas rodadas passadas da nossa pesquisa é simplesmente porque ele não era um candidato factível na cabeça do eleitorado. Falava-se muito mais sobre a candidatura do Tarcísio de Freitas, havia uma especulação sobre o governador ser o escolhido [por Bolsonaro] para representar o campo da direita, e o eleitorado reagia aos cenários testados com a intuição de que isso ocorreria.

Este cenário fazia com que outras possibilidades, como Flávio ou Michelle [Bolsonaro, ex-primeira-dama filiada ao PL, pontuassem abaixo do Tarcísio, mas não necessariamente como expressão de uma debilidade, fraqueza política, e sim como resultado de uma configuração de expectativa por outra candidatura.

Na medida em que o Flávio é escolhido e essa decisão é comunicada, tudo muda. Ele é acolhido, de fato, como candidato principal do campo da direita e dá início a um processo inverso — conforme o senador se consolida, Tarcísio cai. O que mudou não foi a percepção que as pessoas têm sobre qualquer um dos dois, nem seus atributos positivos ou negativos, mas simplesmente o entendimento de que o cenário mais provável tem Flávio concorrendo.

Há uma parcela muito expressiva do eleitorado brasileiro que é bolsonarista, uma ainda maior que é antipetista. Ao ser identificado como principal opção deste campo, Flávio capitaliza sobre a existência de uma realidade política, de uma estrutura em que mais ou menos um terço dos eleitores [33,3%] irão aderir à candidatura escolhida [por Bolsonaro].

Se houvesse uma ruptura ou desentendimento público entre Flávio e Tarcísio, os números poderiam ser outros. Essa cisão poderia gerar um cenário bem pior para o senador. Mas não aconteceu. Tarcísio acolheu a escolha de Bolsonaro e, com alguma agilidade, embarcou neste projeto.

Nada mais natural, portanto, do que observá-lo subir a patamares que anteriormente eram do governador de São Paulo; não é sobre Flávio ou Tarcísio, mas sobre a existência de uma realidade política, que é o bolsonarismo, e a adesão de um segmento ao candidato que representá-la.

“Não é sobre Flávio ou Tarcísio, mas sobre a existência de uma realidade política que é o bolsonarismo“.

IstoÉ Do outro lado, Lula caiu de 48,8 para 45% das intenções de voto em relação à pesquisa Atlas de janeiro. O que explica esse desgaste?

Andrei Roman Evidentemente, é uma pesquisa que aconteceu após um desfile de Carnaval muito desgastante para o governo [a Acadêmicos de Niterói desfilou em 15 de fevereiro, e a Atlas fez entrevistas entre os dias 19 e 24 do mesmo mês].  Houve um acúmulo de elementos negativos.

O fato de que não necessariamente todos os eleitores gostam de celebrar, durante o Carnaval, a figura de um político como herói, como tema principal de uma escola de samba; e, de forma mais preocupante para o governo, uma ala [chamada ‘Neoconservadores em conserva’] que representou uma metáfora à família conservadora brasileira que muitas famílias conservadoras julgaram ser ofensiva.

Uma parcela bastante significativa [dos eleitores] não gostou nada, e há um custo político, como se observa em vários indicadores da pesquisa, da avaliação do governo, que piorou de maneira significativa, ao saldo eleitoral.

Dados extraídos de pesquisa Atlas Intel/Bloomberg divulgada em 25 de fevereiro de 2026

IstoÉ A menor intenção de voto em Lula (24,2%) foi manifestada pelos jovens de 16 a 24 anos, mesmo grupo que mostrou a maior pretensão de votar em branco ou anular o voto para presidente (15,9%). A juventude brasileira está descrente das principais forças políticas do país?

Andrei Roman O que esses dados mostram é uma alienação de juventude em relação ao projeto político da esquerda, o que é bastante novo na realidade política brasileira. Tradicionalmente, os jovens são mais progressistas nas grandes democracias. Em geral, eles tendem a olhar a vida e a sociedade com um olhar mais utópico, com o desejo de uma sociedade mais justa, o que historicamente ajudou a esquerda.

O fato de que este gráfico [imagem acima] mostra que, quanto mais velho, maior o apoio ao Lula, e quanto mais jovem, esse apoio fica menos evidente, gera algo bastante preocupante em termos do futuro da esquerda. Se você não constrói uma base política sólida na geração mais jovem, quem carregará essas ideias adiante? Então, há uma falta de adequação do discurso, das propostas e das marcas da esquerda às mudanças que aconteceram na sociedade.

