Irã promete vingar a morte de Larijani e ataca Israel
O conflito no Oriente Médio se intensificou após o Irã lançar mísseis contra Israel em retaliação a mortes de líderes iranianos, ampliando uma escalada iniciada no fim de fevereiro. A crise envolve também os Estados Unidos, que atuam no Estreito de Ormuz, elevando tensões globais e o preço do petróleo. Enquanto Benjamin Netanyahu mantém ofensiva para enfraquecer a liderança iraniana, o conflito já provoca grave crise humanitária no Líbano, com centenas de mortos e deslocados.
O Oriente Médio vive mais um dia de conflito nesta quarta-feira (18/03). Em resposta direta ao assassinato de seu chefe de Segurança, Ali Larijani, o regime iraniano disparou uma salva de mísseis contra Israel, resultando em duas mortes confirmadas nos arredores de Tel Aviv. A ofensiva ocorre em um cenário de terra arrasada iniciado em 28 de fevereiro, após a eliminação do Aiatolá Ali Khamenei, e coloca as potências globais diante de um conflito que já sufoca a economia mundial com o petróleo orbitando os 100 dólares.
Os eixos da escalada no Oriente Médio
- Retaliação sangrenta: Teerã promete resposta “decisiva” após a perda de Larijani e do comandante da milícia Basij em ataques atribuídos a Israel.
- Guerra de nervos no Golfo: EUA utilizam bombas de alta potência para tentar romper o bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do óleo mundial.
- Liderança na sombra: Israel intensifica a caçada a Mojtaba Khamenei, o novo guia supremo iraniano que permanece em local incerto desde sua nomeação.
A fúria de Teerã e o isolacionismo de Trump
A Guarda Revolucionária confirmou que os ataques de hoje visam vingar o “sangue do mártir” Larijani. Enquanto mísseis cortam o céu, a retórica em Washington endurece. O presidente Donald Trump, em sua plataforma Truth Social, atacou aliados que hesitam em escoltar petroleiros, reafirmando um isolacionismo beligerante: “Não precisamos da ajuda de ninguém”.
Internamente, a Casa Branca enfrenta fissuras: Joseph Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, renunciou por não apoiar a guerra. A resposta de Trump foi curta e ácida, classificando o ex-assessor como “fraco na segurança”.
Israel e a doutrina da “neutralização”
O governo de Benjamin Netanyahu não dá sinais de recuo. O porta-voz militar Effie Defrin foi enfático ao declarar que o objetivo é “rastrear e neutralizar” Mojtaba Khamenei. A estratégia israelense foca em decapitar a estrutura de comando da República Islâmica, ignorando as críticas da Turquia, que classifica as execuções políticas como atividades ilegais fora das leis de guerra.
O drama humanitário no Líbano
Enquanto as potências medem forças, o custo humano explode no Líbano. Desde que o Hezbollah entrou no conflito para vingar o Aiatolá Khamenei, o país tornou-se um cemitério a céu aberto, com mais de 900 mortos e um milhão de deslocados. Em cidades como Sidon, a estrutura de acolhimento colapsou, forçando famílias a buscarem abrigo em carros e escolas superlotadas. O cenário é de uma catástrofe que, como advertiu o chanceler iraniano Abbas Araghchi, “está apenas começando e afetará a todos”.
Com informações da AFP