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Lula chama Flávio Bolsonaro de 'imbecil' e 'covarde' ao falar de proposta de taxação dos EUA contra Brasil
Presidente Lula — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Política

Lula chama Flávio Bolsonaro de 'imbecil' e 'covarde' ao falar de proposta de taxação dos EUA contra Brasil

CBN

'Imbecil, ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro', afirmou.

Durante evento nesta terça-feira (2), o presidente brasileiro Lula relacionou a ida de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, com a proposta de nova tarifa de 25% contra produtos brasileiros.

Ao comentar fala de Flávio dizendo que pediu para Donald Trump para que não taxasse as empresas brasileiras, durante a reunião que teve na Casa Branca na semana passada, ele chamou o filho do ex-presidente de 'imbecil'.

 

'Imbecil, ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro', afirmou.

 

Lula ainda complementou, dizendo que Flávio era 'covarde' por não assumir o que falou com o presidente americano.

 

'São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério do Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem, porque esse cidadão [Flávio] hoje aparece lá em pé: 'Eu não falei nada, eu não falei nada'. Todo covarde é assim, fala a merda que fala, e por não ter coragem de assumir o que fala, fica tentando medir', comentou.

 

Lula fez críticas à articulação da família Bolsonaro, a quem culpou pelas possíveis tarifas.

Ele definiu o momento como uma "guerra da verdade contra a mentira" e chamou os filhos do ex-presidente de "vendilhões da pátria". Segundo o presidente, o pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para se encontrar com Trump e o secretário Marco Rubio para pedir, de forma deliberada, uma intervenção estrangeira contra o próprio país.

Lula rebateu diretamente o senador ao lembrar que ele havia agradecido a Trump pela taxação no ano passo em publicação nas redes sociais.

O presidente brasileiro também lembrou da reunião de três horas que teve com Trump, no dia 7 de maio, na qual provou, com números, que os Estados Unidos levam ampla vantagem comercial, acumulando um superávit que ultrapassa os 415 bilhões de dólares na relação com o Brasil nos últimos 15 anos.

Após esse encontro, os presidentes haviam estipulado um prazo de trinta dias para que o ministro brasileiro Márcio Elias Rosa e as autoridades americanas chegassem a um consenso. Mesmo com três rodadas de conversas realizadas, o governo americano decidiu aplicar a sanção com as negociações ainda em andamento.

Em defesa da soberania nacional, Lula declarou que o Brasil quer ser "dono do próprio nariz" e avisou que não vai permitir que o país seja explorado com a entrega de riquezas como as terras raras, ponto de interesse americano.

 

Para conter a crise e alinhar a posição oficial do Brasil, o Palácio do Planalto convocou uma reunião de emergência no fim desta manhã. O encontro reúne o vice-presidente da República Geraldo Alckmin, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, além de Dario Durigan da Fazenda, Bruno Moretti, do Planejamento, e o embaixador Maurício Lírio, pelo Itamaraty.

A estratégia central do governo brasileiro é evitar um rompimento e manter os canais de negociação abertos com Washington para tentar reverter a medida ou minimizar os impactos.

Do lado americano, o embaixador e representante comercial Jamieson Greer confirmou que mantém um diálogo intenso com o governo Lula, mas alertou que as divergências econômicas e políticas ainda continuam.

 

Tarifas propostas de 25% contra o Brasil são 'diferenciadas', afirma representa comercial dos EUA

 

Representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, ao lado do presidente americano, Donald Trump. — Foto: ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, ao lado do presidente americano, Donald Trump. — Foto: ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Em entrevista à emissora de TV americana CNBC, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que as tarifas de 25% que foram propostas contra o Brasil são 'bastante diferenciadas'.

Ele explicou que a investigação começou a pedido do presidente dos EUA, Donald Trump. Ainda destacou que tiveram reuniões 'construtivas' com Lula, porém que ainda ocorrem 'divergências substanciais'.

Greer comentou que pelas muitas exclusões, as taxas seriam diferentes do que havia sido pensado anteriormente, com o tarifaço de 50% do ano passado.

 

Para o representante, as novas taxas eram precisas por conta de práticas consideradas desleais pelo governo Trump e o déficit comercial americano chamado de 'gigantesco'.

Os Estados Unidos propõem um novo tarifaço de 25% sobre todas as mercadorias brasileiras por práticas de comércio consideradas “irrazoáveis”. A nova sobretaxa foi anunciada pelo Escritório de Representante Comercial americano após concluir a investigação contra o Brasil respaldada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O documento preliminar aponta que políticas brasileiras sobre comércio digital, desmatamento ilegal e propriedade intelectual restringem ou oneram o comércio norte-americano.

O anúncio de Washington estipula o prazo legal de 15 de julho para que o Brasil adote medidas corretivas antes da aplicação definitiva das taxas. A proposta norte-americana abre um período de consulta pública para receber comentários do setor privado a partir do dia 22 de junho.

O documento do governo americano exclui do novo tarifaço bens considerados estratégicos para o abastecimento da economia dos Estados Unidos. Ficam isentos do imposto produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos

O relatório norte-americano acusa o Brasil de prejudicar a concorrência ao punir plataformas de tecnologia dos Estados Unidos que descumprem ordens de remoção de conteúdo. Washington também alega que o Banco Central concede tratamento preferencial ao Pix em detrimento de empresas de cartão de crédito.

O governo americano contesta os acordos comerciais do Brasil com México e Índia e aponta falhas históricas na fiscalização contra o desmatamento ilegal. Washington critica ainda a falta de reciprocidade tarifária na importação do etanol e a lentidão excessiva no exame de patentes industriais no mercado brasileiro.

A investigação havia sido iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump.

De acordo com o embaixador e Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o governo americano mantém um diálogo intenso com o governo do presidente Lula, mas ainda há divergências substanciais nas questões identificadas na investigação.

 

O Palácio do Planalto já aguardava a divulgação de sanções, mas esperava que a recomendação não trouxesse uma aplicação de taxas imediata.

Presidentes do Brasil, Lula, e dos EUA, Donald Trump — Foto: Alan Santos/PR e Gustavo Moreno/STF

Presidentes do Brasil, Lula, e dos EUA, Donald Trump — Foto: Alan Santos/PR e Gustavo Moreno/STF

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