As principais marcas do governo Lula 3 são antigas. Ainda estamos falando sobre [os programas sociais] Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida; o governo não se reinventou, está muito próximo, em termos de discurso, das falas e conceitos do Lula de mais de uma década atrás. Quando se trata de um público jovem, isso não agrada.

“As marcas do Lula 3 são antigas. O governo não se reinventou“.

É menos o caso para o eleitorado mais velho, que já está politizado. Essees eleitores definiram sua orientação política dele há algum tempo e estão seguindo uma constante; eles continuam a olhar a vida e a sociedade a partir de um conceito que foi criado décadas atrás.

No caso dos mais jovens, essa definição acontece agora, durante este governo. Se a proposta política não abordar suas principais preocupações, anseios e medos, [não haverá adesão]. A sociedade atravessa muitas transformações a nível global, do ponto de vista da tecnologia, da adoção de inteligência artificial no mercado de trabalho, de uma discussão política muito mais centrada em formatos audiovisuais e redes sociais, enfim, uma construção com a qual não estávamos acostumados.

A esquerda não conseguiu navegar bem neste novo contexto, tanto em forma quanto em conteúdo. Não é uma característica apenas do PT ou do Lula, acontece também com a esquerda europeia, com a norte-americana. Sem Lula, aliás, a situação poderia ser ainda pior. Mas o futuro da esquerda gera bastante preocupação.

Dados extraídos de pesquisa Atlas Intel/Bloomberg divulgada em 25 de fevereiro de 2026

IstoÉ Nos cenários de segundo turno, Flávio e Tarcísio pontuaram melhor do que Lula, mas o governador disputará a reeleição e dará palanque ao senador em São Paulo. Os números atestam a tese de que Flávio, de fato, era o candidato mais competitivo da direita?

Andrei Roman No meu ponto de vista, o candidato mais competitivo deste gráfico é Eduardo Leite [governador do Rio Grande do Sul, filiado ao PSD], ainda que ele apareça com 24,5% das intenções de voto, 20 pontos abaixo do Flávio. Quando olhamos o percentual de Lula contra o governador gaúcho, o presidente registra seu pior número, com 45,2% — e este percentual é muito mais interessante do que o obtido pelos candidatos da oposição.

Os percentuais dos opositores estão relacionados, neste momento, a quão factível é o caminho de cada um deles para chegar ao segundo turno. No caso do Leite, portanto, o número pequeno reflete apenas o fato de que poucos eleitores enxergam, de fato, chances de que este enfrentamento ocorra. É um fenômeno que se reproduz com Ronaldo Caiado ou Romeu Zema.

É importante trazer este ponto porque não se deve ler estes números com base na posição dos candidatos; cenários de segundo turno tornam-se factíveis apenas quando o eleitor está mais próximo do momento da decisão e, ao reproduzir esta pesquisa mais perto do primeiro turno, ela provavelmente mostrará um cenário diferente.

Um candidato que pontua pior do que os demais em decorrência de um alto número de indecisos não necessariamente perderia o segundo turno — não acho que este seria o desfecho. Há um eleitor moderado que consideraria Leite, mas não os candidatos radicais da direita. Este eleitor pode ter reduzido o percentual de Lula no cenário em questão.

IstoÉ Leite tem capacidade de atrair eleitores de Lula?

Andrei Roman Consegue, ao menos, deixá-los em dúvida. Conseguir deixar um eleitor que declara voto em Lula em todos os cenários em dúvida denota uma candidatura que não é tão fraca assim.

Dados extraídos de pesquisa Atlas Intel/Bloomberg divulgada em 25 de fevereiro de 2026

IstoÉ A tese de cientistas políticos sobre a eleição presidencial de 2022 é que o medo de um novo mandato de Bolsonaro deu vitória a Lula. Para 2026, a Atlas mostrou que 47,5% temem reeleger o petista. Será, novamente, uma disputa baseada no medo?

Andrei Roman Provavelmente, nós teremos um segundo turno entre dois candidatos com níveis muito altos de rejeição. No caso de Lula, há uma rejeição articulada a partir de escândalos de corrupção. No de Flávio, a figura do pai, Jair Bolsonaro, é divisiva e altamente rejeitada por uma parcela grande do eleitorado; o candidato não é o pai, tem outro estilo e talvez outras propostas, mas provoca no eleitor uma associação direta.

É importante, no entanto, termos alguma cautela, porque a pesquisa foi realizada logo após o Carnaval, no auge de uma tempestade muito grande para o governo e quando se falou pouco sobre Flávio e suas vulnerabilidades. Há elementos de seu passado e de sua trajetória política que poderão desgastá-lo.

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