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Lula tem que ‘mostrar o que tem feito’ para vencer Flávio em 2026, diz deputado do PT
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Política

Lula tem que ‘mostrar o que tem feito’ para vencer Flávio em 2026, diz deputado do PT

Istoé

O deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP) afirmou que, diante do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto, é hora do presidente Lula (PT) “mostrar o que tem feito” em seu terceiro mandato no Palácio do Planalto para chegar a outubro em boas condições de se reeleger.

“Quem está no governo sempre tem como principal bandeira [de campanha] apresentar o que tem feito, o que está fazendo e o que vai fazer no próximo período [em caso de reeleição]”, declarou Souza ao programa IstoÉ Entrevista, exibido no canal de YouTube da IstoÉ. “O governo tem que se vender bem e mostrar o que tem feito para melhorar a vida do povo brasileiro“, concluiu.

 

Ex-prefeito de Osasco e um dos coordenadores da campanha presidencial de Lula em 2022, que terminou com a vitória mais apertada da história democrática brasileira — Jair Bolsonaro (PL) perdeu por 2,1 milhões de votos —, o deputado projetou uma nova disputa acirrada não apenas em outubro, mas também nas futuras eleições presidenciais, com a manutenção da polarização entre petismo e bolsonarismo.

 

“A disputa presidencial no Brasil ganhou uma espécie de padrão norte-americano [nos Estados Unidos, a concorrência está restrita a Republicanos e Democratas]”, afirmou. “Nós não teremos mais eleições em que um candidato [vitorioso] tem 60% e o outro 40%, isso ficou no passado. Temos que estar preparados para disputas realmente apertadas, onde cada detalhe é capaz de mudar o cenário“.

No início de março, o Datafolha mostrou Lula e Flávio em condição de empate técnico na simulação de segundo turno, com 46% a 43% das intenções de voto. O filho mais velho de Jair Bolsonaro foi lançado na corrida no final de 2025 e avançou desde então, enquanto a desaprovação à gestão petista cresceu no período.

 

Na avaliação de Souza, o presidente se beneficiará da exposição das entregas do governo durante a campanha, como a isenção do Imposto de Renda para os brasileiros que ganham até R$ 5 mil mensais, enquanto a oposição ainda não apresentou um “programa alternativo” ao eleitorado. “Eles ficam discutindo outras questões. Hora é o Carnaval [as críticas desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói (RJ) que homenageou Lula], hora é que o presidente viaja muito. Não querem discutir a economia, a inclusão social ou programas“, concluiu o petista.

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Leia a íntegra

IstoÉ Lula venceu Bolsonaro com a margem mais apertada da história, o que demonstrou as dificuldades da campanha. Para 2026, o presidente enfrenta um alto índice de desaprovação e o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. O que deve ser feito para reverter este cenário?

Emídio de Souza A disputa eleitoral no Brasil ganhou, nos últimos anos, um caráter quase plebiscitário. São disputas muito equilibradas, quase um padrão norte-americano, aquela eleição que é disputada no olho mágico. Acho que isso veio para ficar, nós não teremos mais aquelas eleições em que um candidato tem 60% e o outro 40%, isso ficou no passado, então temos de estar preparados para disputas realmente apertadas, onde cada detalhe — uma declaração, um tema — é capaz de mudar o cenário.

Não acho que há uma mudança grande a ser feita [para a campanha]. O presidente Lula apresentou, em 2022, um programa de governo que visava resgatar o país e fazer a economia crescer novamente. Ele prometeu isentar de imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil, está isento; recriou a política de valorização do salário mínimo; o Brasil voltou a crescer acima de 3% ao ano; e nós temos o menor índice de desemprego da história.

Quem está no governo sempre tem como principal bandeira [de campanha] apresentar o que tem feito, o que está fazendo e o que vai fazer no próximo período [em caso de reeleição]. Já a oposição brasileira, em vez de apresentar um programa alternativo, vive do espalhamento de ‘fake news’. Não querem discutir a economia, não querem discutir a inclusão social, os programas; hora [o problema é] o Carnaval, hora é que ele [Lula] viaja muito. Então, o governo tem que se vender bem e mostrar, na campanha, o que tem feito para melhorar a vida do povo brasileiro e quais são as perspectivas para os próximos anos.

“A oposição brasileira não quer discutir um programa alternativo“.

IstoÉ Pouco após a eleição de 2022, o senhor afirmou que o Lula 3 não seria um ‘governo do PT’, mas um governo ‘chefiado’ pelo partido. Essa promessa se cumpriu?

