Keeta adia estreia no RJ para travar batalha judicial contra iFood e 99Food
A empresa chinesa Keeta adiou por tempo indeterminado sua estreia no Rio de Janeiro para priorizar ações judiciais contra concorrentes como iFood e 99Food, acusando-as de manter contratos de exclusividade irregulares. A empresa levará novas denúncias ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica e à Justiça comum. Enquanto disputa espaço no mercado brasileiro, a Keeta mantém plano de investir R$ 5,6 bilhões em cinco anos, apesar de ainda ter atuação limitada no país.
A empresa de delivery chinesa Keeta adiou por prazo indeterminado o início das suas operações no Rio de Janeiro, inicialmente programado para a próxima semana. A empresa anunciou que, ao invés de seguir a expansão geográfica de sua operação, irá focar esforços em uma disputa jurídica contra práticas dos seus principais concorrentes no país, a brasileira iFood e a também chinesa 99Food.
Em entrevista à IstoÉ Dinheiro, o CEO da Keeta no Brasil, Tony Qiu, afirma que a empresa levará à Justiça novas provas de que suas concorrentes utilizam contratos de exclusividade irregulares para manter o domínio sobre o mercado de delivery brasileiro. Serão movidas simultaneamente ações no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e na justiça civil.
As regras vigentes do Cade proíbem que o iFood assine contratos de exclusividade com redes de restaurantes com mais de 30 unidades. Acordos de exclusividade fechados pelo iFood antes de a regulamentação ser implementada não poderiam ser renovados após o vencimento. No entanto, Qiu aponta que teriam encontrado contratos assinados após o prazo estipulado. “Nós estamos levando novas evidências para as autoridades e esperamos conseguir a ajuda delas”, disse o CEO.
Já a 99Food estaria, na visão de Qiu, ferindo a liberdade de mercado com seus “contratos de semi-exclusividade”, que apresentam cláusulas específicas contra a entrada da Keeta. Outback, Starbucks e Burger King são exemplos de redes limitadas por esse tipo de acordo.
A IstoÉ Dinheiro procurou o iFood e a 99Food para um posicionamento sobre as acusações. O iFood diz que “é incorreto” afirmar que o mercado de delivery esteja fechado à concorrência por conta dos contratos de exclusividade, que não pode ter mais do que 8% de estabelecimentos exclusivos na cidade do Rio de Janeiro, e ainda que “há exceções” para alguns contratos (leia a íntegra da nota abaixo). A 99Food ainda não respondeu. O espaço segue aberto e o texto será atualizado quando houver retorno.
A pequena abrangência da Keeta no mercado brasileiro
A decisão de suspender a expansão para outros lugares do país deixa a Keeta com a menor abrangência geográfica entre as empresas que disputam o segmento no país. A empresa chegou ao país em novembro de 2025, com as primeiras operações na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Pouco depois, passou a operar na capital do estado.
Meses antes, a 99Food iniciou as entregas em junho de 2025, primeiro em Goiânia (GO), seguindo rapidamente para as capitais e regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco. Já o brasileiro iFood segue líder com folga no país, com operação em mais de 1,5 mil cidades.
Apesar do pequeno alcance geográfico, o CEO da Keeta afirma que a empresa alcançou números satisfatórios onde já atua, com 2,8 milhões de downloads e um crescimento de 40% na sua base de restaurantes desde que chegou ao país. A chinesa mantém seu plano de investimento de R$ 5,6 bilhões em cinco anos para crescer no Brasil.
Leia a íntegra da nota do iFood:
“É incorreto afirmar que o mercado de delivery da cidade do Rio de Janeiro esteja fechado à concorrência devido aos contratos de exclusividade. O iFood é proibido de assinar contratos com grandes redes de restaurantes e não pode ter mais do que 8% de estabelecimentos exclusivos na cidade. Além disso, há exceções que permitem contratos com prazo superior a dois anos quando o iFood faz investimentos que geram o crescimento para o restaurante parceiro. Essas regras estão previstas em acordo firmado pela plataforma com o Cade, que está sendo cumprido em sua totalidade. Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações.”