Mensalidades no ensino médio e fundamental tiveram reajuste acima de 8%, mostra IBGE
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que as mensalidades escolares subiram, em média, 6,18% em fevereiro, quase o dobro da prévia da inflação oficial (IPCA-15) acumulada em 12 meses, de 4,10%. Os maiores reajustes ocorreram no ensino médio (8,19%), fundamental (8,07%) e pré-escola (7,49%), pressionando o IPCA-15 do mês, que avançou 0,84%, bem acima do esperado pelo mercado. Apesar da leve queda no acumulado anual, especialistas alertam que a inflação de serviços ainda limita cortes mais agressivos na taxa básica de juros pelo Banco Central.
As mensalidades escolares tiveram mais uma vez reajuste anual bem acima da inflação, mostram os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de fevereiro, prévia da inflação oficial do país, divulgados nesta sexta-feira, 27, pelo IBGE.
A taxa média de aumento nas mensalidades de cursos regulares no país ficou em 6,18%. As maiores variações foram registradas nos preços do ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,07%) e pré-escola (7,49%).
Já a prévia da inflação em 12 meses até fevereiro ficou em 4,10%. Ou seja, as mensalidades chegaram a subir quase o dobro do IPCA-15.
Os reajustes nas mensalidades de escolas e cursos que ocorrem no início do ano letivo foi apontada pelo IBGE como o principal fator de pressão para o IPCA-15 de fevereiro, que saltou para 0,84% em fevereiro, ante 0,20% em janeiro. O resultado veio bem acima do esperado. Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 0,57% para o período.
Maiores impactos no IPCA-15 de fevereiro
- Ensino fundamental: 8,07%
- Passagem aérea: 11,64%
- Ônibus urbano: 7,52%
- Ensino superior: 4,23%
- Gasolina: 1,30%
- Seguro voluntário de veículo: 5,62%
- Taxa de água e esgoto: 1,97%
- Ensino médio: 8,19%
- Pré-escola: 7,49%
- Automóvel novo: 0,98%
- Tomate: 10,09%
- Etanol: 2,51%
- Conserto de automóvel: 1,27%
- Refeição: 0,62%
- Plano de saúde: 0,49%
Meta de inflação e expectativas
O centro da meta oficial para o IPCA é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O boletim Focus, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa atual para a alta do IPCA neste ano agora é de 3,91%, contra 3,95% na semana anterior. Para 2027, a estimativa segue em 3,80%.
Com a taxa básica de juros em 15%, o BC volta a se reunir no mês que vem para decidir sobre a Selic em meio a amplas expectativas de que inicie um ciclo de cortes.
“Apesar de o acumulado em 12 meses ter recuado para 4,10%, abaixo dos 4,50% anteriores, o dado corrente traz um sinal de alerta importante. A inflação de serviços e os núcleos seguem pressionados, o que reduz o espaço para um início mais agressivo do ciclo de cortes”, avaliou Pablo Spyer, conselheiro da Ancord.