Emídio de Souza Basta olhar para a Esplanava que se vê um governo multifacetado, onde estão representados todos os partidos que apoiaram o Lula, mas também o MDB da Simone Tebet [ministra do Planejamento e candidata derrotada à Presidência em 2022], o PSD do [Gilberto] Kassab, União Brasil, PP, forças inclusive que não apoiaram o presidente nem sequer no segundo turno.

É um governo muito amplo, mas que tem, evidentemente, a orientação central de um presidente que é do PT. Para ter mínimas condições de sobrevivência e de aplicar seu programa, um governo tem que ser de frente ampla, ter a capacidade de atrair outros setores além daqueles que o elegeram.

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IstoÉ Em um eventual novo mandato, o presidente tem de fazer um governo ainda mais amplo?

Emídio de Souza O novo governo do presidente Lula, se ele assim o conquistar nas urnas, terá de ser mais amplo, mas não necessariamente na quantidade de partidos. Os partidos que se comprometerem a fazer parte do governo terão de estar realmente alinhados, não pode [ocupar cargos] sem que os deputados apoiem efetivamente.

Para avançar, o país precisa de estabilidade e sustentação política, o que se dá no diálogo entre o governo e as bancadas do Senado e da Câmara, incluindo nas forças que não te apoiam. Acho que, no atual governo, mesmo com a participação de muitos partidos, não há correspondência de apoio no Congesso Nacional. Essa deveria ser a mudança de tom no próximo governo.

IstoÉ Uma redução na representação partidária em cargos no governo, portanto?

Emídio de Souza Pode haver. É preciso ter compromisso, essa história de estar no governo, mas votar com a oposição não funciona, seja para o presidente Lula ou qualquer outro. Quem está no Executivo precisa saber exatamente com quem ele pode ou não contar no Legislativo.

“Essa história de estar no governo, mas votar com a oposição não funciona“.

IstoÉ O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi convencido a disputar o governo de São Paulo após ter declarado que não pretendia ser candidato a nenhum cargo em outubro. O objetivo é efetivamente elegê-lo ou fortalecer o palanque do presidente Lula no estado?

Emídio de Souza As duas coisas. Nós temos condições de disputar e vencer as eleições em São Paulo se Haddad for candidato. A última pesquisa Datafolha mostrou-o com 31% [das intenções de voto] e o governador Tarcísio [de Freitas] com 44%. Quem está no governo tem a obrigação de aparecer com mais de 40%, uma vez que disputa a reeleição, mas um nome que não foi nem sequer apresentado, nem assumiu candidatura ainda, aparecer com 31% é o verdadeiro fato novo da campanha. Significa que ele [Haddad] é um candidato competitivo.

O jogo está aberto e começa agora. Até aqui, Tarcísio navegou completamente sozinho. Na comparação com o plano nacional, os incumbente das duas disputas [Tarcísio e Lula] estão mais ou menos com o mesmo patamar de votos. A diferença é que, nacionalmente, os candidatos estão na rua há ao menos um ano, com nomes como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Eduardo Leite [governadores do PSD], Romeu Zema [Novo, governador de Minas Gerais] e o próprio Tarcísio, até recuar e decidir concorrer à reeleição.

No plano estadual, isso ocorrerá a partir de agora. Até ser convencido pelo presidente Lula, Haddad não queria disputar o governo e, por isso, o eleitor nem considerava seu nome. Considerando esse momento inicial de campanha, em nenhuma eleição anterior os candidatos do PT partiram de um patamar tão alto.

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IstoÉ O senhor reconheceu que Haddad não desejava ser candidato e foi convencido pelo presidente Lula. Será mais difícil pedir votos para ele por isso?

Emídio de Souza Não era nem vontade, o ministro queria cumprir outro papel na campanha. Ele nunca rejeitou [ser candidato] ou disse que não gostava de São Paulo; pelo contrário, Haddad é um apaixonado pelo estado e, uma vez tomada a decisão, mergulhará nessa campanha de maneira muito intensa.

Conheço o Haddad, coordenei campanhas e o programa de governo dele [em 2022], sei de sua capacidade de se envolver e elaborar propostas. Não é um candidato que fica esperando, ele participa ativamente dos debates, fóruns de discussão, busca entender cada aspecto da vida no estado e, enfim, é um candidato aplicado.

Acredito que, ao começar em um patamar muito melhor [do que em 2022] e deixar o Ministério da Fazenda com entregas notáveis, como a isenção do Imposto de Renda e uma reforma tributária que era discutida há quase 40 anos, ele terá melhor condição de participar do debate.

