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Mulheres negras de baixa renda pagam as maiores taxas de juros no Brasil, segundo BC
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Brasil/Mundo

Mulheres negras de baixa renda pagam as maiores taxas de juros no Brasil, segundo BC

Redação com web

Relatório do Banco Central do Brasil mostra que mulheres negras enfrentam as maiores taxas de juros no país, com média anual de 140%, acima de outros grupos como mulheres brancas (128%) e homens brancos (97%). A desigualdade é atribuída a fatores estruturais, como menor acesso a garantias e histórico de crédito, além de maior uso de modalidades caras como o rotativo do cartão. O estudo também aponta crescimento do endividamento e sugere mais educação financeira e práticas de crédito mais justas para reduzir essas diferenças.

Mulheres negras formam a parcela da população que paga as taxas de juros mais altas de todo o sistema financeiro ao contratar empréstimos, segundo o novo Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central, divulgado na segunda-feira, 13. 

Com base em dados de 2024, o estudo mostra que a taxa média de juros anual delas é de 140%. A diferença é nítida quando se compara a outros grupos, também de baixa renda: mulheres brancas pagam 128% e homens negros, 110%. Já os homens brancos têm o menor custo, com uma taxa de 97% ao ano.

As mulheres, segundo o levantamento, pagam sempre mais caro que homens da mesma raça. Da mesma forma, quando comparamos pessoas do mesmo gênero, a população negra também acaba sendo submetida a créditos mais altos.

Maiores taxas de crédito

Primeiro levantamento com dados divididos por gênero e raça, ele mostra que o uso de modalidades que geram dívidas no cartão, como o rotativo e o parcelamento, cresceu 55% em quatro anos. 

Embora as mulheres negras sejam as que mais utilizam o microcrédito produtivo, também são as que mais precisam recorrer ao rotativo do cartão de crédito, que é uma modalidade com juros altíssimos.

Em 2020, eram 34 milhões de pessoas nessa situação, já em 2024, o número saltou para 52,8 milhões, o que representa mais da metade dos usuários de cartão no país. No caso das mulheres negras de baixa renda, entre as inscritas no CadÚnico, 62% possuem algum tipo de crédito.

Barreiras estruturais 

Para o Banco Central, essa desigualdade nasce de problemas estruturais, com as instituições financeiras enxergando um risco maior nelas. Fatores como a falta de um histórico de crédito formal e a dificuldade em oferecer garantias reais, já que elas possuem menos bens registrados em seus nomes, são fatores que pesam contra.

Além disso, elas encontram mais obstáculos para financiar seus próprios negócios. Dados do Sebrae incluídos no relatório mostram que mulheres empreendedoras pagam juros cerca de 4 pontos percentuais maiores do que os homens.

Essas barreiras dificultam o acesso a condições justas, empurrando as populações mais vulneráveis para as opções de crédito mais caras do mercado. Isso faz com que o endividamento de risco seja mais comum entre as mulheres, atingindo 15,4% delas, contra 12,1% dos homens.

Como mudar o cenário

Para mudar esse cenário, o documento do BC sugere a ampliação da educação financeira. O objetivo é que os cidadãos, mais bem informados, tenham consciência e poder para negociar melhores taxas com os bancos.

Além disso, segundo o estudo as instituições financeiras precisam oferecer crédito de forma mais responsável e transparente. A ideia é que os produtos sejam oferecidos de acordo com o perfil e as reais necessidades de cada cliente, buscando um sistema mais justo para todos.

Redação com web

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