Navios cruzam Estreito de Ormuz após acordo de cessar-fogo
Após um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, dois navios voltaram a cruzar o Estreito de Ormuz, sinalizando possível retomada do tráfego marítimo. A passagem, responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás, havia registrado queda de 95% nas travessias desde o início do conflito. Apesar disso, ainda há incerteza sobre uma reabertura total, enquanto centenas de embarcações permanecem paradas na região.
Dois navios cruzaram o Estreito de Ormuz desde que o Irã concordou em reabrir essa passagem estratégica como parte de um acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos, informou nesta quarta-feira (8) a empresa de rastreamento marítimo MarineTraffic. O tráfego por essa via, que movimenta 20% do comércio mundial de petróleo e gás, despencou desde o início da guerra.
De 1º de março a 7 de abril, apenas 307 embarcações cruzaram o estreito, uma queda de 95% em comparação com o período anterior ao conflito, segundo dados da Kpler, proprietária da MarineTraffic.
Em uma mensagem publicada no X, a empresa indicou que o navio de carga NJ Earth, de propriedade de uma companhia grega, e o Daytona Beach, de bandeira da Libéria, passaram pelo estreito às 08h44 GMT e 06h59 GMT (5h44 e 3h59 em Brasília), respectivamente. Ambos partiram do porto de Bandar Abbas, no Irã, acrescentou.
Os Estados Unidos e o Irã concordaram na terça-feira com um cessar-fogo de duas semanas. Durante esse período, as travessias pelo Estreito de Ormuz serão realizadas “em coordenação com as forças armadas iranianas”, declarou no X o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
“A travessia do navio NJ Earth pode constituir um primeiro sinal de retomada, mas ainda é cedo para dizer se trata-se de uma reabertura mais ampla ligada ao cessar-fogo ou de uma autorização pré-acordada”, disse Ana Subasic, analista da Kpler.
Este navio manteve seu transponder ativo enquanto navegava perto da ilha iraniana de Larak, apelidada de “pedágio de Teerã” pela principal revista marítima Lloyd’s List. A AFP ainda não conseguiu confirmar seu destino.
Segundo a Lloyd’s List, mais de 800 embarcações estão atualmente paradas no Golfo, mas companhias de navegação e de transporte de carga indicaram nesta quarta-feira que estavam se preparando para colocar seus navios de volta em operação.
O acesso a essa via marítima foi drasticamente restringido pelo Irã desde o início da ofensiva israelense-americana em 28 de fevereiro. O Estreito de Ormuz, banhado pelo Irã e por Omã, é uma passagem vital que conecta as águas do Golfo às principais rotas marítimas internacionais.