Lula diz que defenderá ‘tratamento igualitário’ a países em encontro com Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que defenderá tratamento igualitário entre países em eventual encontro com Donald Trump, rejeitando uma “guerra fria” e criticando a imposição unilateral de tarifas pelos EUA. Após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegais parte das tarifas, Trump anunciou aumento geral para 15% sobre importações. Lula disse esperar que as relações Brasil–EUA voltem à normalidade e alertou que as taxas podem gerar inflação e prejudicar os próprios americanos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo, 22, que irá defender “tratamento igualitário” entre os países em eventual encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em março. O petista disse ainda que o Brasil não quer uma “guerra fria”, mas relações equilibradas, sem imposições de nações mais poderosas sobre as mais fracas.
“Quero dizer ao presidente Trump que não queremos uma guerra fria. Queremos ter relações iguais com todos os países e receber deles também um tratamento igualitário”, declarou, após agenda oficial na Índia.
Lula ainda criticou a imposição unilateral de tarifas pelos EUA. De acordo com ele, o governo brasileiro soube das medidas “pelo Twitter”. O presidente também mencionou o que chamou de “autoritarismo” em negociações com grandes potências, ao afirmar que, em alguns casos, “um impõe sua vontade ao outro”.
No sábado, 21, Trump anunciou que irá aumentar de 10% para 15% a alíquota da tarifa estabelecida sobre todas as importações embarcadas rumo aos Estados Unidos. Caso sejam mantidos os prazos informados na véspera, as novas taxas entrarão em vigor já a partir de terça-feira, 24.
Trump já havia anunciado os 10% de taxas na sexta-feira, 20, depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegais a maior parte das tarifas sobre importações estabelecidas nos últimos meses.
Ao comentar o assunto, Lula disse que não tem “como ficar medindo a decisão da Suprema Corte americana”. “Não tem como um presidente de outro país julgar a decisão da Suprema Corte. Alguém recorreu, a Corte tomou a decisão. Certamente, ele já tomou novas medidas, alguém vai recorrer, vai ter outra decisão. Da nossa parte, o que nós achamos é que houve um alívio para muitos países que estavam taxados em 50% e 40%. Agora para todo mundo vai ser 15%. Eu estou convencido que na conversa a relação Brasil-Estados Unidos vai voltar à normalidade. Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar alguns produtos nossos vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano. Ele já sabe disso”, afirmou.
* Com informações do Estadão Conteúdo