Irã propõe fim da guerra e reabertura de Ormuz aos EUA
O Irã propôs aos Estados Unidos reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o conflito, condicionando o avanço das negociações ao fim do bloqueio econômico imposto por Washington e deixando o programa nuclear para uma etapa posterior. A proposta, porém, deve enfrentar resistência do presidente Donald Trump, que busca um acordo mais amplo envolvendo também restrições nucleares e militares iranianas. Enquanto isso, o impasse diplomático persiste, com trocas de acusações entre Teerã e Washington e crescente pressão internacional por um cessar-fogo permanente.
O Irã apresentou uma proposta aos Estados Unidos para reabrir o bloqueio do Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, deixando seu programa nuclear para futuras negociações. A iniciativa, divulgada pelo portal de notícias americano Axios e confirmada nesta segunda-feira, 27 de abril, por dois funcionários regionais à agência Associated Press, sugere que Washington encerre o bloqueio ao país como condição para discussões a portas fechadas.
O que aconteceu
- O Irã propõe fim da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas quer negociar seu programa nuclear em etapa posterior.
- Teerã exige que os EUA suspendam o bloqueio econômico ao país para que as negociações diretas possam ocorrer.
- O presidente Donald Trump, sob pressão interna, deve rejeitar a proposta, buscando um acordo mais amplo que inclua o fim do programa atômico iraniano.
É provável que a nova proposta iraniana, repassada aos Estados Unidos pelo Paquistão, não seja aceita pelo presidente Donald Trump. O líder norte-americano quer encerrar o programa atômico do Irã como parte de um acordo geral para reabrir o Estreito de Ormuz e tornar o cessar-fogo permanente.
“Temos todas as cartas na manga. Se eles quiserem conversar, podem vir até nós ou podem nos ligar”, disse Trump neste domingo em entrevista ao canal de televisão Fox News, reiterando sua postura de força nas negociações.
Chanceler iraniano culpa EUA por impasse

O chanceler iraniano Abbas Araghchi,
Em visita à Rússia, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, culpou Washington nesta segunda-feira pelo fracasso das negociações de paz. Ele desembarcou na Rússia como parte de uma intensa agenda diplomática, com as negociações diretas entre as partes aparentemente em um impasse. Araghchi fez as declarações em São Petersburgo, onde tem encontro agendado com o presidente russo, Vladimir Putin. Antes disso, intercalou uma viagem a Omã entre visitas ao principal mediador, o Paquistão, nos últimos dias.
Islamabad sediou a primeira e única rodada de negociações entre Washington e Teerã, que se mostraram infrutíferas. A visita de Araghchi havia alimentado esperanças de novas conversas no fim de semana, até que o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou uma viagem planejada de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner. “As abordagens dos Estados Unidos fizeram com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não atingisse seus objetivos por causa das exigências excessivas”, disse Araghchi nesta segunda-feira.
O enviado do Irã na Rússia, Kazem Jalali, disse em uma postagem no X que Araghchi se encontraria com Putin “na continuação da jihad diplomática para promover os interesses do país e em meio a ameaças externas”. “O Irã e a Rússia estão presentes em uma frente unida na campanha das forças totalitárias do mundo contra países independentes e em busca de justiça, bem como países que buscam um mundo livre do unilateralismo e da dominação ocidental”, completou Jalali.
Trump sob pressão: qual a estratégia dos EUA?
Com a queda de seus índices de aprovação, Donald Trump enfrenta pressão interna para acabar com a guerra impopular. Os líderes do Irã, embora enfraquecidos militarmente, obtiveram vantagem nas negociações com sua capacidade de impedir a navegação no Estreito de Ormuz, que normalmente transporta um quinto das remessas globais de petróleo.
Teerã fechou amplamente o estreito, enquanto Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse ao primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, por telefone, no sábado, que Teerã não entraria em “negociações impostas” sob ameaças ou bloqueio, segundo um comunicado iraniano.
Pezeshkian afirmou que os Estados Unidos deveriam primeiro remover os obstáculos, incluindo seu bloqueio marítimo, antes que os negociadores pudessem começar a estabelecer as bases para um acordo.
As divergências entre os EUA e o Irã vão além do programa nuclear de Teerã e do controle do Estreito. Trump quer limitar o apoio do Irã a seus representantes regionais, incluindo o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza, e restringir sua capacidade de atacar aliados dos EUA com mísseis balísticos. Por sua vez, o Irã busca a suspensão das sanções e o fim dos ataques israelenses ao Hezbollah.
No Líbano, os ataques israelenses mataram 14 pessoas e feriram 37 no domingo, informou o Ministério da Saúde. Os militares israelenses alertaram os moradores para que deixassem sete cidades além da “zona tampão” que ocupavam antes de um cessar-fogo que não conseguiu interromper totalmente as hostilidades.
Com informações da Reuters e DW