Irã responde a Trump: ‘São EUA que violam cessar-fogo com bloqueio naval’
O Irã rebateu Donald Trump, afirmando que quem violou o cessar-fogo foram os Estados Unidos ao manter o bloqueio aos portos iranianos, considerado ilegal por Teerã. O Estreito de Ormuz segue fechado, e o Irã condiciona sua reabertura ao fim das sanções, enquanto autoridades admitem avanços nas negociações, mas dizem que um acordo final ainda está distante devido a divergências pendentes.
O Irã respondeu à acusação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o país ter cometido uma “grave violação” do cessar-fogo que foi acertado entre os envolvidos. Segundo Teerã, foram os americanos que romperam a trégua ao bloquear o acesso aos portos do país.
“O bloqueio imposto pelos EUA ao Estreito de Ormuz é ilegal e viola o cessar-fogo vigente”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, na rede social X neste domingo, dia 19.
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Segundo ele, o ato “também constitui um crime”. A medida americana “viola a Carta das Nações Unidas, que considera o bloqueio dos portos e costas de um país um ato de agressão” e “representa uma punição coletiva contra o povo iraniano”, destacou em post (veja abaixo)
The United States’ so-called “blockade” of Iran’s ports or coastline is not only a violation of Pakistani-mediated ceasefire but also both unlawful and criminal. It violates Article 2(4) of the UN Charter; it constitutes an act of aggression under Article 3(c) of the UN General…
— Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) April 19, 2026
Outro importante representante do governo iraniano disse hoje (19) que acordo final de paz ainda está longe. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que um acordo final de paz ainda está “longe”, apesar de avanços nas negociações. Teerã condiciona a reabertura da crucial rota marítima ao fim do bloqueio norte-americano a seus portos.
“Ainda estamos longe da discussão final”, afirmou o presidente do parlamento. Um cessar-fogo de duas semanas está programado para terminar na próxima quarta-feira, 22, a menos que seja renovado.
O que aconteceu
- O Estreito de Ormuz segue fechado, com o Irã exigindo o fim do bloqueio dos EUA aos seus portos para reabrir a rota.
- Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, admitiu haver “progresso” nas negociações com Washington, mas destacou “muitas lacunas” e pontos fundamentais pendentes.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou as “conversas muito boas”, mas alertou Teerã contra qualquer tentativa de “chantagem” ao mudar de posição sobre o estreito.
Por que o Irã mantém o estreito fechado?
Na sexta-feira, dia 17, Teerã havia declarado o Estreito de Ormuz — por onde normalmente transitam um quinto do petróleo mundial e do gás natural liquefeito — aberto, após um cessar-fogo temporário ter sido acordado para interromper a guerra de Israel com o aliado do Irã, o Hezbollah, no Líbano. Isso provocou euforia nos mercados globais e fez os preços do petróleo despencarem, mas Teerã voltou atrás depois que Trump insistiu que o bloqueio dos EUA aos portos iranianos continuaria até que um acordo final fosse firmado.
“Se os EUA não suspenderem o bloqueio, o tráfego no Estreito de Ormuz certamente será limitado”, disse Ghalibaf. Trump acusou o Irã de estar “fazendo joguinhos” com seus movimentos recentes e advertiu Teerã para não tentar “chantagear” Washington ao mudar de posição sobre o estreito. “Estamos tendo conversas muito boas”, disse o presidente a repórteres na Casa Branca, acrescentando que os Estados Unidos estavam “adotando uma postura dura”.