Haddad certamente fará um contraponto ao governador nessa história de privatizar tudo, como ele tem feito em São Paulo; as pessoas vão avaliar [na eleição] qual foi o resultado concreto da privatização da Sabesp, as políticas de segurança, o aumento da violência contra a mulher no estado. Tarcísio estará na vidraça. Ele ainda não foi questionado sobre nada disso e, agora, será.

“Tarcísio estará na vidraça. Ele ainda não foi questionado e, agora, será”.

IstoÉ Quais são os elementos que colocam o governo Tarcísio “na vidraça” para a apresentação de uma alternativa de oposição?

Emídio de Souza A primeira coisa a ser discutida é o papel do Estado. Tarcísio entregou os serviços mais importantes do governo para a iniciativa privada. Não sou contra a privatização, por princípio, mas áreas essenciais, como a água, não devem passar por esse processo. O resultado [da privatização da Sabesp] está aí, com contas que sobem o tempo todo, falta de abastecimento, problemas de qualidade e promessas que não foram cumpridas.

Na educação, as experiências da plataformização, em que se escanteia o professor em favor do ensino digital, e das escolas cívico-militares, com policiais cuidando das salas de aula, mostram uma disfunção que também será cobrada. As grandes obras do estado, sem exceção, têm apoio decisivo do governo federal. O túnel submerso Santos-Guarujá não sairia do papel sem a iniciativa do presidente Lula, assim como o trem Intercidades Campinas-São Paulo.

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IstoÉ O senhor havia mencionado a segurança. Mesmo com a queda no registro geral de homicídios, São Paulo teve o maior número de feminicídios da série histórica (270) em 2025 e policiais civis acusam Tarcísio de falta de valorização. Por que a esquerda não se apropria dessas bandeiras?

Emídio de Souza Primeiro, de fato, a esquerda ainda não apresentou um programa tão consistente em termos de segurança pública. Há uma situação complexa, porque a atribuição principal é dos governos estaduais, com colaboração das prefeituras, e você tem um papel do governo federal que é de dar apoio aos estados.

O presidente Lula avançou ao apresentar a PEC da Segurança Pública, que propõe o SUSP (Sistema Único de Segurança Pública) e acho que pode ter resultados importantes, e tem um papel evidentemente importante no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas, na evasão de divisas e contrabando, que é o que a Polícia Federal faz e demonstra, dia após dia, que a violência policial não gera os melhores resultados.

A segurança pública em São Paulo é uma discussão que nós vamos fazer no programa de governo do Haddad. O que foi feito nos últimos anos [por Tarcísio]? Claramente, o endurecimento da polícia. Então, você tem uma polícia mais violenta, com índice de letalidade policial enorme, comparável com as piores situações do mundo. Muito disso se deve ao Tarcísio e à escolha que ele fez de colocar o [Guilherme] Derrite à frente da Secretaria da Segurança Pública. É a primeira vez em que um policial militar, que não era de alta patente, comandou as estruturas da Polícia Civil, da Polícia Militar e também da Polícia Científica e da Polícia Penal.

A performance do Derrite foi a mesma que ele teve à frente da Rota [Rondas Ostensivas Tobias Aguiar]; uma polícia que mata mais, mas com pouca resolução de conflitos. Então, os índices não melhoraram. Há uma quantidade de roubo de celular imensa, pouca tecnologia incorporada ao trabalho policial, essa situação da violência contra as mulheres explodindo no país, cada hora é um caso de um policial que joga um cidadão, mesmo que fosse um bandido, de cima da ponte. O Tarcísio está devendo uma política de segurança.

“Esquerda ainda não apresentou programa consistente na segurança”.

IstoÉ Voltando ao palanque paulista do PT, além de Haddad, está confirmada a candidatura de Simone Tebet a uma das vagas ao Senado. A militância petista se mobilizará de fato por alguém desvinculada das bandeiras do partido?

Emídio de Souza Acredito em um processo muito tranquilo. A militância do PT tem muito claro que o projeto principal é a reeleição do presidente Lula e, para atingir esse objetivo, precisamos apoiar outras pessoas nos estados.

Em Minas Gerais, está sendo considerada a hipótese de apoiar o senador Rodrigo Pacheco, que está saindo do PSD e deve ir para o União Brasil. No Rio de Janeiro, apoiaremos o [prefeito] Eduardo Paes, do PSD.

Então, o apoio a uma figura como a Simone não representa dificuldade nenhuma. Ela fez um belo papel na última eleição presidencial, apresentou propostas, foi muito correta com o presidente à frente do Ministério do Planejamento e se tornou uma das lideranças que o Brasil aprendeu a reconhecer.

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