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Líbano e Israel se reúnem para primeiras conversas diretas em décadas
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Brasil/Mundo

Líbano e Israel se reúnem para primeiras conversas diretas em décadas

Redação com web

Representantes de Líbano e Israel se reúnem em Washington para suas primeiras conversas diretas em décadas, mediadas pelos Estados Unidos, em meio à guerra envolvendo o Hezbollah. Apesar da expectativa por uma trégua, as chances de avanço são baixas devido à rejeição do grupo e às exigências de desarmamento por Israel. Paralelamente, o bloqueio naval contra o Irã aumenta as tensões na região, enquanto potências como China, França e Reino Unido buscam soluções diplomáticas para conter o conflito e restabelecer a segurança no Estreito de Ormuz.

Representantes libaneses e israelenses devem se reunir nesta terça-feira, 14, em Washington, para suas primeiras conversas diretas em décadas. No entanto, a oposição do Hezbollah às negociações deixa poucas perspectivas para alcançar um acordo e encerrar os combates.

O governo dos Estados Unidos, que atua como mediador do encontro, pressiona para deter o conflito entre Israel e o Hezbollah por temer que isso possa prejudicar as negociações com o Irã – conversas que, até o momento, não apresentaram progresso algum, após o fracasso de uma reunião realizada no Paquistão durante o fim de semana.

Washington declarou que “a bola está com o Irã” no que diz respeito ao fim da guerra no Oriente Médio, após os Estados Unidos bloquearem a navegação dos portos iranianos no Estreito de Ormuz, que Teerã já havia fechado.

O Líbano foi arrastado para a guerra – iniciada em 28 de fevereiro com ataques israelenses e americanos ao Irã – no dia 2 de março, quando o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah abriu uma frente de combate contra Israel.

Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão.

O encontro em Washington – o primeiro do tipo desde 1993 – contará com a participação do secretário de Estado Marco Rubio como mediador, ao lado dos embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos.

Contudo, as expectativas de quaisquer avanços significativos são baixas, uma vez que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, pediu o cancelamento das conversas, classificando-as como um ato de “submissão e rendição”.

O governo israelense descartou a possibilidade de discutir qualquer cessar-fogo com o movimento pró-iraniano, do qual exige o desarmamento.

O presidente libanês, Joseph Aoun, expressou a esperança de que um acordo de trégua possa ser alcançado e que negociações em grande escala possam ter início entre as duas nações, que, tecnicamente, estão em guerra há décadas.

No terreno, moradores de Beirute manifestaram a esperança de que as conversas tragam um fim à violência. “Estamos extremamente cansados”, disse Kamal Ayad, de 49 anos. “Já vivemos muitas guerras e queremos descansar.”

Bloqueio naval

Com as atenções voltadas para o encontro entre Israel e o Líbano, Trump tentou pressionar o Irã com um bloqueio naval e ameaçou afundar qualquer embarcação que tentasse entrar ou sair do Estreito de Ormuz.

Desde a eclosão da guerra, o Irã restringiu drasticamente a passagem por este estreito, por onde em condições normais transitam aproximadamente 20% do petróleo e do gás mundiais.

O comando militar iraniano classificou o bloqueio como um ato de pirataria e alertou que, se a segurança de seus portos “for ameaçada, nenhum porto no Golfo ou no Mar Arábico estará seguro”.

Segundo analistas, Trump está tentando privar o Irã de recursos financeiros, mas também impulsionar Pequim – o maior comprador de petróleo iraniano – a exercer pressão sobre Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz.

Por ora, a China considerou o bloqueio como “perigoso e irresponsável”.

A Presidência francesa informou que França e Reino Unido devem organizar, na sexta-feira, uma videoconferência entre “países não beligerantes dispostos a contribuir” para uma “missão defensiva” em Ormuz, visando restaurar a liberdade de navegação.

Apesar do aumento nas tensões, o frágil cessar-fogo de duas semanas, acordado na última quarta-feira, permanece em vigor.

Trump afirmou na Casa Branca que representantes iranianos haviam entrado em contato para chegar a um acordo, após negociações infrutíferas em Islamabad. “Recebemos um telefonema da outra parte. Eles gostariam de chegar a um acordo. Com grande urgência”, afirmou do lado de fora do Salão Oval.

Duas fontes paquistanesas de alto escalão disseram à AFP nesta terça-feira que Islamabad está trabalhando para reunir Irã e Estados Unidos em uma segunda rodada de conversas.

A televisão estatal iraniana noticiou que o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que Teerã “continuará dialogando unicamente no âmbito do direito internacional”, durante uma conversa telefônica com seu homólogo francês, Emmanuel Macron.

Pausa no enriquecimento nuclear

Trump insiste que qualquer acordo deve incluir uma proibição ao Irã de obter armas nucleares no futuro.

Diversos veículos de comunicação noticiaram na segunda-feira que os Estados Unidos teriam solicitado a suspensão, por 20 anos, do programa de enriquecimento de urânio do Irã.

Teerã propôs suspender suas atividades nucleares por cinco anos, o que foi rejeitado por autoridades americanas, segundo o The New York Times.

Os esforços diplomáticos também se intensificaram em outros lugares, com a chegada do chanceler russo, Sergei Lavrov, a Pequim nesta terça-feira, horas após a agência de notícias estatal iraniana ter informado que ele havia conversado com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez – também em Pequim -, declarou após uma reunião com o presidente Xi Jinping que a China poderia desempenhar um papel “importante” na “busca de vias diplomáticas para pôr fim a esta guerra”.

Redação com web

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